21.11.09

AS ANTENAS DO REGIME

«Governo e organismos dependentes injectam dinheiro através da publicidade nos media que fazem favores e proporcionam formas de financiamento às empresas que alinham nos seus interesses, como se viu pelo dinheiro disponibilizado à OnGoing, para comprar parte da MediaCapital, pelo fundo de pensões da PT e por um banco mutualista, o Montepio, que não deveria, por norma, meter-se em negócios arriscados. O caso dos órgãos de informação da Controlinveste, como o DN, tornou-se compreensível aos menos atentos quando se conheceram conversas sobre ajudas ao "amigo Joaquim", isto é, Joaquim Oliveira. O caso da "notícia" do suposto e-mail, "notícia" que pode ter sido suficiente para garantir a vitória eleitoral ao PS, é o caso mais paradigmático da relação pornográfica entre alguns media e o centro nevrálgico do poder político. O grupo Controlinveste tem conhecidas dificuldades financeiras e quem, segundo a imprensa, renegociou a sua dívida no BCP foi Armando Vara, uma das pessoas mais próximas de Sócrates. Quanto à rádio do grupo, a TSF, escrevia sobre ela há dias, no blogue Corta-Fitas, António Figueira: "Uma estação de rádio que tem programas a meias/inspirados/pagos pelo IEFP, Igespar, Instituto do Desporto de Portugal (e se calhar outros; cito estes de memória) ganharia em chamar-se Antena 4; clarificava as coisas."»

Eduardo Cintra Torres, Público


«É preferível que as informações sejam passadas nos jornais, obrigados a códigos - cada vez menos rígidos, é certo - de deontologia, a serem divulgadas por um qualquer Miguel Abrantes deste Portugal.»

Tiago Moreira Ramalho, Expresso online

AS ANTENAS DO REGIME

«Governo e organismos dependentes injectam dinheiro através da publicidade nos media que fazem favores e proporcionam formas de financiamento às empresas que alinham nos seus interesses, como se viu pelo dinheiro disponibilizado à OnGoing, para comprar parte da MediaCapital, pelo fundo de pensões da PT e por um banco mutualista, o Montepio, que não deveria, por norma, meter-se em negócios arriscados. O caso dos órgãos de informação da Controlinveste, como o DN, tornou-se compreensível aos menos atentos quando se conheceram conversas sobre ajudas ao "amigo Joaquim", isto é, Joaquim Oliveira. O caso da "notícia" do suposto e-mail, "notícia" que pode ter sido suficiente para garantir a vitória eleitoral ao PS, é o caso mais paradigmático da relação pornográfica entre alguns media e o centro nevrálgico do poder político. O grupo Controlinveste tem conhecidas dificuldades financeiras e quem, segundo a imprensa, renegociou a sua dívida no BCP foi Armando Vara, uma das pessoas mais próximas de Sócrates. Quanto à rádio do grupo, a TSF, escrevia sobre ela há dias, no blogue Corta-Fitas, António Figueira: "Uma estação de rádio que tem programas a meias/inspirados/pagos pelo IEFP, Igespar, Instituto do Desporto de Portugal (e se calhar outros; cito estes de memória) ganharia em chamar-se Antena 4; clarificava as coisas."»

Eduardo Cintra Torres, Público


«É preferível que as informações sejam passadas nos jornais, obrigados a códigos - cada vez menos rígidos, é certo - de deontologia, a serem divulgadas por um qualquer Miguel Abrantes deste Portugal.»

Tiago Moreira Ramalho, Expresso online

O VERDADEIRO NOME DA EUROPA


Bismarck fundou, depois de um debate que venceu na velha Prússia e na diplomacia internacional de então, a Alemanha, unificando-a. Desde aí, a Alemanha e, mais tarde, a França passaram a dominar politicamente a Europa. A "ilha" nunca contou excessivamente. Seria, pois, impensável que ambas, apesar de "europeias" no sentido burocrático do termo, cedessem naquele controlo. A escolha de três anões políticos para os cargos honoríficos do Tratado de Lisboa - Barroso, uma ex-comissária trabalhista de Barroso feia como trovões e um irrelevante 1º ministro belga - revela que Sarkozy e Merckl dão razoavelmente bem conta do "eixo" franco-alemão, o verdadeiro nome da Europa.

Adenda: A título circense e porventura já a pensar no natal, o governo vai aproveitar as tendas montadas em Belém para a cimeira ibero-americana para "comemorar", na Torre de Belém, o Tratado de Lisboa. Portugal bimbo e periférico no seu melhor. Um país de eventos.

O VERDADEIRO NOME DA EUROPA


Bismarck fundou, depois de um debate que venceu na velha Prússia e na diplomacia internacional de então, a Alemanha, unificando-a. Desde aí, a Alemanha e, mais tarde, a França passaram a dominar politicamente a Europa. A "ilha" nunca contou excessivamente. Seria, pois, impensável que ambas, apesar de "europeias" no sentido burocrático do termo, cedessem naquele controlo. A escolha de três anões políticos para os cargos honoríficos do Tratado de Lisboa - Barroso, uma ex-comissária trabalhista de Barroso feia como trovões e um irrelevante 1º ministro belga - revela que Sarkozy e Merckl dão razoavelmente bem conta do "eixo" franco-alemão, o verdadeiro nome da Europa.

Adenda: A título circense e porventura já a pensar no natal, o governo vai aproveitar as tendas montadas em Belém para a cimeira ibero-americana para "comemorar", na Torre de Belém, o Tratado de Lisboa. Portugal bimbo e periférico no seu melhor. Um país de eventos.

AGUENTEM-SE

Aguiar-Branco, o maravilhoso líder parlamentar do PSD, tem uma "agenda" dele que nada tem a ver com ser líder parlamentar do PSD. Num jornal, ele assume que contactou a LPM, uma agência de comunicação, para enfiar os seus deputados nas redes sociais. Noutro jornal, a LPM diz que não só não vai fazer isso como não trabalha para o governo, uma "insinuação" de Pacheco Pereira em argumento contra o seu líder. Tudo visto e ponderado, e depois da primeira exibição a pretexto dos professores, Aguiar- Branco foi bem recusado em prol de Paulo Rangel na outra legislatura. Agora aguentem-se.

AGUENTEM-SE

Aguiar-Branco, o maravilhoso líder parlamentar do PSD, tem uma "agenda" dele que nada tem a ver com ser líder parlamentar do PSD. Num jornal, ele assume que contactou a LPM, uma agência de comunicação, para enfiar os seus deputados nas redes sociais. Noutro jornal, a LPM diz que não só não vai fazer isso como não trabalha para o governo, uma "insinuação" de Pacheco Pereira em argumento contra o seu líder. Tudo visto e ponderado, e depois da primeira exibição a pretexto dos professores, Aguiar- Branco foi bem recusado em prol de Paulo Rangel na outra legislatura. Agora aguentem-se.

COSTA E A "ESPIONAGEM"

Passou despercebida - mas o intérprete autêntico do programa poderá infirmar isto - a conclusão que António Costa tirou, na Quadratura do Círculo, da tirada da "espionagem política" do actual ministro da economia, o seu camarada Vieira da Silva. Costa, que já foi ministro da justiça, defendeu que em nenhuma circunstância um membro do governo se deve referir a outras instituições nos termos em que Vieira da Silva se referiu. E que, se isso acontecer, quem o faz deve tirar as devidas ilações. Costa não foi ao ponto de exigir a cabeça de Silva - porque sabe quem é que o mandou dizer aquilo - mas era isso que queria, pelo menos, dizer. Apesar das audiências, a Quadratura é, afinal, mais inconsequente do que uma entrevista de Portas a Margarida Marante noutra encarnação.

COSTA E A "ESPIONAGEM"

Passou despercebida - mas o intérprete autêntico do programa poderá infirmar isto - a conclusão que António Costa tirou, na Quadratura do Círculo, da tirada da "espionagem política" do actual ministro da economia, o seu camarada Vieira da Silva. Costa, que já foi ministro da justiça, defendeu que em nenhuma circunstância um membro do governo se deve referir a outras instituições nos termos em que Vieira da Silva se referiu. E que, se isso acontecer, quem o faz deve tirar as devidas ilações. Costa não foi ao ponto de exigir a cabeça de Silva - porque sabe quem é que o mandou dizer aquilo - mas era isso que queria, pelo menos, dizer. Apesar das audiências, a Quadratura é, afinal, mais inconsequente do que uma entrevista de Portas a Margarida Marante noutra encarnação.

FACES E DESOCULTAÇÕES

Há quase um mês, quando alguém "desocultou" o processo com origem em negócios de sucata, escrevi aqui que «independentemente do que penso de Vara, se me perguntassem se é verosímil um tipo destes "sujar-se" por dez mil euros, diria que não.» Ontem, ao almoço, um amigo sugeriu a minha complacência para com Vara. É nenhuma. Ou a mesma que tenho desde 2001 e a que exprimi, no caso em apreço, no post citado. Todavia, a não ser a título de voyeurismo doentio, para quê revelar os rendimentos do homem na capa de um jornal? E se ainda não cumpriu as obrigações declarativas fiscais relativas a 2008, como seguramente muitos contribuintes o não fizeram, não existem "mecanismos" automáticos que instauram processos de contra-ordenação? A avaliação política disto tudo é uma coisa. O "piorismo" deliberado é outro. Para isso já basta a novela jurídico-mexicana em curso.

FACES E DESOCULTAÇÕES

Há quase um mês, quando alguém "desocultou" o processo com origem em negócios de sucata, escrevi aqui que «independentemente do que penso de Vara, se me perguntassem se é verosímil um tipo destes "sujar-se" por dez mil euros, diria que não.» Ontem, ao almoço, um amigo sugeriu a minha complacência para com Vara. É nenhuma. Ou a mesma que tenho desde 2001 e a que exprimi, no caso em apreço, no post citado. Todavia, a não ser a título de voyeurismo doentio, para quê revelar os rendimentos do homem na capa de um jornal? E se ainda não cumpriu as obrigações declarativas fiscais relativas a 2008, como seguramente muitos contribuintes o não fizeram, não existem "mecanismos" automáticos que instauram processos de contra-ordenação? A avaliação política disto tudo é uma coisa. O "piorismo" deliberado é outro. Para isso já basta a novela jurídico-mexicana em curso.