Salazarista tardio, Eduardo? Não. Sempre fui, da mesma forma que sempre fui um católico, apostólico, romano não exageradamente praticante. Sobre o "meu" salazarismo - muito parecido, aliás, com o de António José Saraiva, ou seja, puramente intelectual e desacompanhado do autoritarismo e da mesquinhez característicos do construído à sua volta- já me pronunciei várias vezes. É só seguir as "etiquetas" ali em baixo.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
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20.4.07
A CONFISSÃO
Salazarista tardio, Eduardo? Não. Sempre fui, da mesma forma que sempre fui um católico, apostólico, romano não exageradamente praticante. Sobre o "meu" salazarismo - muito parecido, aliás, com o de António José Saraiva, ou seja, puramente intelectual e desacompanhado do autoritarismo e da mesquinhez característicos do construído à sua volta- já me pronunciei várias vezes. É só seguir as "etiquetas" ali em baixo.
25.3.07
EUROPA - 2
Oh José Medeiros Ferreira, não me diga que só agora reparou nisso, depois de tantas presenças no programa da "sotora" Campos Ferreira. A suprema ironia do dia - Europa, remember? - é o Doutor Salazar "derrotar", na "sua" eterna RTP, a SIC-Notícias "democrática" que, sensivelmente à mesma hora da "final" da D. Elisa, entrevista Mário Soares.
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EUROPA - 2
Oh José Medeiros Ferreira, não me diga que só agora reparou nisso, depois de tantas presenças no programa da "sotora" Campos Ferreira. A suprema ironia do dia - Europa, remember? - é o Doutor Salazar "derrotar", na "sua" eterna RTP, a SIC-Notícias "democrática" que, sensivelmente à mesma hora da "final" da D. Elisa, entrevista Mário Soares.
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21.3.07
6.3.07
LER OS OUTROS
"Já é tempo de discutirmos o nosso passado sem complexos, suprimindo tabus no debate académico, numa primeira fase; e na discussão social e política, posteriormente. Porque enquanto o Estado Novo continuar cativo de salazaristas e «antifascistas» é que não saímos de onde estamos."
In Kontratempos
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"Já é tempo de discutirmos o nosso passado sem complexos, suprimindo tabus no debate académico, numa primeira fase; e na discussão social e política, posteriormente. Porque enquanto o Estado Novo continuar cativo de salazaristas e «antifascistas» é que não saímos de onde estamos."
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21.2.07
UM LUGAR NA HISTÓRIA
Não, José Medeiros Ferreira, não ando a "a tentar salvar o Salazar das perseguições do regime". Elas existiram e, em nenhum texto sobre o dito cujo, omiti a circunstância. Apenas entendo que, mais de 30 anos volvidos sobre o fim do regime e quase quarenta sobre o desaparecimento físico do seu mentor, é mais do que tempo de falar do homem sem complexos de qualquer espécie. É história e não adianta tentar, isso sim, removê-la ou rasurá-la. Salazar, luz e sombra, já não "encaixa" noutro lugar senão nela.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
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Não, José Medeiros Ferreira, não ando a "a tentar salvar o Salazar das perseguições do regime". Elas existiram e, em nenhum texto sobre o dito cujo, omiti a circunstância. Apenas entendo que, mais de 30 anos volvidos sobre o fim do regime e quase quarenta sobre o desaparecimento físico do seu mentor, é mais do que tempo de falar do homem sem complexos de qualquer espécie. É história e não adianta tentar, isso sim, removê-la ou rasurá-la. Salazar, luz e sombra, já não "encaixa" noutro lugar senão nela.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
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14.2.07
DANIEL, O CENSOR
Abespinhado e traumatizado, o Daniel Oliveira, verdadeiro factotum da televisão "democrática" e conhecido evangelista das boas causas - as dele e as dos amigos dele, naturalmente -, indignou-se com a exibição do documentário de Jaime Nogueira Pinto sobre o Doutor Salazar. A indignação foi tanta que lembrou imediatamente a natureza de "serviço público" da RTP. Não sei se o Daniel entende que a melhor forma de prestar "serviço público" corresponde a rasurar a história. Ia a dizer censurar, mas isso é suposto ser um exclusivo do documentado. Não é verdade, Daniel?
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DANIEL, O CENSOR
Abespinhado e traumatizado, o Daniel Oliveira, verdadeiro factotum da televisão "democrática" e conhecido evangelista das boas causas - as dele e as dos amigos dele, naturalmente -, indignou-se com a exibição do documentário de Jaime Nogueira Pinto sobre o Doutor Salazar. A indignação foi tanta que lembrou imediatamente a natureza de "serviço público" da RTP. Não sei se o Daniel entende que a melhor forma de prestar "serviço público" corresponde a rasurar a história. Ia a dizer censurar, mas isso é suposto ser um exclusivo do documentado. Não é verdade, Daniel?
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DANIEL PLENÁRIO

Que dê por isso, é a primeira vez que o Daniel Oliveira aqui vem e que eu me arrasto até ao seu Arrastão. Qual é o "tribunal plenário" onde me quer levar, Daniel? O do BE? Ou o da velhíssima "frente" do correcto em que andou misturado com salazarinhos envergonhados? Não tenha medo da história que ela não se pega. Apesar de tudo, vejo que aprendeu com os maus exemplos. Lá por vir da "esquerda", o respeitinho é uma coisa sempre bonita, não é verdade?
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DANIEL PLENÁRIO

Que dê por isso, é a primeira vez que o Daniel Oliveira aqui vem e que eu me arrasto até ao seu Arrastão. Qual é o "tribunal plenário" onde me quer levar, Daniel? O do BE? Ou o da velhíssima "frente" do correcto em que andou misturado com salazarinhos envergonhados? Não tenha medo da história que ela não se pega. Apesar de tudo, vejo que aprendeu com os maus exemplos. Lá por vir da "esquerda", o respeitinho é uma coisa sempre bonita, não é verdade?
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UM DOS NOSSOS MAIORES

Jaime Nogueira Pinto apresentou um programa notável sobre o Doutor Oliveira Salazar. Falou, como lhe competia, na "ditadura democrática" da I República, a famosa "ditadura da rua" a que o "28 de Maio" pôs cobro. Falou das origens humildes, da rectidão e da probidade do homem do Vimieiro, dentro das ruínas da casa de alguém que deteve o poder máximo no país durante mais tempo, em pleno século XX, sem tergiversações e com absoluta frieza. Falou do patriota, do rigor financeiro sem demagogias, do "fomento económico", de um regime autoritário sem veleidades a pretender ser outra coisa qualquer. Falou da firme e intransigente defesa do Ultramar como último avatar de uma "grandeza" que sempre nos escapou e que, aos de hoje, soa a algo incompreensível. A partir dos anos 50, Salazar "internacionalizou" Portugal como pôde e, vagarosamente, afastou-se - a ele e a nós - do mundo. Falou, em suma, de um "Salazar que agarrou o país". Não foi um democrata e isso, na altura, não era exactamente um pecado. Em nome da sua concepção do país como "império", perseguiu, prendeu e exilou. Percebeu muito cedo que, depois dele, não haveria mais lugar para ele. "Cheguei ao fim. Os que vierem depois de mim, vão fazer diferente ou vão fazer o contrário e contra mim", confessou a Franco Nogueira em 1966. Nunca sentiu a necessidade de se afirmar ou de se disfarçar como "progressista". Pelo contrário. Era um pessimista impenitente, profundamente conhecedor dos desequilíbrios humanos, um anti-liberal e um conservador. À sua peculiar maneira, foi um dos nossos maiores.
UM DOS NOSSOS MAIORES

Jaime Nogueira Pinto apresentou um programa notável sobre o Doutor Oliveira Salazar. Falou, como lhe competia, na "ditadura democrática" da I República, a famosa "ditadura da rua" a que o "28 de Maio" pôs cobro. Falou das origens humildes, da rectidão e da probidade do homem do Vimieiro, dentro das ruínas da casa de alguém que deteve o poder máximo no país durante mais tempo, em pleno século XX, sem tergiversações e com absoluta frieza. Falou do patriota, do rigor financeiro sem demagogias, do "fomento económico", de um regime autoritário sem veleidades a pretender ser outra coisa qualquer. Falou da firme e intransigente defesa do Ultramar como último avatar de uma "grandeza" que sempre nos escapou e que, aos de hoje, soa a algo incompreensível. A partir dos anos 50, Salazar "internacionalizou" Portugal como pôde e, vagarosamente, afastou-se - a ele e a nós - do mundo. Falou, em suma, de um "Salazar que agarrou o país". Não foi um democrata e isso, na altura, não era exactamente um pecado. Em nome da sua concepção do país como "império", perseguiu, prendeu e exilou. Percebeu muito cedo que, depois dele, não haveria mais lugar para ele. "Cheguei ao fim. Os que vierem depois de mim, vão fazer diferente ou vão fazer o contrário e contra mim", confessou a Franco Nogueira em 1966. Nunca sentiu a necessidade de se afirmar ou de se disfarçar como "progressista". Pelo contrário. Era um pessimista impenitente, profundamente conhecedor dos desequilíbrios humanos, um anti-liberal e um conservador. À sua peculiar maneira, foi um dos nossos maiores.
6.2.07
O MEDALHADO
Corre por aí uma vaga indignação pela circunstância do chefe de Estado ter atribuído uma venera ao ex-PGR, dr. Souto Moura. Não percebo porquê. Em trinta anos de democracia, não contando com as cerimónias fúnebres do 10 de Junho na Praça do Comércio presididas pelo Almirante Américo Thomaz, não houve inútil nenhum que não levasse para casa uma medalha por isto, por aquilo ou por nada. Souto Moura, convém recordá-lo, é um produto de duas ou três mentes brilhantes: o dr. Sampaio, o dr. António Costa, o engº Guterres e o então chefe do PSD, o extraordinário dr. Barroso, que deve ter sido "ouvido". Querem "mais" regime do que isto?
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O MEDALHADO
Corre por aí uma vaga indignação pela circunstância do chefe de Estado ter atribuído uma venera ao ex-PGR, dr. Souto Moura. Não percebo porquê. Em trinta anos de democracia, não contando com as cerimónias fúnebres do 10 de Junho na Praça do Comércio presididas pelo Almirante Américo Thomaz, não houve inútil nenhum que não levasse para casa uma medalha por isto, por aquilo ou por nada. Souto Moura, convém recordá-lo, é um produto de duas ou três mentes brilhantes: o dr. Sampaio, o dr. António Costa, o engº Guterres e o então chefe do PSD, o extraordinário dr. Barroso, que deve ter sido "ouvido". Querem "mais" regime do que isto?
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3.2.07
O ESTADO DA ARTE
Há, no Expresso, duas notícias reveladoras do "estado da arte". A primeira, no suplemento Actual, é uma "nota do editor" que se insurge contra o encenador João Lourenço que, pela descrição, ameaçou e "puxou pelos colarinhos" do crítico teatral João Carneiro, suponho, por causa de algo que ele escreveu sobre a criatura. Fizeram de Lourenço e de outros como Lourenço instituições nacionais, entre o glorificado e o mumificado. O nosso provincianismo cultural não permite que se "critique" estes monumentos que se denunciam nestes gestos de carácter como demasiado pequeninos. A segunda, menciona que o dr. Mário Soares vai apaparicar um livro sobre desgraças perpetradas no tempo do doutor Salazar, escrito por uma das "consultoras" do programa da D. Elisa, a sra. dra. Irene Pimentel. De acordo com a notícia, este lançamento visa "alertar" os portugueses para o "perigo" de "elegerem" o doutor Salazar o "melhor português" no concurso, por sinal, banido inicialmente pelos "consultores" como a dra. Pimentel. Depois deste pueril exercício e do precioso "empurrão" do dr. Soares, Salazar já ganhou.
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O ESTADO DA ARTE
Há, no Expresso, duas notícias reveladoras do "estado da arte". A primeira, no suplemento Actual, é uma "nota do editor" que se insurge contra o encenador João Lourenço que, pela descrição, ameaçou e "puxou pelos colarinhos" do crítico teatral João Carneiro, suponho, por causa de algo que ele escreveu sobre a criatura. Fizeram de Lourenço e de outros como Lourenço instituições nacionais, entre o glorificado e o mumificado. O nosso provincianismo cultural não permite que se "critique" estes monumentos que se denunciam nestes gestos de carácter como demasiado pequeninos. A segunda, menciona que o dr. Mário Soares vai apaparicar um livro sobre desgraças perpetradas no tempo do doutor Salazar, escrito por uma das "consultoras" do programa da D. Elisa, a sra. dra. Irene Pimentel. De acordo com a notícia, este lançamento visa "alertar" os portugueses para o "perigo" de "elegerem" o doutor Salazar o "melhor português" no concurso, por sinal, banido inicialmente pelos "consultores" como a dra. Pimentel. Depois deste pueril exercício e do precioso "empurrão" do dr. Soares, Salazar já ganhou.
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