7.11.13

A comissão de honra

É meia-noite. Na sicn, o primeiro-ministro e mais uns quantos ministros posam ao lado do dr. Barroso, em Bruxelas, e dos seus comissários. Interesante antecipação de uma futura "comissão de honra" de uma eventual candidatura presidencial em 2016. Deve ter sido apenas para isso que lá foram. Ou então para pedir ao dr. Barroso que aceite ser o presidente emérito da "comissão de honra contra o Tribunal Constitucional". Seja lá o que for, estão muito bem uns para os outros.

6.11.13

A modéstia segundo Lomba

Há dias encontrei o Pedro Lomba na conferência de Jürgen Habermas na Gulbenkian. Fica muito melhor naqueles coisas do que a fazer de secretário de Estado. Isto apesar das saudades que deixou com os seus inesquecíveis briefings cujo lastro, todavia, recuperou em Coimbra. «O secretário de Estado Adjunto do ministro do Desenvolvimento Regional afirmou nesta quarta-feira que a possibilidade de os funcionários da administração pública reduzirem o horário de trabalho, embora surja num contexto de austeridade, é uma medida “amiga da família”. Segundo Pedro Lomba, esta possibilidade - contemplada no Orçamento de Estado para 2014 (OE2014) e que implica a respectiva redução salarial - é “um exemplo, não só em Portugal, mas também noutros países, de valorização do tempo de trabalho parcial” e é, por isso, uma medida que “é mais amiga da família, que é mais amiga da tranquilidade”.» Em matéria de acção comunicacional, para recorrer a um conhecido termo de Habermas, o Pedro é de uma originalidade extrema. Consegue aliar a tranquilidade familiar à diminuição dos rendimentos. É a modéstia segundo Lomba. E é o que há. 

Não há mapa-cor-de-rosa



Na apresentação do livro de Medeiros Ferreira, o autor explicou, num misto de ironia e de realismo, que pelo menos os servidores públicos e os pensionistas já estão a ser remunerados através de "outro" euro. Na verdade, estão a ser pagos em escudos que se designam, na língua de pau, por "corte" e "ajustamento". É o "regresso clandestino do escudo". O euro propriamente dito está reservado, por enquanto, para o sistema financeiro e afins. Não há mapa-cor-de rosa.

É da vida

«A verdade é que nós, por via da situação de tender a ter esse Estado social absorvente, tender a ter um Estado que visa absorver a sociedade numa dimensão que, a meu ver é exagerada, faz com que tenhamos uma tentação de um Estado totalitário, que cria as promiscuidades, que cria as clientelas, que cria as dependências», afirmou o dr. Aguiar-Branco. E não deixa de ter a sua razão. Todavia, o problema das "promiscuidades", das "clientelas" e das "dependências" coloca-se menos em relação ao "Estado social absorvente" (por natureza, se o Estado não for "social" serve para muito pouco) do que à "absorção" que é feita ao Estado por parte de coisas inteiramente privadas, e da "sociedade civil", como, por exemplo, os grandes escritórios da advocacia de negócios. Não vem no "guião" mas é da vida.

O segregador implacável

A "sinalização" do dr. Lima diz alguma coisa sobre o fabuloso dr. Lima e das saudades que já deve sentir da sua vida "privada". E diz principalmente tudo sobre o governante nacional que nunca será.

Um fracasso monumental

Se tivesse de escolher um monumento ao fracasso do Governo - o do "velho" e o do "novo ciclo" - ficava pela RTP. Não porque seja mais barato não edificar qualquer coisa de base. Pelo contrário. Tudo o que se gastou em dinheiro e em decência nos últimos anos com a RTP, na RTP, é, na realidade, monumental. E monumental para praticamente nada. Mas para que o fracasso seja um belo fracasso, deve tentar-se de novo e fracassar melhor como recomendava Beckett. Maduro suplantou Relvas no desastre (mea culpa na parte que me toca) e a "corporação RTP" suplantou a "reestruturação RTP". E o aumento da chamada "taxa" em 2014 para financiar este fracasso, ainda consegue suplantar tudo o mais. As pessoas que vieram de fora para dentro - a administração e o conselho fiscal, por exemplo - não só se deixaram capturar pelo fracasso como, em algumas circunstâncias, o agravaram, agindo ou por uma inércia complacente. A primeira e talvez única vez que ouvi Passos Coelho falar sobre a RTP, convenci-me que algum dia o fracasso seria atalhado. E que seria possível aproveitar o profissionalismo das mulheres e dos homens que asseguram o serviço público concessionado à empresa num modelo mais enxuto, menos estupidamente hierarquizado e amiguista e mais conforme com o que os públicos, da informação ao entretenimento e das diversas plataformas, esperam. Esperei sentado tal como as audiências. Um fracasso monumental.

5.11.13

A Europa vista por Medeiros Ferreira



Quem entregou o pedido de adesão desta "coisa em forma de assim" à Europa comunitária, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros do 1º Governo Constitucional,  foi Medeiros Ferreira. Quem, pois, melhor do que ele para escrever sobre uma aventura séria agora em transe?

A carta que se serve fria

O "milagre" do dr. Lima não chegou a durar uma semana. Por outro lado, a execução orçamental em curso, de acordo com Bruxelas, evidencia um gap de mais de oitocentos milhões de euros. O chamado "novo ciclo", inciado no dia 6 de Julho no Hotel Tivoli e abençoado duas semanas depois pelo Senhor Presidente da República, afunda-se mansamente às suas próprias mãos. E, decerto, não foi por falta de aviso. Por que é que não deram a devida atenção à carta do dr. Gaspar que, honra lhe seja feita, nunca vislumbrou "milagres" em lado algum?

O estranho mundo de Crato


 


O lamentável prof. Crato, como se não lhe bastassem as trapalhadas e a desilusão que semeou e persiste em semear nas escolas e nas universidades, também não quis deixar de dar um ar da sua graça (nenhuma) em relação a outras coisas. Segundo a notabilidade, os indígenas precisavam estar um ano sem comer e apenas a trabalhar para pagar a dívida. Ninguém lhe explicou que o que já há mais por aí é gente sem comer, a comer o que pode ou a comer o que não deve porque não tem condições para comer decentemente. Crato pelos vistos ignora a sociedade em que vive e que ele "ajuda" a moldar com a clarividência matemática de um búzio. Mas bastava-lhe descer à rua que supostamente também governa para se aperceber do estado da arte. Assim, limitou-se a abrir um pouco mais o leque da sua invisibilidade política e da sua irrelevância enquanto membro da "elite". Já se sabia, claro. Mas agora temos a certeza.


 


Foto: L' Obéissance est morte

"Guião" para um carácter






«O vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas, chegou quase duas horas atrasado a uma recepção organizada no passado domingo pelo consulado de Portugal em Macau para a comunidade portuguesa local, o que fez com que cerca de metade das pessoas que se encontravam presentes tenham abandonado o evento antes da sua chegada. A recepção estava marcada para as 21 horas, mas o vice-primeiro-ministro português entrou na sala da residência consular (ex-Hotel Bela Vista) quando já eram quase 23 horas. Entretanto, praticamente todos os convidados de etnia chinesa tinham já partido, expressando delicadamente o seu desagrado pela situação. “Todos sabemos como os chineses consideram este tipo de atraso como uma ofensa e uma falta de consideração”, explicou ao HM um empresário português há muito radicado na região. “É incompreensível esta atitude que basicamente tirou face à nossa comunidade. Uma vergonha! Inenarrável!”, concluiu.(...) Médicos, arquitectos, advogados, professores, engenheiros, jornalistas, profissionais de turismo e outras profissões, que constituem a estrutura fundamental da presença portuguesa em Macau, foram simplesmente ignorados num discurso que se limitou a citar os números por todos conhecidos das relações económicas e comerciais entre os dois países [ver caixa] e procurou, uma vez mais, vender as vantagens do investimento externo. “Provavelmente, ele pensa que nós não estamos informados sobre o desenvolvimento das relações entre a China e Portugal que não vemos televisão ou não lemos jornais”, comentou um dos presentes, que lamentou também a falta de referência à comunidade portuguesa de Macau. “Infelizmente, a vinda de representantes do Estado português redunda quase sempre nisto: na nossa perda de face e na necessidade de nos desculparmos perante os chineses por uma notória falta de chá. Mais valia que não pusessem cá os pés”, disse outro dos presentes ao HM, que sublinhou também o facto de Portas se apresentar na recepção sem gravata e de camisa aberta. “O vice-primeiro-ministro veio tornar mais difícil a missão do cônsul Vítor Sereno que já é em si mesma uma missão difícil, ao invés de o ajudar a projectar de forma positiva o bom nome de Portugal”, comentou ainda uma personalidade de destaque da comunidade portuguesa.»


 


Hoje Macau, HM