31.10.12

500 anos da Capela Sistina




«Lucerna, lume, illuminare: tre parole del Vasari che non saranno state lontane dal cuore di chi era presente alla Celebrazione dei Vespri di quel 31 ottobre 1512. Ma non si tratta solo di luce che viene dal sapiente uso del colore ricco di contrasti, o dal movimento che anima il capolavoro michelangiolesco, ma dall’idea che percorre la grande volta: è la luce di Dio quella che illumina questi affreschi e l’intera Cappella Papale. Quella luce che con la sua potenza vince il caos e l’oscurità per donare vita: nella creazione e nella redenzione. E la Cappella Sistina narra questa storia di luce, di liberazione, di salvezza, parla del rapporto di Dio con l’umanità. Con la geniale volta di Michelangelo, lo sguardo viene spinto a ripercorrere il messaggio dei Profeti, a cui si aggiungono le Sibille pagane in attesa di Cristo, fino al principio di tutto: «In principio Dio creò il cielo e la terra» (Gen 1,1). Con un’intensità espressiva unica, il grande artista disegna il Dio Creatore, la sua azione, la sua potenza, per dire con evidenza che il mondo non è prodotto dell’oscurità, del caso, dell’assurdo, ma deriva da un’Intelligenza, da una Libertà, da un supremo atto di Amore. In quell’incontro tra il dito di Dio e quello dell’uomo, noi percepiamo il contatto tra il cielo e la terra; in Adamo Dio entra in una relazione nuova con la sua creazione, l’uomo è in diretto rapporto con Lui, è chiamato da Lui, è a immagine e somiglianza di Dio. Vent’anni dopo, nel Giudizio Universale, Michelangelo concluderà la grande parabola del cammino dell’umanità, spingendo lo sguardo al compimento di questa realtà del mondo e dell’uomo, all’incontro definitivo con il Cristo Giudice dei vivi e dei morti.»


 


Bento XVI

O embuste


 


O sr. Sá Fernandes, mais um profeta que entrou na CML para nossa eterna infelicidade (veja-se a irredemível estupidez dos circuitos das ciclovias), quer agora acabar com os graffiti em 2013. Entretanto, inventaram - a câmara - mais uma taxa, desta vez de conservação de esgotos, que acabei de pagar. Com a cidade permanentemente esventrada, suja, a cheiral mal, com um trânsito esquizofrénico, a "prioridade" deste alucinado é acabar com os graffiti e ajudar a inventar taxas (como se não bastasse o fatal IMI). Não haverá nenhum criativo que exiba este monumental embuste num graffiti inapagável?


 


Foto: streetfilles.org.

30.10.12

Uma boa notícia*



«Uma cidade é um mundo se amarmos um dos seus habitantes.»



*num único volume

O banqueiro político

O dr. Ulrich, ex-colunista e presidente de um banco, não cessa de emitir opinião política pública. Talvez lhe assista esse direito porque, por princípio, sou totalmente favorável à liberdade de expressão. Mas a profusão das intervenções do dr. Ulrich é tanta que conviria saber se ele prefere a política à banca ou vice-versa. Muitos indignaram-se (porventura com um módico de razão, embora o TC, no essencial, seja uma distinta emanação de escolhas político-partidárias, motivo pelo qual defendo uma secção específica no Supremo Tribunal de Justiça no lugar dela) porque o Tribunal Constitucional "interferiu" na esfera executiva  Mas não vejo ninguém "indignado" por um banqueiro privado perorar como se estivesse na vida política activa. Sei perfeitamente que ele vem da economia. Todavia sou dos que pensam que a economia é política ou não é. Sobretudo aquela "esfera" na qual Ulrich se move. Ele que se decida.

O "ponto cego"


 


Peço desculpa por não "comungar" do assunto do dia, o orçamento - graças à oracular figura do "legislador", temos um mês para o remoer antes de ser aprovado -. mas prefiro, nesta altura do campeonato, dar atenção aos meus amigos. Por isso chamo a atenção dos putativos leitores para a entrevista a Manuel Maria Carrilho (ainda é dos poucos que diz coisas interessantes e estimulantes em vez de passar o tempo a ruminar), mais logo na RTP Informação, pelas 21 horas, em directo. Numa entrevista recente ao Jornal de Letras, a propósito da obra Pensar o Mundo, Carrilho é certeiro quando enfatiza o "ponto cego" a que chegámos: «o que se verifica hoje, é que a “potência” deixou de acompanhar a liberdade, nós somos individualmente mais livres, mas também, colectivamente, mais impotentes. É de resto esta impotência que está no cerne da crise que hoje vivemos.» Está tudo dito.

29.10.12

Muitos idiotas


 


Cada vez é mais só disto por todo o lado. «As pessoas mudaram; tornaram-se hostis ou, no limite, perigosamente impessoais. Dou-me conta que talvez tenha mudado de tal forma que as vejo tal qual elas são, tal qual elas sempre foram. No entanto, é possível que aquilo em que reparei mais cedo fosse a realidade, e que o que observo agora seja uma distorção inteiramente privada dessa realidade embora, e de qualquer maneira, veja o que vejo: hostilidade e perigo. Tenho consciência que a minha posição é exagerada e que há gente inócua no mundo e, bem mais importante do que isso, muitos idiotas.» (Gore Vidal)

28.10.12

Um livro



«Tinha 15 anos quando o assassinato de um estudante, Ribeiro Santos, catalisou os sentimentos difusos de revolta que eu já sentia e me levou a tornar-me primeiro num activista das associações de estudantes, logo a seguir num militante radical. Durante os anos que se seguiram dei o melhor de mim, e praticamente todo o meu tempo, à causa da revolução social e política. Até que, ao entrar na maioridade, comecei a ter dúvidas. Depois das dúvidas, veio a refutação das falsas certezas, e à passagem dos 23 anos já compreendera a fatal ilusão em que me deixara envolver. Libertei-me então da ratoeira ideológica do marxismo e dessa sua declinação extrema, o maoismo. Este livro conta a história desses oito anos. » (José Manuel Fernandes, Era uma vez... a Revolução)

O enorme (Des)Acordo






Pensei o mesmo que o Eduardo quando li o artigo que ele digitalizou. «O Acordo Ortográfico, ao criar esta falsa noção de uniformidade, extremamente nefasta para o Português padrão, tem um resultado terrível para a tradução, porque enche o mercado português de instruções [a autora do artigo traduz manuais de instruções, de Inglês para Português, e interfaces do utilizador de equipamento médico] que quanto mais técnicas, mais incompreensíveis são.» Conviria ao novo secretário de Estado da Cultura reservar umas boas horas para pensar, ou repensar, isto.

Ainda não foi desta

Parece inverosímil mas acompanhei as jornadas parlamentares do PSD e do CDS pelos jornais e pelas televisões. Pouco, mas acompanhei o suficiente para sublinhar duas ou três coisas. A começar, as jornadas deviam ter constituído uma oportunidade para a maioria "crescer" para o país. Para além do Governo, a maioria podia ter convidado pessoas afins da maioria e outras tantas críticas dela e do Governo, em especial da proposta de orçamento para 2013. Para falar aos deputados e aos membros do Governo em ambiente de reflexão, sem a superficialidade do comentário de jornal ou de televisão. Os partidos da maioria optaram todavia por um registo mais "intimista" em que os seus deputados escutaram, um a um, os ministros e, por fim, o primeiro-ministro. Soube depois que o chefe do Governo introduziu na "agenda" o termo "refundação" (do memorando de entendimento). Não é este o lugar para tecer quaisquer considerações sobre isto. Apenas - e regresso imediatamente às jornadas - repito o que já escrevi aqui quando defendi a realização de uma espécie de "estados gerais da maioria", algo que estas jornadas estiveram muito longe de ser: A realidade é sempre mais rica e complexa do que qualquer "modelo" mais ou menos académico. E a política serve precisamente para debater isso - para prosseguir a conversa, e não para a fechar, que é uma bela ideia dos filósofos pragmatistas norte-americanos. Se alguma coisa boa resultou dos ruídos, falados ou silenciosos, dos últimos dias é que esta maioria democrática não é apologista do pensamento único. Encontrar-se consigo mesma, encontrar-se com o país e encontrar-se com alguns daqueles que, das esquerdas e das direitas ou independentes sem partido, possuem pensamento próprio, só pode fazer bem à coligação e ao governo. A maioria, parafraseando Harold Bloom, precisa libertar-se do jargão.Ainda não foi desta.