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11.7.07

A BRIGADA


Um sinal esclarecedor sobre as possibilidades de vitória numa eleição autárquica consiste em observar a fila de betoneiras prostrada atrás de um candidato. Na lista do dr. Costa está uma senhora da Mota-Engil, o dr. Júdice quer tomar conta da zona ribeirinha e o arquitecto Salgado tem um projecto em curso junto ao Tejo. O famoso pelouro do urbanismo - que normalmente acaba no pelourinho - é muito cobiçado, sobretudo numa cidade devastada pela rapacidade dos patos-bravos com a cumplicidade da "intelectualidade" urbano-depressiva dos partidos. Estão todos, uns e outros, com o dr. Costa. A brigada do betão não brinca em serviço.

10.7.07

O NOME DA COISA - 2

Só dois comentários, CMC. Carrilho foi, há menos de dois anos, o candidato do PS à CML. Carrilho ia tendo na sua lista o senhor arquitecto Salgado e, no livro que citei, tal como Salgado havia dado publicamente conta do "carácter" de Carrilho no Expresso, também Carrilho resolveu "explicar" o "carácter" de Salgado. Não necessariamente o do homem - cada um é como é, ensinou Shakespeare há muitos anos - mas o do putativo vereador. Ontem, no princípio do debate na RTP, quando abordado sobre Salgado, Costa passou uma esponja rápida pelo Salgado de há dois anos e apresentou uma espécie de "novo homem vereador do urbanismo" na pessoa de sua excelência. A ver vamos, como dizia o cego. E, por falar em cego, a sua fé praticamente cega na extraordinária figura do ex-número dois do senhor presidente em exercício - mesmo temperada com os lugares-comuns do costume - é uma questão de opinião. Costa certamente não mudou a dele. V. é que trocou o "libertarismo" intelectual do Manuel Alegre pelo respeitinho que impõe a solene figura do antigo ministro de Estado do absolutismo democrático. Faz bem. Nunca se sabe o dia de amanhã.

9.7.07

O NOME DA COISA


O dr. Costa dedicou o domingo antes das eleições a zurzir no dr. Mendes que, por acaso, não concorre à CML. Tudo porque o dr. Mendes se lembrou de chamar a atenção para o segundo da lista de Costa, o inefável arquitecto Manuel Salgado (a propos, é interessante constatar como a bastonária dos arquitectos e concorrente de Costa, Helena Roseta, tem guardado prudente silêncio sobre esta veneranda figura da sua corporação), para a obsessão de Costa pela terraplanagem da Portela sem aviões, etc., etc. Nada, pois, que devesse chocar Costa. Muito menos o seu mandatário, José Miguel Júdice que, em matéria de "interesses", não devia dar recados a ninguém ou perpetrar ridículos "ultimatos". Tanto mais quando um ilustre membro da "comissão de honra", em forma de letra, deu o nome à coisa. E se quiser, dr. Costa, também pode ler uns relatórios pretéritos do Tribunal de Contas sobre grandes empreendimentos públicos conhecidos na área de Lisboa. É que, como ilustrava Nabokov já por aí citado, a forma da coisa precede-a sempre. E antes que ela tome forma, mais vale preveni-la do que remediá-la. Bom tema para a conversa tonta, a doze, mais logo na CML e na RTP.

"Este almoço foi todavia, para minha inteira surpresa e, devo dizer, não menor perplexidade, precedido de vários recados, de proveniência muito diversa mas de conteúdo sempre idêntico - O Salgado quer ser vereador. A minha perplexidade decorria de eu saber que Manuel Salgado tinha muitos projectos em curso na cidade de Lisboa, o que configurava uma situação de óbvio, e perturbante, conflito de interesses. Foi isto, de resto, depois de ele me confirmar o seu desejo de integrar a minha equipa, que eu lhe disse com toda a frontalidade. Ele reconheceu que havia dificuldades, mas que juridicamente havia soluções, que se podia pensar num blind trustee para dirigir o seu atelier. Tudo me pareceu pouco claro, pelo que ficámos de pensar melhor no assunto - mas eu fiquei muito preocupado, não só juridicamente mas também eticamente, com os contornos desta inesperada situação."

in Manuel Maria Carrilho, SOB O SIGNO DA VERDADE, D. Quixote, página 53.

30.6.07

DA ESTUPIDEZ MUNICIPAL

De acordo com mais uma sondagem, o dr. Costa será, daqui a quinze dias, o novo presidente da CML. Novo porque nunca foi da CML, já que o seu currículo político - o único - é quase tão velho como as sagradas escrituras. Isto quer dizer que os lisboetas que se dispõem a votar no dia 15 avaliam positivamente a governança nacional de que Costa foi, até há escassos dias. o mais ilustre representante. Isto também quer dizer que a dita percentagem de votantes putativos aprecia que lhe coloquem trelas ao pescoço, uma característica tão deliciosamente portuguesa. Pois não foi da cabeça de Costa que brotou o "cartão único", o chip do Simplex? E não foi do gabinete do ministro Costa que saiu a leizinha das autarquias locais que deixou os seus futuros colegas a ferver? O direito à estupidez, se tem carácter universal, por maioria de razão deve ter natureza municipal. Os mesmos que querem - e bem - a Portela com outro aeroporto, são os mesmos que anelam por Costa, o adepto do aeroporto internacional de Leiria e da razia dos terrenos devolutos da Portela. Nabokov dizia que a forma da coisa precede sempre a coisa. Depois não se queixem.

25.6.07

MISERÁVEL AMBIÇÃO

A sra. D. Maria José Nogueira Pinto está mortinha para se passar para as hostes de António Costa.Um sorriso ali, uma cadeirinha acolá, uma passeata por aí, em suma, a senhora está disposta a tudo para ficar com o Chiado. Estas gentes que se reclamam "de família" e "de princípios", afinal, não passam de vulgares possidónios. No meio disto, sobressai o ridículo dos saltos altos. Será que ela se imagina uma Suggia do betão citadino? Que miserável ambição.

A NÃO ESQUERDA


A esquerda lisboeta, representada pelo "Zé", pelo Ruben, pela Helena e por mais uma ou outra insignificância, deseja ardentemente que a não-esquerda, representada pelo dr. Costa, faça uma coligação. Costa, praticamente logo depois de ter deixado o bibe na JS, ajudou a fabricar a famosa coligação PC-PS a cujo andor presidiram Sampaio e João Soares durante doze anos. Ele lembrou vagamente o assunto e depois passou rapidamente para a terraplanagem da Portela. Com vitória e sem maioria, Costa vai precisar de alguma destas luminárias para refazer o mito. De caminho, aplaina a sua própria imagem, tão desgastada pela deriva autoritarista dos dois últimos anos. Como ninguém tem vergonha na cara e como são todos "democratas", acabarão fatalmente ao colo uns dos outros. De longe, o paladino do "diálogo entre as civilizações", Sampaio, verterá mais uma furtiva lágrima por tamanho encanto. Entretanto, o dr. Negrão quer "deitar abaixo" a "zona J", o sr. Telmo pinta paredes e a dra. Nogueira Pinto deslumbra-se com o putativo futuro vereador do urbanismo de Costa, o arquitecto Salgado, à espera que o Chiado lhe caia nas mãos. Salgado agradece seguramente uma "mulher de palha" disposta a tudo por uma sinecura. E Costa, por fim, agradecerá à direita mais imbecil que se tem visto nos últimos tempos. Por isso, nem sequer precisa da esquerda dos outros. Basta-lhe ser - como tem sido - a não esquerda.

18.6.07

TRANSFORMISMO DEMOCRÁTICO

Esta senhora levou o meu voto em Outubro de 2005. Esta senhora debandou, à semelhança de outros "democratas" de outros partidos, a meio do mandato que os lisboetas lhe conferiram como vereadora. Esta senhora decidiu, sem que ninguém lhe tivesse perguntado nada, que se deve apoiar os candidatos do regime em Lisboa - o multiusos António Costa e o arquitecto Manuel Salgado - com um argumentário de quem aprendeu agora a ler, a escrever e a pensar. Se ela acredita - ou lhe convém acreditar no Pai Natal por motivos obscuros -, problema dela. Com gente de direita como esta senhora ou o dr. Júdice, valha-nos a memória honrada do Doutor Salazar. Razão tem o Dragão: "isto ainda não é a América, mas, pelos vistos, já é quase Angola." E não cito Angola por mero acaso. Ainda a vamos ver a apadrinhar "casamentos" no Salão Nobre da CML ao lado do João Baião e da Dina, a baladeira oficial da seita de onde saiu a senhora de Nogueira Pinto. Esta gente nem sequer respeita um período mínimo de nojo. Mas mete nojo.

17.6.07

SIMPLISMENTE

Costa dá uma entrevista ao DN como candidato a Lisboa. É a chamada conversa de chacha, como a dos outros candidatos, certamente. Ficou-me apenas uma expressão que resume o resto: "o Simplis". Costa, a maravilhosa cabeça de onde brotou, entre outras, a ideia do "cartão único" e o "Simplex" da dra. Leitão Marques, transpôs para a sua candidatura um "Simplex" dos pequeninos, o "Simplis" através do qual Costa quer implantar as suas "medidas de simplificação". Como? "Primeiro, vamos fazer o "Simplis", que é um "simplex" para a cidade de Lisboa. Em segundo, aproveitar o quadro legislativo aprovado esta semana pelo Governo em matéria de ordenamento do território e de licenciamento, que ajudam à simplificação. Em terceiro, introduzir mecanismos de prevenção da corrupção, quer com códigos de conduta muito exigentes, quer com uma comissão de prevenção da corrupção que tenha independência funcional relativa à maioria da câmara. E que identifique as áreas mais críticas da câmara e adopte códigos de boas práticas", diz ele. Pois. A lista de Costa, aliás, tresanda a "ética" e a "boas práticas". Basta a Costa começar por "simplificar" o seu "número dois" que já presta um bom serviço camarário.