23.10.06

OS DIREITOS DE TODOS


O Luís Grave Rodrigues, com toda a legitimidade que lhe advém de ser advogado de causas "fracturantes" - a propósito, como é que está a correr aquele processo das duas meninas que se querem casar? -, dá-me uma valente zurzidela por causa deste post. Esclareço-o, desde já, que aplico a expressão "maricas" a muitas coisas, sem quaisquer intuitos ofensivos. Para não ferir susceptibilidades, troco-a por outra: questões "moles" e questões "duras". Para mim, que não nutro pelo instituto jurídico do casamento qualquer simpatia, discutir se dois same sexers podem ou não casar-se, é uma questão "mole". A instituição matrimonial, a avaliar pelas estatísticas, está em decadência e, por mais voltas que se dê, não foi concebido para pessoas do mesmo sexo. O resto é espectáculo nas televisões e recursos inúteis. Diferentemente, e o Eduardo Pitta já explicou isso bem, não vejo por que não hão-de ser tuteladas juridicamente situações de facto, ou criado um novo status jurídico, para comunhões de vida entre essas pessoas. Esta, sim, é a questão "dura". É, aliás o que diz a "octogenária" e "preconceituosa" Agustina: "todos devem ter os mesmos direitos, mas para isso não é preciso falar de casamento". E, Luís, não seja tão lesto a passar atestados de homofobia a quem não pensa como V., nem imagine, por um segundo, que eu sou "deslumbrado" por quaisquer resultados de sondagens. Se acompanha o que escrevo, acha, sinceramente, que eu me deixo "deslumbrar" com facilidade? Ou que sou homofóbico? Um amigo meu, numa resposta a um daqueles inquéritos patetas de verão, ao lhe ser perguntado o que pensava da homossexualidade, respondeu com uma frase de Almada Negreiros que lhe recomendo para as suas "causas fracturantes": "não te metas na vida alheia se não quiseres lá ficar". Ou então outra, gravada numa t-shirt que vi em Greenwich Village: "homophobia means uncertainty about being heterosexual". Ora, garanto-lhe, Luís, se há coisa que eu não tenho nesta matéria é incertezas. Deixe-se, por isso, de catalogar tão levianamente os outros e respeite os direitos de todos.

OS DIREITOS DE TODOS


O Luís Grave Rodrigues, com toda a legitimidade que lhe advém de ser advogado de causas "fracturantes" - a propósito, como é que está a correr aquele processo das duas meninas que se querem casar? -, dá-me uma valente zurzidela por causa deste post. Esclareço-o, desde já, que aplico a expressão "maricas" a muitas coisas, sem quaisquer intuitos ofensivos. Para não ferir susceptibilidades, troco-a por outra: questões "moles" e questões "duras". Para mim, que não nutro pelo instituto jurídico do casamento qualquer simpatia, discutir se dois same sexers podem ou não casar-se, é uma questão "mole". A instituição matrimonial, a avaliar pelas estatísticas, está em decadência e, por mais voltas que se dê, não foi concebido para pessoas do mesmo sexo. O resto é espectáculo nas televisões e recursos inúteis. Diferentemente, e o Eduardo Pitta já explicou isso bem, não vejo por que não hão-de ser tuteladas juridicamente situações de facto, ou criado um novo status jurídico, para comunhões de vida entre essas pessoas. Esta, sim, é a questão "dura". É, aliás o que diz a "octogenária" e "preconceituosa" Agustina: "todos devem ter os mesmos direitos, mas para isso não é preciso falar de casamento". E, Luís, não seja tão lesto a passar atestados de homofobia a quem não pensa como V., nem imagine, por um segundo, que eu sou "deslumbrado" por quaisquer resultados de sondagens. Se acompanha o que escrevo, acha, sinceramente, que eu me deixo "deslumbrar" com facilidade? Ou que sou homofóbico? Um amigo meu, numa resposta a um daqueles inquéritos patetas de verão, ao lhe ser perguntado o que pensava da homossexualidade, respondeu com uma frase de Almada Negreiros que lhe recomendo para as suas "causas fracturantes": "não te metas na vida alheia se não quiseres lá ficar". Ou então outra, gravada numa t-shirt que vi em Greenwich Village: "homophobia means uncertainty about being heterosexual". Ora, garanto-lhe, Luís, se há coisa que eu não tenho nesta matéria é incertezas. Deixe-se, por isso, de catalogar tão levianamente os outros e respeite os direitos de todos.

22.10.06

CANTANDO E RINDO


"O Governo produz diariamente "agenda" que ocupa tempo dos jornalistas - não lhes permitindo investigar outras coisas - e espaço e tempo nos conteúdos mediáticos. Para conseguir a eficácia deste agendamento - isto é, o controle da importância hierárquica das notícias - o Governo necessita de controlar a marcação da cobertura e atenção mediáticas. Noutro Governo, Jorge Coelho fazia-o através da TSF. Agora, a Lusa é, neste domínio, de capital importância. Controlar a agenda pela Lusa pode significar a inundação dos outros media com informação governamental, deixando de fora acontecimentos previstos que não interessa ao executivo noticiar. "

in "As técnicas da nova propaganda -I", de Eduardo Cintra Torres, in Público


Vim da rua com o cão e começava o "telejornal" da 2:. Apesar de discreto, seguiu à risca o guião. O secretário-geral do PS e primeiro-ministro numa acção partidária nos Açores, a que se seguiu o senhor ministro da Saúde, como, aliás, já tinha acontecido às 20, com o "telejornal" da RTP-1. A diferença é que, em vez dos Açores, era, se não erro, Mangualde. Na 1, a coisa alongou-se através de Luís Filipe Meneses, o "aliado" social-democrata da estratégia informativa do governo. Ele quer palco, a propaganda oficial dá-lhe palco contra Mendes, como lhe compete. No meio da confusão desta semana, passou despercebida mais uma demissão na Lusa. Como diria o outro, lá vamos cantando e rindo.

CANTANDO E RINDO


"O Governo produz diariamente "agenda" que ocupa tempo dos jornalistas - não lhes permitindo investigar outras coisas - e espaço e tempo nos conteúdos mediáticos. Para conseguir a eficácia deste agendamento - isto é, o controle da importância hierárquica das notícias - o Governo necessita de controlar a marcação da cobertura e atenção mediáticas. Noutro Governo, Jorge Coelho fazia-o através da TSF. Agora, a Lusa é, neste domínio, de capital importância. Controlar a agenda pela Lusa pode significar a inundação dos outros media com informação governamental, deixando de fora acontecimentos previstos que não interessa ao executivo noticiar. "

in "As técnicas da nova propaganda -I", de Eduardo Cintra Torres, in Público


Vim da rua com o cão e começava o "telejornal" da 2:. Apesar de discreto, seguiu à risca o guião. O secretário-geral do PS e primeiro-ministro numa acção partidária nos Açores, a que se seguiu o senhor ministro da Saúde, como, aliás, já tinha acontecido às 20, com o "telejornal" da RTP-1. A diferença é que, em vez dos Açores, era, se não erro, Mangualde. Na 1, a coisa alongou-se através de Luís Filipe Meneses, o "aliado" social-democrata da estratégia informativa do governo. Ele quer palco, a propaganda oficial dá-lhe palco contra Mendes, como lhe compete. No meio da confusão desta semana, passou despercebida mais uma demissão na Lusa. Como diria o outro, lá vamos cantando e rindo.

A PERGUNTA VIRGULINA - 2

Para ajudar a responder a esta pergunta - sem demagogias, arcaísmos, moralismos, machismos, feminismos, e, sobretudo, sem nenhum temor reverencial para com o politicamente correcto, o relativismo e a chantagem jurídico-emotiva - abriu-se este blogue. Somos, graças a Deus, muito diferentes em relação a muitas coisas. E livres. Justamente por isso, podemos estar unidos no essencial: na negativa com que respondemos a essa pergunta. Por motivos diversos que lá irão, a seu tempo, aparecendo.

A PERGUNTA VIRGULINA - 2

Para ajudar a responder a esta pergunta - sem demagogias, arcaísmos, moralismos, machismos, feminismos, e, sobretudo, sem nenhum temor reverencial para com o politicamente correcto, o relativismo e a chantagem jurídico-emotiva - abriu-se este blogue. Somos, graças a Deus, muito diferentes em relação a muitas coisas. E livres. Justamente por isso, podemos estar unidos no essencial: na negativa com que respondemos a essa pergunta. Por motivos diversos que lá irão, a seu tempo, aparecendo.

O MÉTODO E OS PROTAGONISTAS

O Orçamento de 2007 vai ficar na história desta maioria como a primeira cavadela na respectiva sepultura. E não, não é por causa do irrelevante Manuel Alegre ou dos "lapsos" em certas rubricas. É tão simplesmente porque, embora haja coisas inadiáveis e indispensáveis para serem feitas, o método e alguns protagonistas do método, não dão confiança nem a um morto.

O MÉTODO E OS PROTAGONISTAS

O Orçamento de 2007 vai ficar na história desta maioria como a primeira cavadela na respectiva sepultura. E não, não é por causa do irrelevante Manuel Alegre ou dos "lapsos" em certas rubricas. É tão simplesmente porque, embora haja coisas inadiáveis e indispensáveis para serem feitas, o método e alguns protagonistas do método, não dão confiança nem a um morto.

O ESTALINISMO DEMOCRÁTICO

Por causa desta entrevista ao DN, Nuno Gaioso Ribeiro, que eu não conheço de lado nenhum, e que é o "número dois" do PS na Câmara Municipal de Lisboa, viu retirada a "confiança política" por parte da eterna concelhia de Lisboa do partido, presidida por esse dinossauro que dá pelo nome de Miguel Coelho. Ele é dinossauro, não por causa da idade (é novo), mas por causa da cabeça (velhíssima e caciqueira). Isto tudo porque Gaioso pôs em causa o "trabalho político" desse modelo de vereador virtuoso que tem sido Manuel Maria Carrilho. Para além de - acrescenta Coelho -ser um "vaidoso", o que certamente aprendeu com o "número um" por quem Coelho nunca morreu de amores. Agora, exige a demissão de Gaioso. No PC, estas coisas têm a ver com algo a que eles chamam "centralismo democrático" e a que eu chamo estalinismo "democrático". Lá por ser da "esquerda moderna", não me ocorre melhor designação para o método de Coelho.

O ESTALINISMO DEMOCRÁTICO

Por causa desta entrevista ao DN, Nuno Gaioso Ribeiro, que eu não conheço de lado nenhum, e que é o "número dois" do PS na Câmara Municipal de Lisboa, viu retirada a "confiança política" por parte da eterna concelhia de Lisboa do partido, presidida por esse dinossauro que dá pelo nome de Miguel Coelho. Ele é dinossauro, não por causa da idade (é novo), mas por causa da cabeça (velhíssima e caciqueira). Isto tudo porque Gaioso pôs em causa o "trabalho político" desse modelo de vereador virtuoso que tem sido Manuel Maria Carrilho. Para além de - acrescenta Coelho -ser um "vaidoso", o que certamente aprendeu com o "número um" por quem Coelho nunca morreu de amores. Agora, exige a demissão de Gaioso. No PC, estas coisas têm a ver com algo a que eles chamam "centralismo democrático" e a que eu chamo estalinismo "democrático". Lá por ser da "esquerda moderna", não me ocorre melhor designação para o método de Coelho.