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16.7.14

Karajan, para além do bem e do mal (1989-2014)


 


Há vinte e cinco anos, neste dia, Herbert von Karajan recebia uns empresários japoneses na sua casa na Áustria. Viram-no morrer com um ataque cardíaco fulminante. Afirmá-lo como "um dos maiores dirigentes de orquestra de tal e tal" seria uma grosseria imperdoável. Karajan ainda viveu o suficiente na era que transforma burgessos em génios, e génios em burgessos, pelo que deve evitar-se qualquer confusão. Tal como para Cioran Deus seria sempre uma entidade de terceira categoria se não tivesse existido Bach, a música do século XX (e vindoura) não teria sido a mesma - isto é, os compositores e os seus intérpretes - se não tivesse existido Karajan. Intransigente, despótico e autoritário, como lhe competia, traçou a bissectriz ideal entre o pathos e o bathos das suas interpretações. Arrancou às orquestras, e aos intérpretes que dirigiu, sonoridades e fulgurâncias que a maior parte das suas gravações, audio e audiovisuais, preserva. "Manipulou", com uma inteligência musical única, as partituras até ao limite, razão pela qual alguns "puristas" o detestavam e a ele preferiam, por exemplo, um Böhm supostamente mais "certinho". As "integrais" das sinfonias de Beethoven são caprichosamente distintas: não é o mesmo ouvi-lo com a Philharmonia Orchestra ou com a Filarmónica de Berlim nos anos 50, 60 ou 80. Também por causa de uma ainda menina "imposta" como solista a esta Orquestra - Anne Sophie Mutter -, os músicos da BPO e Karajan romperam uma jornada gloriosa de afortunada cumplicidade aparentemente só retomada quase no fim. De Salzburgo a Viena, de Berlim à América, de Beethoven a Brahms, de Dvorak a Holst, de Verdi a Puccini, de Mozart a Donizetti, de Wagner a Strauss, Karajan deixou nos palcos e nos estúdios um legado indisputável, sem epígonos. Músico completo e perfeccionista, cedo absorveu o poder da imagem como demonstrou recentemente um documentário do canal ARTE . Fisicamente baixo, com uma voz roufenha, amante de castelos, aviões, carros e de mulheres mais jovens, o Maestro não era sobretudo "demasiado humano". Uma coisa é certa. Estava para além do bem e do mal e não se confunde com a enxovia generalizada em que tudo se tornou. Quem se habitou a amá-lo desde cedo, não pode escolher melhor companhia. A obsessão feliz pela imagem passava por querer "perpetuar-se" como parte dessa lux aeterna que ilumina a noite do mundo das nossas vidas. Teve todo o direito.

13.7.13

Grandeza


 


Herbert von Karajan dirige a abertura de O Navio Fantasma, de Richard Wagner

5.4.13

Majestático


 


«Ocorre hoje o 105º aniversário do nascimento do maestro Herbert von Karajan, um dos mais notáveis chefes de orquestra do século XX. De ascendência greco-macedónica, nasceu Karajan em Salzburg, cidade do então Império Austro-Húngaro, tendo recebido o nome de Heribert, que mais tarde transformou para Herbert. Revelando-se um menino-prodígio ao piano, cedo enveredou pela direcção de orquestra, tendo dirigido, apenas com 21 anos a Salome, no Festspielhaus de Salzburg. Entre 1929 e 1934 foi Kappelmeister no Stadttheater de Ulm. Em 1934 dirigiu pela primeira vez a Orquestra Filarmónica de Viena e de 1934 a 1941 foi director musical do Teatro de Aachen, começando a ser convidado para a regência de orquestras no estrangeiro. Em 1937 dirigiu pela primeira vez a Filarmónica de Berlim e o Fidelio na Staatsoper de Berlim. Em 1938 assinou um contrato com a Deutsche Grammophon, empresa para a qual haveria de gravar dezenas de obras, num total estimado de mais de 200 milhões de discos. Membro do partido Nazi, Karajan manteve-se em Berlim durante a guerra, e ainda dirigiu um concerto em 18 de Fevereiro de 1945, após o que partiu para Milão, onde se instalou, com a protecção do celebérrimo maestro italiano Vittorio de Sabata. Em 18 de Março de 1946, a comissão para a desnazificação ilibou-o de qualquer culpa nos crimes do regime derrotado, reassumindo Karajan a sua carreira e dando, nesse ano, o seu primeiro concerto pós-guerra com a Filarmónica de Viena. Dirigiu igualmente no Scala de Milão, apoiou a formação da Philharmonia Orchestra de Londres e regeu no Festival de Bayreuth em 1951 e 1952. Em 1955 foi nomeado director vitalício da Orquestra Filarmónica de Berlim, sucedendo a Wilhelm Furtwängler. De 1957 a 1964 foi director artístico da Ópera de Viena. Ao longo da sua carreira, dirigiu óperas e concertos em quase todos os grandes teatros do mundo. Em 1968 regeu dois memoráveis concertos no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.»


 


Júlio de Magalhães, Do Médio Oriente e Afins

5.1.12

MOZART



Mozart. Requiem. Herbert von Karajan. Wiener Philharmoniker. Wiener Singverein. Anna Tomowa-Sintow, Helga Müller Molinari, Vinson Cole, Paata Burchuladze. 1986.

MOZART



Mozart. Requiem. Herbert von Karajan. Wiener Philharmoniker. Wiener Singverein. Anna Tomowa-Sintow, Helga Müller Molinari, Vinson Cole, Paata Burchuladze. 1986.

30.10.11

GRANDEZA OU O ENSINO DA ALTURA



Estava aqui de volta de alguns livros e pego nas Crónicas no Fio do Horizonte, do Eduardo Prado Coelho. Reúne algumas crónicas do Público sob aquele título. Assisti à apresentação do livro (dia 7.10.04: sei-o porque foi no D. Maria e, a seguir, houve a estreia de No Papel da Vítima e o bilhete está dentro do livro) feita pelo José Manuel Fernandes, à altura director do jornal. Gosto muito deste pedaço que contrasta perfeitamente a grandeza declinada no clip com quase tudo (todos) o resto. «Michaux: "Sempre que a gente esquece o que são os homens, caímos na facilidade de lhes querer bem". Felizmente, há os ingénuos. São eles que nos ensinam a altura.»

GRANDEZA OU O ENSINO DA ALTURA



Estava aqui de volta de alguns livros e pego nas Crónicas no Fio do Horizonte, do Eduardo Prado Coelho. Reúne algumas crónicas do Público sob aquele título. Assisti à apresentação do livro (dia 7.10.04: sei-o porque foi no D. Maria e, a seguir, houve a estreia de No Papel da Vítima e o bilhete está dentro do livro) feita pelo José Manuel Fernandes, à altura director do jornal. Gosto muito deste pedaço que contrasta perfeitamente a grandeza declinada no clip com quase tudo (todos) o resto. «Michaux: "Sempre que a gente esquece o que são os homens, caímos na facilidade de lhes querer bem". Felizmente, há os ingénuos. São eles que nos ensinam a altura.»

9.8.10

DOIS GÉNIOS



Verdi, Il Trovatore. Callas,
Karajan. Teatro alla Scala.

DOIS GÉNIOS



Verdi, Il Trovatore. Callas,
Karajan. Teatro alla Scala.

9.5.10

GRANDEZA



MOZART, "DON GIOVANNI", Abertura. HERBERT VON KARAJAN, WIENER PHILHARMONIKER.

GRANDEZA



MOZART, "DON GIOVANNI", Abertura. HERBERT VON KARAJAN, WIENER PHILHARMONIKER.

2.5.10

VERDADEIRAS NOVAS OPORTUNIDADES



Herbert von Karajan dirige a Berliner Philarmoniker em Meditation, da ópera Thaïs, de Jules Massenet. Anne- Sophie Mutter, a solista, tinha então treze anos.

VERDADEIRAS NOVAS OPORTUNIDADES



Herbert von Karajan dirige a Berliner Philarmoniker em Meditation, da ópera Thaïs, de Jules Massenet. Anne- Sophie Mutter, a solista, tinha então treze anos.

7.2.10

«PER ME GIUNTO»



Este clip do Don Carlo, de Verdi, é uma homenagem à coragem, à amizade, à fidelidade e à fraternidade. É provável que não se entenda bem nos dias de hoje. Nenhuma delas. Piero Cappuccilli, José Carreras. Herbert von Karajan. Festival de Salzburgo. 1986.

«PER ME GIUNTO»



Este clip do Don Carlo, de Verdi, é uma homenagem à coragem, à amizade, à fidelidade e à fraternidade. É provável que não se entenda bem nos dias de hoje. Nenhuma delas. Piero Cappuccilli, José Carreras. Herbert von Karajan. Festival de Salzburgo. 1986.

30.9.09

ESTÁ TUDO AQUI





Verdi, Don Carlo. Ferruccio Furlanetto, Piero Cappuccilli. Festival de Salzburgo. Karajan, 1986

ESTÁ TUDO AQUI





Verdi, Don Carlo. Ferruccio Furlanetto, Piero Cappuccilli. Festival de Salzburgo. Karajan, 1986

16.9.09

"FIDELITAS"



Verdi, Don Carlo. José Carreras, Piero Capuccilli. Festival de Salzburgo. Herbert von Karajan.