27.8.09

SEGUIR EM FRENTE

Deus Pinheiro foi ministro da educação do "bloco central" de Mário Soares nos idos de oitenta. É natural que defenda outro, agora liderado pelo PSD. Com o devido respeito - e mesmo partindo do pressuposto que o PS se livra do "bando de Sócrates" - não é solução. Sabe-se que, enquanto o regime for o que é, esse "bloco" subsistirá em muitos lados. No sector empresarial público, em empresas privadas, nos "clubes" ditos de reflexão, nas casas destes e daqueles, no Estado. É um vício do regime que impede clareza na nossa vida pública. Na sua proverbial ingenuidade, Deus Pinheiro imagina - é só mais um - que tal "solução" salva o país. Não salva. O menos mau que pode sair das eleições de 27 de Setembro é um governo minoritário de Ferreira Leite que confronte o Parlamento com as suas responsabilidades. Depois de quatro anos de AR maioritária e politicamente nula, sempre é um recomeço. Depois há Cavaco. Para que se devolva um módico de sanidade a isto tudo, uma vez terminado o primeiro e único mandato funesto do pretty boy, Cavaco não deve recear intervir. E por intervir não quero dizer governar ou dar orientações políticas que esta Constituição do impasse não lhe permite. A experiência do Chefe de Estado, aliada à prudência da sua personalidade, vão ser fundamentais nos próximos meses. Deus Pinheiro veio do passado para falar em passado. Direito dele. Todavia o que mais precisamos, depois deste interregno pouco sério, é seguir em frente.


Adenda: Tenho muito defeitos e, infelizmente para os tempos e para as gentes que correm, uma boa memória. Deus Pinheiro sucedeu, no IX governo do dr. Soares (83-85), a Seabra (o especialista em Barthes) como ministro da educação. Ora vejam lá.

SEGUIR EM FRENTE

Deus Pinheiro foi ministro da educação do "bloco central" de Mário Soares nos idos de oitenta. É natural que defenda outro, agora liderado pelo PSD. Com o devido respeito - e mesmo partindo do pressuposto que o PS se livra do "bando de Sócrates" - não é solução. Sabe-se que, enquanto o regime for o que é, esse "bloco" subsistirá em muitos lados. No sector empresarial público, em empresas privadas, nos "clubes" ditos de reflexão, nas casas destes e daqueles, no Estado. É um vício do regime que impede clareza na nossa vida pública. Na sua proverbial ingenuidade, Deus Pinheiro imagina - é só mais um - que tal "solução" salva o país. Não salva. O menos mau que pode sair das eleições de 27 de Setembro é um governo minoritário de Ferreira Leite que confronte o Parlamento com as suas responsabilidades. Depois de quatro anos de AR maioritária e politicamente nula, sempre é um recomeço. Depois há Cavaco. Para que se devolva um módico de sanidade a isto tudo, uma vez terminado o primeiro e único mandato funesto do pretty boy, Cavaco não deve recear intervir. E por intervir não quero dizer governar ou dar orientações políticas que esta Constituição do impasse não lhe permite. A experiência do Chefe de Estado, aliada à prudência da sua personalidade, vão ser fundamentais nos próximos meses. Deus Pinheiro veio do passado para falar em passado. Direito dele. Todavia o que mais precisamos, depois deste interregno pouco sério, é seguir em frente.


Adenda: Tenho muito defeitos e, infelizmente para os tempos e para as gentes que correm, uma boa memória. Deus Pinheiro sucedeu, no IX governo do dr. Soares (83-85), a Seabra (o especialista em Barthes) como ministro da educação. Ora vejam lá.

26.8.09

CONSIDERAÇÕES INTEMPESTIVAS





«Trata-se de saber esquecer a tempo, como de saber recordar a tempo; é imprescindível que um instinto vigoroso nos advirta quando é necessário ver as coisas historicamente e quando é necessário não as ver historicamente. É este o princípio sobre que o leitor deve reflectir: o sentido histórico e a sua negação são igualmente necessários à saúde de um indivíduo, de uma nação, de uma civilização.»

Friedrich Nietzsche, Considerações intempestivas


Clips: Wagner, Parsifal, Prelúdio. Daniel Barenboim.

CONSIDERAÇÕES INTEMPESTIVAS





«Trata-se de saber esquecer a tempo, como de saber recordar a tempo; é imprescindível que um instinto vigoroso nos advirta quando é necessário ver as coisas historicamente e quando é necessário não as ver historicamente. É este o princípio sobre que o leitor deve reflectir: o sentido histórico e a sua negação são igualmente necessários à saúde de um indivíduo, de uma nação, de uma civilização.»

Friedrich Nietzsche, Considerações intempestivas


Clips: Wagner, Parsifal, Prelúdio. Daniel Barenboim.

A AUTORA E O ACTOR

«Critica-se Ferreira Leite por alguma dificuldade na comunicação verbal. Prefere-se, então, um perito na oratória cujos olhos permanentemente desmentem aquilo que efectivamente diz? Em quem devem os portugueses acreditar? No actor que se esvazia de acordo com cada personagem, ou na autora do seu próprio guião, o qual corresponde àquilo em que ela acredita e ela mesma verdadeiramente é?» (João Villalobos)

A AUTORA E O ACTOR

«Critica-se Ferreira Leite por alguma dificuldade na comunicação verbal. Prefere-se, então, um perito na oratória cujos olhos permanentemente desmentem aquilo que efectivamente diz? Em quem devem os portugueses acreditar? No actor que se esvazia de acordo com cada personagem, ou na autora do seu próprio guião, o qual corresponde àquilo em que ela acredita e ela mesma verdadeiramente é?» (João Villalobos)

O MESTRANDO


O admirável e seguro líder - tão seguro que não há meio de resolver se quer debates nas televisões (é só ele e não ele e Ferreira Leite que já disse estar disponível para debater com quem quiser debater) - foi a Setúbal passear pela Portucel. No caminho, num autocarro, disse ao guia que tinha "estudado" o "exemplo" da Portucel no seu MBA. "Na cadeira de logística, vem em todos os manuais", esclareceu. Já na Portucel, foi elogiado - em andamento e com os microfones das tv's todos apontados para eles, muito frescos e descontraídos - pelo dono da casa, o sr. Queiroz Pereira. "Como eu nunca vi", salientou Queiroz. Sócrates devolveu o elogio, entre outras coisas, em Manuel Pinho provisoriamente ressuscitado para efeitos de propaganda. Um mestrando apurado, este líder.

O MESTRANDO


O admirável e seguro líder - tão seguro que não há meio de resolver se quer debates nas televisões (é só ele e não ele e Ferreira Leite que já disse estar disponível para debater com quem quiser debater) - foi a Setúbal passear pela Portucel. No caminho, num autocarro, disse ao guia que tinha "estudado" o "exemplo" da Portucel no seu MBA. "Na cadeira de logística, vem em todos os manuais", esclareceu. Já na Portucel, foi elogiado - em andamento e com os microfones das tv's todos apontados para eles, muito frescos e descontraídos - pelo dono da casa, o sr. Queiroz Pereira. "Como eu nunca vi", salientou Queiroz. Sócrates devolveu o elogio, entre outras coisas, em Manuel Pinho provisoriamente ressuscitado para efeitos de propaganda. Um mestrando apurado, este líder.

UMA SEMI -TÉNIA


Há para aí na blogosfera um anónimo com designação de produto farmacêutico registado na Bayer. Funciona, porém, mais como um vírus daqueles "fabricados" em laboratórios, não os das indústrias da especialidade mas os políticos. É muito popular junto de alguma da "intelligenzia nacional" blogueira, leia-se, do regime. Do PS. Um leitor dos Açores chamou a minha atenção para um escrito qualquer do dito subproduto semi-ténia sobre mim. Não é, aliás, a primeira vez que o subproduto emerge da imundice anónima para se referir a mim. Tipo ténia em pequenina. Não sei se o subproduto sabe francês mas há dicionários à venda nos supermercados. Por causa do regresso às aulas - para onde o suproduto deve voltar rapidamente. Aproveite as "novas oportunidades" e regresse à escola. Para acabar o "básico" do qual nunca se livrou. O que se segue é Céline*, um bom antídoto contra subprodutos e semi-ténias como aquele. «Dans mon cul où il se trouve, on ne peut pas demander [ao subproduto, à semi-ténia] d'y voir bien clair, ni de s'exprimer nettement, [o subproduto, a semi-ténia] a semble-t-il cependant prevú le cas de la solitude et de l'obscurité dans mon anus...»

*para maiores de 18 anos. In L. F. Céline, À l'agité du bocal, págs. 10 e 11. Carnets, L' Herne. 2006. Há na Fnac.

UMA SEMI -TÉNIA


Há para aí na blogosfera um anónimo com designação de produto farmacêutico registado na Bayer. Funciona, porém, mais como um vírus daqueles "fabricados" em laboratórios, não os das indústrias da especialidade mas os políticos. É muito popular junto de alguma da "intelligenzia nacional" blogueira, leia-se, do regime. Do PS. Um leitor dos Açores chamou a minha atenção para um escrito qualquer do dito subproduto semi-ténia sobre mim. Não é, aliás, a primeira vez que o subproduto emerge da imundice anónima para se referir a mim. Tipo ténia em pequenina. Não sei se o subproduto sabe francês mas há dicionários à venda nos supermercados. Por causa do regresso às aulas - para onde o suproduto deve voltar rapidamente. Aproveite as "novas oportunidades" e regresse à escola. Para acabar o "básico" do qual nunca se livrou. O que se segue é Céline*, um bom antídoto contra subprodutos e semi-ténias como aquele. «Dans mon cul où il se trouve, on ne peut pas demander [ao subproduto, à semi-ténia] d'y voir bien clair, ni de s'exprimer nettement, [o subproduto, a semi-ténia] a semble-t-il cependant prevú le cas de la solitude et de l'obscurité dans mon anus...»

*para maiores de 18 anos. In L. F. Céline, À l'agité du bocal, págs. 10 e 11. Carnets, L' Herne. 2006. Há na Fnac.