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15.4.10

UM MUNDO MENOS OPACO E HABITÁVEL?


«Desenha-se assim um novo imperativo: o de, como sugere G.Lipovetsky, civilizar a cultura-mundo. O que exige várias coisas: uma aposta na inteligência e na criatividade, concebidas sobretudo em termos de qualidade. Uma outra familiaridade com a história. Um paradigma completamente diferente de abordagem da escola e das suas missões. Um novo conceito e uma nova exigência em relação à cultura geral, que ajude a humanidade a "reconquistar um mundo menos opaco e mais habitável". É todo um programa, que foi agora retomado por G. Lipovetsky em L'Occident Mondialisé, o seu último livro. A traduzir, sem demoras.» Assim termina o artigo desta semana de Manuel Maria Carrilho. Mas, como é possível asssegurar todas estas apostas, civilizar a "cultura-mundo" e «reconquistar» um tempo, afinal, cada vez mais opaco e pavorosamente inabitável ?

8.4.10

DO CONTEMPORÂNEO


«Sermos contemporâneos do nosso próprio tempo é algo que parece fácil - mas não é. Tudo, de resto, o dificulta: as palavras que herdamos e aquelas que aprendemos dificilmente conseguem apanhar a proliferação de inovações que constantemente se nos oferecem. As histórias que nos contam e os conceitos que nos ensinam resistem mal ao embate com a realidade, cujos aspectos inesperados e insólitos se multiplicam. As imagens que nos cercam impõem um regime de fascínio generalizado, que prende tanto a atenção como bloqueia a compreensão - seja de personalidades, de acontecimentos ou de factos. De tudo isto resulta a generalizada desorientação do nosso tempo: ideologias, filosofias, religiões, todos os sistemas de referência se tornaram descartáveis, opcionais, deixando os indivíduos entregues ao culto mais ou menos narcísico de si próprios, fragilizados e atordoados face a um mundo que parece ter apenas um traço claro e constante - o da sua permanente mudança. É esta situação que conduz à conhecida polarização entre arcaicos e modernos, entre os que defendem todas as mudanças e os que as diabolizam sem excepção. Polarização que, contudo, se revela muitas vezes bem enganadora, como se vê na maior parte dos debates, nomeadamente nos televisivos: os opositores convergem com entusiasmo na incompreensão das mesmas coisas, a querela reduz-se à reacção subjectiva que elas lhes provocam. O foco no eu ("eu" é de resto a palavra que mais se ouve nessas ocasiões) substitui a atenção ao mundo, como se se tratasse de um mero jogo de compères... Para se ser contemporâneo do seu tempo, é preciso outra grelha, são precisas outras lentes, que cheguem ao detalhe dos factos sem perderem a perspectiva dos acontecimentos: numa palavra, é preciso combinar a atenção com o conhecimento, dois bens cada vez mais escassos.»


Manuel Maria Carrilho, DN

26.5.07

A BUSCA DA FELICIDADE


Kierkegaard contempla três estados para a nossa vida: o estado erótico, o estado ético e o estado religioso, por esta ordem. Devo andar entre o segundo e o terceiro. "The pursuit of happiness" é um velho objectivo, pessoal e colectivo. Por exemplo, Gore Vidal, logo nas primeiras páginas do primeiro livro de memórias, a propósito de uma paixão funesta (a única), explica por que nos devemos contentar com "satisfying lesser states, fragments" em vez de passar a vida a marrar em muros. "Where there is no desire or pursuit, there is no wholeness", diz o autor sem pingo de melancolia. Paciência. Em "Inventing a Nation", sobre os EUA, Vidal conta a história dos "founding fathers" que, na Declaração de Independência, colocaram "a busca da felicidade" entre os grandiosos propósitos da nova nação. Haverá povo mais contentinho, gorducho e satisfeito consigo mesmo que o americano? Nós por cá "dissertamos" sobre a felicidade e supomos, now and then, que somos felizes. Por isso, talvez valha a pena dar um salto à Culturgest, em Lisboa, entre o dia 31 e Maio e 2 de Junho. Nem todos os nomes são "apetecíveis". O tema é.