4.3.13

Um voto chão


 


Está a decorrer mais uma reunião dos ministros das finanças do Eurogrupo. Que as finanças estejam mais próximas de ser uma solução contingente e não uma constante obsessão, é o meu voto absolutamente chão.

O Bloco transfigurado



Não tive pachorra para ler um artigo sequer, ou ouvir um comentário, sobre as manifestações "espontâneas". Mas há sempre quem vasculhe os famosos detalhes onde tantas vezes o diabo se esconde. Não me refiro, evidentemente, às televisões ou aos media tradicionais que precisam de circo como de pão para a boca (literalmente falando). Nem tão pouco me move obstar ao legítimo direito à indignação ou a outra coisa qualquer. Uma democracia liberal, aliás, deve ser suficientemente aberta e adulta para acolher as múltiplas transfigurações da cidadania. Ora por vezes os atrás mencionados detalhes revelam-me que, afinal, nem sempre o que parece é. Vejamos alguns exemplos que me chegaram de "protagonistas" do "movimento espontâneo" que foram revelados pela SIC. Uma dessas protagonistas, Tatiana Moutinho, foi candidata independente às eleições legislativas de 2009, pelo círculo eleitoral do Porto, através do Bloco de Esquerda (http://antigo.porto.bloco.org/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=551). Outra cidadã, Amarilis Felizes, estuda teatro e "não sabe" desde quando tem medo do desemprego (?). Com 22 anos (http://p3.publico.pt/actualidade/educacao/2592/usar-o-teatro-para-denunciar-o-estado-do-ensino-superior), pelo menos já participou em workshops de teatro para o dito Bloco de Esquerda (http://www.esquerda.net/sites/default/files/files/festa%20musica%20leiria%20out-web.pdf). Outro cidadão que deseja ver a "troika" bem lixada é Adriano Campos, um bolseiro que pertencia aos animados movimentos "Geração à Rasca" e "Precários Inflexíveis" (http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2013/02/28/diversidade-e-luta-contra-o-medo-no-que-se-lixe-a-troika) e que, de acordo com o BE (sempre o Bloco :http://www.esquerda.net/autor/adriano-campos), é "sociólogo e activista precário" (sic). Para além disso, anima disputas "ideológicas" com o Daniel Oliveira acerca do "método" de tomada do poder pela seita (http://www.esquerda.net/artigo/como-ir-para-o-governo-deixando-esquerda-pelo-caminho) e possui "opiniões fortes" sobre grupúsculos dissidentes que ameaçam a "unidade" da agremiação (http://adeuslenine.blogspot.pt/2011/12/e-apenas-fumaca.html). Também Paula Sequeiros, outra bolseira e conspícua animadora do "movimento" de lixação inflexível e sumária da "troika", foi candidata à concelhia do Porto do BE (http://antigo.porto.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1372&Itemid=66). Em suma, metonímias do Bloco não deixam de ser "Bloco". Quem diz do Bloco, diz de outro partido qualquer. Vem algum mal ao mundo por isso? Nenhum. Não façam é dos outros parvos.

Tenham juízo


 


Na net foi criada uma coisa chamada "adopte um cardeal" porventura na senda de outras tais como adopte um cão, adopte um gato ou adopte um periquito. Aparentemente não há limites para o disparate que, para felicidade dele, Ratzinger contempla agora de longe. Não é suposto brincar com coisas sérias. O pontificado que terminou na passada quinta-feira foi vigoroso quanto a simplificações, superficialidades ou cedências à vulgaridade da chamada "vida material". Ratzinger pediu silêncio e oração até à escolha do sucessor de Pedro. Não sugeriu "concursos" com rifas por mais inocentes e engraçadinhos que sejam. Tenham juízo.

3.3.13

Ler os outros



Soares por Joaquim Vieira. Ainda no princípio.

Os "espontâneos"

Só hoje vejo nas televisões imagens da manifestação "espontânea". E lá vejo desfilar pelas câmaras os "anónimos" do costume - o Arménio, os bicéfalos do Bloco, rapaziada do PS que no tempo de Sócrates dizia do "povo" o que Maomé não dizia do toucinho, dois ou três palhaços não profissionalizados, etc., etc. Quando é a próxima?

Da série "que se lixe"

«De acordo com a alta sabedoria académica e jornalística, o movimento (?) Que se Lixe a Troika! tem um hino: a Grândola. Mas não tem uma organização, não tem dirigentes, não tem uma sede, não tem um programa, não tem uma estratégia. E só tem um objectivo: o de lixar a troika, bem lixada, com artimanhas que por enquanto não revelou. Os portugueses não estão manifestamente satisfeitos: os jovens e, falando por mim, os velhos. Daqui não se segue que devam agitar um coelho morto em frente do nariz de Passos Coelho ou inventar mais patetices do género. O governo, ou parte do governo, observou as manifestações bem instalado e bem protegido e comentou com o seu proverbial senso político: “Que se lixe.” E 2.ª-feira o país continuará na mesma, impotente, estupefacto e furioso.»


 


Vasco Pulido Valente, Público

Parsifal, a decantação espiritual de Wagner


 


O leitor Marques, uma presença assídua no eixo oparático Gulbenkian-Met, traduz com eloquência as magníficas seis horas passadas no sossego desassossegado do último Wagner, longe da doxa e da trivialidade. «Não sei se haverá este ano muito mais momentos desta qualidade e elevação na vida cultural de que dispomos por estes lados, senão simplesmente na vida de que dispomos. Kaufmann genial, restantes entre o muito bom e o excelente, encenação "moderna", mas não intrusiva, como alguns desastres que temos visto nessa área. Quanto ao Parsifal, permito-me ir buscar a tempos idos uma referência a um pequeno livro da colecção "Solfèges", sobre Mozart, de Jean- Victor Hocquard, mozartiano fanático (há fanatismos aceitáveis e compartilháveis), livrinho esse que serviu de vademecum para uma exposição e manifestações várias em comemoração do nascimento do Wolfgang que alguns colegas e este comentador organizaram na Faculdade de Letras em 1956(!). Ora nesse magnífico livrinho fala-se, das obras mozartianas, de "decantação espiritual". Se a expressão é certeira para o Quinteto com clarinete ou para o Rondó K. 511, por exemplo, tambem o é para o Parsifal, noutra perspectiva. No Mozart, são casos de absoluta transcendência musical. No Wagner, aplicá-la-ia à obra que sintetiza a sua visão da Redenção, conclusão triunfal de caminhos em que pecadores ou ignorantes se transformam em seres de abnegação (Kundry) e heróica espiritualidade (o próprio Parsifal). Essa espiritualidade, aliás de inspiração claramente cristã, é a "decantação" final do Wagner numa obra que, alem da evidente relevância musical, é uma importante síntese de valores da Civilização a que pertencemos e da qual não temos (como às vezes parece) que nos envergonhar.»

1.3.13

Grande manifestação


 


Cultural, sábado, em Lisboa. A partir das 17 horas, na Gulbenkian, directamente da Metropolitan Opera House em Nova Iorque, Parsifal, de Richard Wagner, com Jonas Kaufmann e Katarina Dalayman.

Uma resignação portuguesa

«Não é de excluir que brote por aí um ermitão que leve o indigenato atrás. Mas tanto a ditadura como a democracia ensinaram a disciplina ao cidadão comum; e oferecer um coelho enforcado ao dr. Passos Coelho (bem sei que numa faculdade de Direito) não revela grandes dotes de imaginação. No fundo, no fundo, revela uma irreprimível tendência para a resignação.»


 


Vasco Pulido Valente, Público

A pirâmide incompetente

«O respectivo conselho de administração [da RTP] elaborou agora um plano de remodelação próprio de quem não tem a noção do ridículo. Em vez de uma definição da missão, dos meios e, em particular, da estratégia de reestruturação a adoptar, a administração da RTP entendeu servir um documento vazio que mais parece ser um exercício de automotivação empresarial. Reinventando pelo caminho o serviço público, com uma desfaçatez que só a verdadeira ignorância permite. O documento permite-se definir os “sete dogmas” do “serviço público de media” e incluir entre os seus objectivos o de ser “o melhor serviço público da UE na relação qualidade/custo”. O plano de reestruturação da RTP não passa de um exercício gratuito de marketing no qual é penoso encontrar algum conteúdo. Não há ninguém que consiga pôr fim ao delírio?»


 


Público, Editorial




Adenda: Quanto a outra questão - que, aliás, faz parte da mesma, a saber, se os presentes órgãos dirigentes da RTP (da administração a direcções internas, gerais ou específicas) são os mais habilitados para conduzir a televisão pública nesta fase - convém ler esta Deliberação da ERC, de fio a pavio.