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10.7.09

LIVROS COM PIMENTOS NA BRASA


Já tardava uma prosa. Tem Mónica a mais e Flaubert a menos. «Um dia, Blanchot perguntou e respondeu: «Para onde vai a literatura? Vai direita a si mesma (…) direita à sua essência, que é a sua desaparição.» Ora o meu livro preferido é próximo da ideia de Blanchot: «Bouvard et Pécuchet». Um livro sobre a cópia que contém a cópia que contém a cópia e em que dois patetas estão permanentemente enredados numa questão de fundo que não tem fundo mas convencidos que no fundo, esse fundo existe e até se explica. É um livro sobre a linguagem? É sobre tudo, sobre nós e eles. Oh, é muito sobre nós que dizemos e escrevemos «eles». Diz-se: Bouvard et Pécuchet, obra-prima de ironia, claro que sim, mas o principal é aquela inutilidade toda, acumulada, um caminho idiota, ou antes, sem ponta por onde se lhe pegue.» Toma lá, então, da Duras e antes dos pimentos assados: «Vous y allez tout droit à la solitude. Moi, non, j'ai les livres.»

Adenda: Uma sugestão de leitura aqui.

LIVROS COM PIMENTOS NA BRASA


Já tardava uma prosa. Tem Mónica a mais e Flaubert a menos. «Um dia, Blanchot perguntou e respondeu: «Para onde vai a literatura? Vai direita a si mesma (…) direita à sua essência, que é a sua desaparição.» Ora o meu livro preferido é próximo da ideia de Blanchot: «Bouvard et Pécuchet». Um livro sobre a cópia que contém a cópia que contém a cópia e em que dois patetas estão permanentemente enredados numa questão de fundo que não tem fundo mas convencidos que no fundo, esse fundo existe e até se explica. É um livro sobre a linguagem? É sobre tudo, sobre nós e eles. Oh, é muito sobre nós que dizemos e escrevemos «eles». Diz-se: Bouvard et Pécuchet, obra-prima de ironia, claro que sim, mas o principal é aquela inutilidade toda, acumulada, um caminho idiota, ou antes, sem ponta por onde se lhe pegue.» Toma lá, então, da Duras e antes dos pimentos assados: «Vous y allez tout droit à la solitude. Moi, non, j'ai les livres.»

Adenda: Uma sugestão de leitura aqui.

3.2.08

"BOVARYSER"

O terror dos verdadeiros amantes dos livros: tornar, na web, um romance ilegível justamente para (não) ser lido. «Quant aux autres, je les défie de lire Madame Bovary en ligne plus de cinq minutes… Et rendre un tel roman illisible, c’est aussi une prouesse. Il est vrai que ce n’a peut-être pas été mis en ligne pour être lu. Ce qui s’appelle lu.»

"BOVARYSER"

O terror dos verdadeiros amantes dos livros: tornar, na web, um romance ilegível justamente para (não) ser lido. «Quant aux autres, je les défie de lire Madame Bovary en ligne plus de cinq minutes… Et rendre un tel roman illisible, c’est aussi une prouesse. Il est vrai que ce n’a peut-être pas été mis en ligne pour être lu. Ce qui s’appelle lu.»