22.6.07

C.C. BERARDO


Aos poucos, o comendador Berardo - faz ele muito bem - vai comprando o que resta do que foi Portugal. Sugeria-lhe que, em vez de um banco com a marca "Benfica" (consta que o Benfica, que é uma nação, vai ser dele, no que consegue ser mais feliz que o país que o pariu que já nem a isso ressuma), adquirisse o próprio Banco de Portugal, o Parlamento, o governo e meia dúzia de autarquias. Para já, Berardo - depois de Belmiro de Azevedo se ter muito legitimamente colocado nas tintas para isto que passa por um país - é imperador no esterco, rei dos patos-bravos e cobridor garboso do regime. Basta passar pelo CCB, o ex-libris do "cavaquismo", para se perceber que Berardo é a verdadeira bandeira nacional. Colocou Isabel Pires de Lima e o Estado eternamente presos à figura de um camelo graças ao "negócio" com a sua colecção de pintura. Se eu fosse a ele, exigia a mudança do nome do equipamento dirigido pelo comissário Mega, o 17º da lista Costa, para o verdadeiro: centro comendador Berardo, CCB. Como diria Salazar, às voltas no túmulo raso, está muito bem assim e não podia ser de outra maneira.

C.C. BERARDO


Aos poucos, o comendador Berardo - faz ele muito bem - vai comprando o que resta do que foi Portugal. Sugeria-lhe que, em vez de um banco com a marca "Benfica" (consta que o Benfica, que é uma nação, vai ser dele, no que consegue ser mais feliz que o país que o pariu que já nem a isso ressuma), adquirisse o próprio Banco de Portugal, o Parlamento, o governo e meia dúzia de autarquias. Para já, Berardo - depois de Belmiro de Azevedo se ter muito legitimamente colocado nas tintas para isto que passa por um país - é imperador no esterco, rei dos patos-bravos e cobridor garboso do regime. Basta passar pelo CCB, o ex-libris do "cavaquismo", para se perceber que Berardo é a verdadeira bandeira nacional. Colocou Isabel Pires de Lima e o Estado eternamente presos à figura de um camelo graças ao "negócio" com a sua colecção de pintura. Se eu fosse a ele, exigia a mudança do nome do equipamento dirigido pelo comissário Mega, o 17º da lista Costa, para o verdadeiro: centro comendador Berardo, CCB. Como diria Salazar, às voltas no túmulo raso, está muito bem assim e não podia ser de outra maneira.

SINAIS DOS TEMPOS

Nem um veterinário num canil seria tão lacónico, seco e indiferente como Correia de Campos, em conferência de imprensa, acerca da isenção de taxas moderadoras para as abortadeiras. Aliás, a sua eloquência foi ao ponto de equiparar tal isenção no SNS àquela que é concedida a grávidas. Se há matéria em que a desobediência civil é bem-vinda, é esta. Se Correia de Campos, as suas abortadeiras pratico-teóricas amestradas e as frustradas de sucesso são o "sinal dos tempos", então eu prefiro continuar anacrónico, misógino, reaccionário e, sobretudo, impiedoso.

SINAIS DOS TEMPOS

Nem um veterinário num canil seria tão lacónico, seco e indiferente como Correia de Campos, em conferência de imprensa, acerca da isenção de taxas moderadoras para as abortadeiras. Aliás, a sua eloquência foi ao ponto de equiparar tal isenção no SNS àquela que é concedida a grávidas. Se há matéria em que a desobediência civil é bem-vinda, é esta. Se Correia de Campos, as suas abortadeiras pratico-teóricas amestradas e as frustradas de sucesso são o "sinal dos tempos", então eu prefiro continuar anacrónico, misógino, reaccionário e, sobretudo, impiedoso.

21.6.07

FAZER DE CONTA


Hoje é o dia mais longo do ano e, de acordo com os calendários - não com o calor - começa o Verão. Os meus meses mais amados são o precedente e este. Não dei praticamente por eles. Nada ajudou. O tempo, as pessoas, as circunstâncias. Eu. Há oito anos estava em Paris e observei que a luz solar entrava longamente pela noite adentro. E que andar pelas ruas sem destino estava próximo de um estado quase pueril de felicidade. Há sete, estava em El Salvador e aí o dia terminava a meio da tarde, por entre vidros fumados e paredes invioláveis com arame farpado. A zona "chique" de Salvador apenas permitia circular assim, de casa a casa, de hotel a casa, de casa a hotel ou restaurante. De então para cá, o meu nomadismo solar diminuiu. Por tabela, eu encolhi como ser humano. Encolhi e encalhei. Deixei de descolar para parte alguma. Talvez o rapazito de Havana, que me veio pedir dinheiro e que eu recusei, tivesse razão. "Tu não és mau, estás apenas amargurado", resumiu ele, numa frase, a vida inteira de um desconhecido. Fixei-me, pois, como amargo residente. Acabo o dia mais longo na Casa Fernando Pessoa e comove-me que um tipo de trinta anos como o João Pereira Coutinho, sempre tão radiante na sua brilhante melancolia, fale como ele escreve e escreva como ele fala. A Folha de São Paulo tem uma tradição autoral que faz de qualquer um dos nossos melhores jornais - não estou a ironizar - parecer papel de embrulho. Não era assim que eu imaginava o dia mais longo, porém foi aquela meia dúzia de palavras de apresentação de um livro que me recordou o melhor do Verão, o melhor de mim mesmo entretanto desaparecido. Na solidão mais prolongada do pc da qual já não se regressa de lado algum, ficam as palavras do João, na Folha, escritas um dia destes. "Montaigne sabia que só há uma coisa pior do que caminhar para o fim. É fazer de conta que ainda estamos no princípio."

FAZER DE CONTA


Hoje é o dia mais longo do ano e, de acordo com os calendários - não com o calor - começa o Verão. Os meus meses mais amados são o precedente e este. Não dei praticamente por eles. Nada ajudou. O tempo, as pessoas, as circunstâncias. Eu. Há oito anos estava em Paris e observei que a luz solar entrava longamente pela noite adentro. E que andar pelas ruas sem destino estava próximo de um estado quase pueril de felicidade. Há sete, estava em El Salvador e aí o dia terminava a meio da tarde, por entre vidros fumados e paredes invioláveis com arame farpado. A zona "chique" de Salvador apenas permitia circular assim, de casa a casa, de hotel a casa, de casa a hotel ou restaurante. De então para cá, o meu nomadismo solar diminuiu. Por tabela, eu encolhi como ser humano. Encolhi e encalhei. Deixei de descolar para parte alguma. Talvez o rapazito de Havana, que me veio pedir dinheiro e que eu recusei, tivesse razão. "Tu não és mau, estás apenas amargurado", resumiu ele, numa frase, a vida inteira de um desconhecido. Fixei-me, pois, como amargo residente. Acabo o dia mais longo na Casa Fernando Pessoa e comove-me que um tipo de trinta anos como o João Pereira Coutinho, sempre tão radiante na sua brilhante melancolia, fale como ele escreve e escreva como ele fala. A Folha de São Paulo tem uma tradição autoral que faz de qualquer um dos nossos melhores jornais - não estou a ironizar - parecer papel de embrulho. Não era assim que eu imaginava o dia mais longo, porém foi aquela meia dúzia de palavras de apresentação de um livro que me recordou o melhor do Verão, o melhor de mim mesmo entretanto desaparecido. Na solidão mais prolongada do pc da qual já não se regressa de lado algum, ficam as palavras do João, na Folha, escritas um dia destes. "Montaigne sabia que só há uma coisa pior do que caminhar para o fim. É fazer de conta que ainda estamos no princípio."

AS FOLHAS DA FOLHA


Logo, às 18h30, Otávio Frias Filho, o director do jornal Folha de São Paulo , estará na Casa Fernando Pessoa para falar do seu livro Queda Livre (edição A Palavra), com apresentação de João Pereira Coutinho. A Folha de São Paulo sempre teve boas relações connosco. Lembro Victor Cunha Rego e lembro-me das dezenas de Folhas que li no Semanário por causa dele. E o Pereira Coutinho é como a brigada da salada. É quase, quase perfeito. Só tem uma coisinha chamada João Carlos Espada.

AS FOLHAS DA FOLHA


Logo, às 18h30, Otávio Frias Filho, o director do jornal Folha de São Paulo , estará na Casa Fernando Pessoa para falar do seu livro Queda Livre (edição A Palavra), com apresentação de João Pereira Coutinho. A Folha de São Paulo sempre teve boas relações connosco. Lembro Victor Cunha Rego e lembro-me das dezenas de Folhas que li no Semanário por causa dele. E o Pereira Coutinho é como a brigada da salada. É quase, quase perfeito. Só tem uma coisinha chamada João Carlos Espada.

COISAS DE ABORTOS

Não existem desfibrilhadores mas, em compensação, existem abortadores em barda. Sempre as "prioridades", sempre, coisa típica de periféricos a armar ao sofisticado. De abortos, em suma.

COISAS DE ABORTOS

Não existem desfibrilhadores mas, em compensação, existem abortadores em barda. Sempre as "prioridades", sempre, coisa típica de periféricos a armar ao sofisticado. De abortos, em suma.