10.12.03

O VERDADEIRO DÉFICE II

Sem mais comentários, e com a devida vénia, peço emprestado ao Crítico um pedaço da sua prosa, para, relativamente a um sector cultural que prezo particularmente, continuar a reflexão de ontem. Percebi igualmente que há um "debate" interessante em torno destas "coisas", metendo o "liberal algarvio" e o Bde, uns "bloguistas da esquerda".

Respondo já ao jaquinzinhos. Se pretende que a ópera acabe em Portugal, tente fazer a coisa apenas com dinheiro do público, com bilhetes ao custo real: qualquer coisa como cento e vinte cento e trinta contos o bilhete, ou tente arrajar mecenas nos matarruanos (a maioria) dos empresários portugueses, liberais (inconscientes de o serem) na maioria.
Em nenhum país da UE se encontra ópera sem ser subsidiada. Faz parte de um património demasiado caro para se perder. É também uma forma de cultura demasiado cara para se manter por si. Chamem-lhe um anacronismo, mas sem dinheiro de todos nós acabaria. E não se pense que serve só alguns, de facto serve directamente muito poucos, deveria servir muitos mais, concordo inteiramente.
O que é facto é que manter um teatro nacional de ópera ou teatros nacionais ou uma companhia nacional de bailado ou orquestras nacionais, por exemplo, gera um capital incomparável, uma reserva cultural que a ser perdida representaria um atraso tremendo nas nossas capacidades culturais e no património de todos os portugueses, mesmo dos empresários de táxis que não querem pagar impostos.
Urge reformar, urge gerir melhor, mas nunca deixar de subsidiar antes de criar públicos e mecenas e isso leva gerações a ser feito. Quem decide? Todos, foi o modelo sufragado e legitimado em eleições. Se o povo quiser outro sistema votará em quem acabe com os impostos e os subsídios às artes e à cultura.
E já pensou o Jaquinzinhos no património edificado e museológico? A quem compete a sua conservação e restauro? A quem compete, maioritariamente, a sua propriedade? Aos privados ou ao estado? Mas se não há público para pagar as visitas aos monumentos, como privatizá-los? No modelo liberal o que não dá lucro deverá apodrecer?
E sobre a cultura: prefiro que se subsidie a cultura eterna, o que está provado que tem qualidade, como é óbvio. Não para elites fixas e enquistadas, mas tendo como alvo a formação de elites culturais a partir de toda a população. Chamem-me utópico e sonhador mas eu creio que o audiovisual, tem para mim, um alcance que deveria ser aproveitado para essa formação alargada de elites.
O incentivo aos novos criadores também deve ser função do estado. Sobretudo em áreas onde não existe espaço para afirmação por falta de indústria privada. Exemplo: o cinema. Depois de formado o público, trabalho de gerações, espera-se que haja espaço para se irem acabando os financiamentos estatais. Mas se acabam hoje, voltamos à idade da pedra.

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O VERDADEIRO DÉFICE II

Sem mais comentários, e com a devida vénia, peço emprestado ao Crítico um pedaço da sua prosa, para, relativamente a um sector cultural que prezo particularmente, continuar a reflexão de ontem. Percebi igualmente que há um "debate" interessante em torno destas "coisas", metendo o "liberal algarvio" e o Bde, uns "bloguistas da esquerda".

Respondo já ao jaquinzinhos. Se pretende que a ópera acabe em Portugal, tente fazer a coisa apenas com dinheiro do público, com bilhetes ao custo real: qualquer coisa como cento e vinte cento e trinta contos o bilhete, ou tente arrajar mecenas nos matarruanos (a maioria) dos empresários portugueses, liberais (inconscientes de o serem) na maioria.
Em nenhum país da UE se encontra ópera sem ser subsidiada. Faz parte de um património demasiado caro para se perder. É também uma forma de cultura demasiado cara para se manter por si. Chamem-lhe um anacronismo, mas sem dinheiro de todos nós acabaria. E não se pense que serve só alguns, de facto serve directamente muito poucos, deveria servir muitos mais, concordo inteiramente.
O que é facto é que manter um teatro nacional de ópera ou teatros nacionais ou uma companhia nacional de bailado ou orquestras nacionais, por exemplo, gera um capital incomparável, uma reserva cultural que a ser perdida representaria um atraso tremendo nas nossas capacidades culturais e no património de todos os portugueses, mesmo dos empresários de táxis que não querem pagar impostos.
Urge reformar, urge gerir melhor, mas nunca deixar de subsidiar antes de criar públicos e mecenas e isso leva gerações a ser feito. Quem decide? Todos, foi o modelo sufragado e legitimado em eleições. Se o povo quiser outro sistema votará em quem acabe com os impostos e os subsídios às artes e à cultura.
E já pensou o Jaquinzinhos no património edificado e museológico? A quem compete a sua conservação e restauro? A quem compete, maioritariamente, a sua propriedade? Aos privados ou ao estado? Mas se não há público para pagar as visitas aos monumentos, como privatizá-los? No modelo liberal o que não dá lucro deverá apodrecer?
E sobre a cultura: prefiro que se subsidie a cultura eterna, o que está provado que tem qualidade, como é óbvio. Não para elites fixas e enquistadas, mas tendo como alvo a formação de elites culturais a partir de toda a população. Chamem-me utópico e sonhador mas eu creio que o audiovisual, tem para mim, um alcance que deveria ser aproveitado para essa formação alargada de elites.
O incentivo aos novos criadores também deve ser função do estado. Sobretudo em áreas onde não existe espaço para afirmação por falta de indústria privada. Exemplo: o cinema. Depois de formado o público, trabalho de gerações, espera-se que haja espaço para se irem acabando os financiamentos estatais. Mas se acabam hoje, voltamos à idade da pedra.

9.12.03

O VERDADEIRO DÉFICE


Na edição de 8 de Dezembro do jornal Público, vinha uma "sondagem" sobre os hábitos culturais dos portugueses, particularmente desde o Verão. Ficou-se a saber que mais de metade dos inquiridos não tinha lido um livro, um pobre dum livro, desde os idos do calor. Perguntava-se também se tinham ido ao cinema, ou a qualquer outro espectáculo de música ou dança, e as respostas foram invariavelmente desoladoras. Em termos de avaliação da "política cultural" do Governo, a coisa não melhora por comparação com a prestação socialista, e apenas 10% dos inquiridos se comprazem com o Dr. Roseta e com o Dr. Amaral Lopes. Estes dados estiveram em debate, à noite, na RTP, num programa onde se discutia o "estado da cultura". Do que disse Pedro Roseta, ficam em arquivo dois momentos. Um primeiro, no qual o Ministro da Cultura justificou a sua quase invisibilidade política com o argumento de que o importante não é o mensageiro, mas antes a mensagem. E a mensagem - dizia ele - é para ser captada no longo prazo, que ele não é homem para repentes e rupturas drásticas. Foi assim que Roseta consagrou, pelas suas próprias palavras, a apoteose do vazio que é a "política" dita "cultural" deste Governo, duplamente desprovida de "mensagem" e de "mensageiro". Num segundo momento, e confrontado com a séria hipótese de a colecção de arte contemporânea de Joe Berardo ir parar além fronteiras, uma vez que por cá anda encaixotada e sem espaço próprio para estar exposta como devia, percebeu-se que Roseta não tinha a mínima ideia do que fazer com a situação. Quando olho para os dados da sondagem que referi, quando ouço o Ministro da Cultura do meu País e finalmente quando penso neste episódio com a importante e única colecção Berardo, não posso deixar de me sentir inquieto e frustrado. Inquieto, pela displicência negligente com que o português médio encara o fenómeno dito "cultural" que, em qualquer canto civilizado deste mundo, é considerado um bem de primeira necessidade. E frustrado por ver que os poderes públicos, ora impotentes, ora ignorantes - categoria onde não cabe o Dr. Pedro Roseta, o que torna a questão mais grave -, se resignam a aceitar a "cultura" como o "resto" a que, sem qualquer tipo de sofisticação, não dão qualquer importância. É a flor na lapela de que falava Carrilho, ou um bom lenço no bolso do casaco apenas, um ornamento mais na moda. Mergulhados até ao pescoço nas desventuras da "contabilidade nacional", esquecemos que este "resto que é tudo" constitui, na verdade, o nosso verdadeiro défice.

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O VERDADEIRO DÉFICE

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<b>O VERDADEIRO DÉFICE</b><br /><br /> <img src="http://www.portembassy.gla.ac.uk/graphics/mincultreg.gif" border="0"<br /><br />Na edição de 8 de Dezembro do jornal <b>Público</b>, vinha uma "sondagem" sobre os hábitos culturais dos portugueses, particularmente desde o Verão. Ficou-se a saber que mais de metade dos inquiridos não tinha lido um livro, um pobre dum livro, desde os idos do calor. Perguntava-se também se tinham ido ao cinema, ou a qualquer outro espectáculo de música ou dança, e as respostas foram invariavelmente desoladoras. Em termos de avaliação da "política cultural" do Governo, a coisa não melhora por comparação com a prestação socialista, e apenas 10% dos inquiridos se comprazem com o Dr. Roseta e com o Dr. Amaral Lopes. Estes dados estiveram em debate, à noite, na RTP, num programa onde se discutia o "estado da cultura". Do que disse Pedro Roseta, ficam em arquivo dois momentos. Um primeiro, no qual o Ministro da Cultura justificou a sua quase invisibilidade política com o argumento de que o importante não é o mensageiro, mas antes a mensagem. E a mensagem - dizia ele - é para ser captada no longo prazo, que ele não é homem para repentes e rupturas drásticas. Foi assim que Roseta consagrou, pelas suas próprias palavras, a apoteose do vazio que é a "política" dita "cultural" deste Governo, duplamente desprovida de "mensagem" e de "mensageiro". Num segundo momento, e confrontado com a séria hipótese de a colecção de arte contemporânea de Joe Berardo ir parar além fronteiras, uma vez que por cá anda encaixotada e sem espaço próprio para estar exposta como devia, percebeu-se que Roseta não tinha a mínima ideia do que fazer com a situação. Quando olho para os dados da sondagem que referi, quando ouço o Ministro da Cultura do meu País e finalmente quando penso neste episódio com a importante e única colecção Berardo, não posso deixar de me sentir inquieto e frustrado. Inquieto, pela displicência negligente com que o português médio encara o fenómeno dito "cultural" que, em qualquer canto civilizado deste mundo, é considerado um bem de primeira necessidade. E frustrado por ver que os poderes públicos, ora impotentes, ora ignorantes - categoria onde não cabe o Dr. Pedro Roseta, o que torna a questão mais grave -, se resignam a aceitar a "cultura" como o "resto" a que, sem qualquer tipo de sofisticação, não dão qualquer importância. É a flor na lapela de que falava Carrilho, ou um bom lenço no bolso do casaco apenas, um ornamento mais na moda. Mergulhados até ao pescoço nas desventuras da "contabilidade nacional", esquecemos que este "resto que é tudo" constitui, na verdade, o nosso verdadeiro défice.

João Gonçalves

Jurista. Mau jurista.


Leitor mais do que razoável.


Escreve algumas coisas sobretudo sobre as desventuras nacionais.


Não se leva excessivamente a sério e muito menos os outros.


Aprecia um bom vinho, uma boa ópera e um bom banho de mar.


Não gosta de restaurantes barulhentos com crianças a berrar. Grandes ou pequenas.


Lamenta ter nascido num país com pouca gente crescida.

8.12.03

MAIS WAGNER...


Talvez por vivermos curiosos tempos crepusculares, ao contrário do que nos prometem os profetas do optimismo antropológico, lembrei-me de sugerir mais "dvds" wagnerianos. Desta vez recomendo o monumental e indispensável, para os verdadeiros amantes da música e dos textos de Richard Wagner, Der Ring des Nibelungen, nas versões de Pierre Boulez/Patrice Chéreau e de James Levine/Otto Schenk. Já aqui contei a "história" do Anel, vista por mim, naturalmente.Quem pode não deixar de se sentir atraído pelo seu pathos , esta longa jornada de Wotan e dos seus deuses/homens para a perdição e o abismo ?


James Morris, o Wotan de Levine/Schenk



Gwyneth Jones, a Brünnhilde de Boulez/Chéreau









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MAIS WAGNER...

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<b>MAIS WAGNER...</b><br /><br /><img src="http://www.richard-wagner.de/bilder/wagner1.jpg" border="0"<br /><br />Talvez por vivermos curiosos tempos crepusculares, ao contrário do que nos prometem os profetas do optimismo antropológico, lembrei-me de sugerir mais "dvds" wagnerianos. Desta vez recomendo o monumental e indispensável, para os verdadeiros amantes da música e dos textos de Richard Wagner, <b>Der Ring des Nibelungen</b>, nas versões de Pierre Boulez/Patrice Chéreau e de James Levine/Otto Schenk. Já aqui contei a "história" do <b>Anel</b>, vista por mim, naturalmente.Quem pode não deixar de se sentir atraído pelo seu <i> pathos</i> , esta longa jornada de Wotan e dos seus deuses/homens para a perdição e o abismo ?<br /><br /><img src="http://www.sr.se/p2/opera/images/sxp2nibe.jpg" border="0" <br /> <br /> James Morris, o Wotan de Levine/Schenk<br /><br /><br /> <img src="http://www.parterre.com/gjbrun1.jpg" border="0"<br /><br /> Gwyneth Jones, a Brünnhilde de Boulez/Chéreau<br /><br /><br /><br /><img src="http://images.amazon.com/images/P/B00005OATQ.01.LZZZZZZZ.jpg" border="0"<br /><br /><br /><br /><br /> <img src="http://images.amazon.com/images/P/B00006L9ZT.01.LZZZZZZZ.jpg" border="0"<br /><br /><br />

7.12.03

BANALIZAR O MAL

Com este tempo indigente, vê-se mais televisão. Um fim de semana alargado não promete grandes notícias, e os telejornais repetem à exaustão os mesmos temas. Como se costuma dizer, não é por muito madrugar que amanhece mais cedo. Já dá praticamente para saber de cor os episódios da investigação jornalística em torno da pedofilia nos Açores, com as habituais vozes distorcidas e as imagens desfocadas. Nem o responsável local da PJ se poupou a aparecer vezes sem conta. Durante a semana, é raro o dia em que não é notícia um flagrante de um abusador sexual de menores ou uma ida a tribunal de um pedófilo de província. Será que bruscamente se descobriu que o País "doce" do Doutor Salazar é, afinal, um amontoado oculto de perversos e de tarados, escondidos por detrás de uma moita ou de uma confortável posição institucional? A violência sexual contra menores sempre existiu e começa, tantas vezes, por perto. Na família, na "querida família" do Natal, o pai, o padrasto, o tio, o irmão mais velho, o primo ou o vizinho criminosos, ganham o silêncio por causa da familiaridade insuspeita e da respeitabilidade geral indiscutível. Esta pedofilia "caseira" é menos sensacionalista do que a outra, mas porventura mais violenta e mais tenebrosa. Com esta peripécia permanente em torno da "pedofilia que dá notícia", onde se explora o lado voyeurista que há em cada um de nós, as televisões e os jornais não estão apenas a estimular julgamentos antecipados, nos cafés, nos passeios, de par com a divulgação cirúrgica das confusas e (para a "opinião pública") aparentemente contraditórias decisões judiciais dos processos em curso. Estão também - o que é bem pior - a banalizar o mal.

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BANALIZAR O MAL

Com este tempo indigente, vê-se mais televisão. Um fim de semana alargado não promete grandes notícias, e os telejornais repetem à exaustão os mesmos temas. Como se costuma dizer, não é por muito madrugar que amanhece mais cedo. Já dá praticamente para saber de cor os episódios da investigação jornalística em torno da pedofilia nos Açores, com as habituais vozes distorcidas e as imagens desfocadas. Nem o responsável local da PJ se poupou a aparecer vezes sem conta. Durante a semana, é raro o dia em que não é notícia um flagrante de um abusador sexual de menores ou uma ida a tribunal de um pedófilo de província. Será que bruscamente se descobriu que o País "doce" do Doutor Salazar é, afinal, um amontoado oculto de perversos e de tarados, escondidos por detrás de uma moita ou de uma confortável posição institucional? A violência sexual contra menores sempre existiu e começa, tantas vezes, por perto. Na família, na "querida família" do Natal, o pai, o padrasto, o tio, o irmão mais velho, o primo ou o vizinho criminosos, ganham o silêncio por causa da familiaridade insuspeita e da respeitabilidade geral indiscutível. Esta pedofilia "caseira" é menos sensacionalista do que a outra, mas porventura mais violenta e mais tenebrosa. Com esta peripécia permanente em torno da "pedofilia que dá notícia", onde se explora o lado voyeurista que há em cada um de nós, as televisões e os jornais não estão apenas a estimular julgamentos antecipados, nos cafés, nos passeios, de par com a divulgação cirúrgica das confusas e (para a "opinião pública") aparentemente contraditórias decisões judiciais dos processos em curso. Estão também - o que é bem pior - a banalizar o mal.

6.12.03

WAGNER


Nos primórdios deste blogue, e na sequência de espectáculos a que assisti em Barcelona, Teatro Liceo, escrevi umas coisas sobre Der Ring des Nibelungen, e sobre Richard Wagner. Na Culturgest, para encerrar a temporada de Outono do São Carlos, anda-se, desde a semana passada, a servir o Tristan und Isolde em "doses" suaves, repartidas por três distintas sessões, em versão de concerto, e tantas quantos os actos. Como não me posso pronunciar sobre o exercício que não vi, reenvio os interessados para o Crítico que a tudo tem assistido, chamando a atenção para as recomendações discográficas que lá aparecem. Com a emergência dos "dvd's", e para quem tenha aparelhagens compatíveis, tipo "home theater", limito-me a sugerir três gravações. A primeira dirigida por Karl Böhm, gravada em Orange, a 7 de Julho de 1973, com a Orquestra Nacional da ORTF e o New Philarmonia Chorus, com a seguinte distribuição:


Isolde - Birgit Nilsson
Tristan - Jon Vickers
King Marke - Bengt Rundgren
Kurwenal - Walter Berry
Brangäne - Ruth Hesse
Melot- Stanley Unruh. A segunda tem Zubin Mehta à frente da Bavarian State Opera Orchestra and Chorus, com:
Tristan-Jon Fredric West
Isolde-Waltraud Meier
Brangäne-Mariana Lipovsek
King Marke-Kurt Moll
Kurwena-Bernd Weikl.
Melot-Claes H. Ahnsio. E finalmente, com Jiri Kout a dirigir a Orquestra e o Coro da Deutschen Oper Berlin, René Kollo como Tristan, Gwyneth Jones como Isolde e Hanna Schwarz como Brangäne.