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16.3.11

ENCONTROS COM BOLAÑO



Estive a ler o livrinho da foto. "Passei" algumas das perguntas longuíssimas e presunçosas dos entrevistadores porque representam, tipicamente, aquele convencimento literato com que embirro à cabeça. Parece que eles é que são os escritores e que o escritor entrevistado se limita a "completar" as suas deambulações. Bolaño revela a sua ironia e praticamente nenhuma amargura por saber limitada (fisicamente) a sua vida (morreria escassas semanas ou dias após a derradeira entrevista do livro). Gostei particularmente das referências a Kafka (à "moralidade" de Kafka) e a Céline. É "correcto" - e Bolaño não escapou à "correcção" - etiquetar Céline como um grande escritor mas como um homem detestável. Mas, e Bolaño sublinha-o, os bons sentimentos nunca fizeram necessariamente a melhor literatura. Se méritos este livrinho de entrevistas tem, um deles é levar a ler Bolaño sem a vã pretensão de lhe erguer imediatamente uma estátua. E fazer com que os seus leitores procurem um poeta chileno de quem ele gostava muito, Nicanor Parra, uma presença constante em todas as entrevistas. «Du silence avant toute chose/ et tout le reste est musique/ moderniste.»


Adenda: E Jorge Costa - que "lê" muito bem a situação portuguesa - leu este Mark Twain.