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5.3.13

A Morte vital



De repente, entre tagarelas e bola, bola e tagarelas, dou pelo canal TCM onde passa Morte em Veneza, de Visconti. Por muito que o tempo passe pelo filme, há um tempo que não sai do filme. Existe uma espécie de eternidade vital naquela Morte, uma eternidade que, aliada à prosa de Thomas Mann, é porventura incompreensível ao "som" da chamada "modernidade". Visconti, porém, não precisa dos "modernos" para nada porque, famosamente, nunca foi outra coisa no seu realismo excessivo, no seu classicismo exigente, no seu traço tão italiano quanto cosmopolita nos filmes ou na ópera. Tinha mundo e era do mundo. Morte em Veneza confronta a inevitabilidade da decadência física com o escândalo da juventude e da beleza. Tadzio representa uma certa ideia do belo infinito e intangível. Noutro registo, e anos depois da novela de Mann, Genet escreveria sobre a impossibilidade de "tocar" a beleza ("ne permettez pas que je vous touche car on ne doit pas toucher la beauté") associando essa impossibilidade, também, à morte. Visconti, na tela, foi o percursor definitivo dessa impossibilidade. Ninguém fez melhor.