
Jaime Nogueira Pinto: «Há três características que levam os portugueses a admirá-lo, mesmo quando não gostam dele: era patriota - o bem do país, como o entendia, foi sempre o objectivo número um; era doentiamente escrupuloso com os dinheiros do Estado e seu uso; e tomava decisões, boas ou más, mas assumidas. Talvez a sua popularidade post mortem venha precisamente do contraste com a classe política desta III República de hoje, onde, curiosamente, alguns dos políticos bem sucedidos têm traços "salazaristas". Como ele, chegaram ao poder de repente, sem ter de fazer longa carreira, via-sacra ou caminho das pedras que vai do jantar com os banqueiros à romagem às bases da província; da revista dos notáveis ao cumprimentar, comprometer, negociar.


