9.10.04

JACQUES DERRIDA


Jacques Derrida, 1930-2004


Naquela que viria a ser a sua última entrevista ao Le Monde, Jacques Derrida dizia estar em luta contra si próprio. Isto passou-se em Agosto e hoje, segundo os seus próximos, desapareceu sem sofrimento após um combate perdido e inglório contra uma doença fatal. Derrida é um grande pensador do nosso tempo e foi uma das maiores figuras da filosofia francesa e mundial. Há anos, num pequeno texto, apelava a "mais um esforço" por parte dos cosmopolitas de todo o mundo, propósito que reafirmou naquela entrevista. Oxalá esta derradeira lição "derridiana" sirva para qualquer coisa neste mundo apenas "globalizado" no papel e nas televisões por satélite.

JACQUES DERRIDA


Jacques Derrida, 1930-2004


Naquela que viria a ser a sua última entrevista ao Le Monde, Jacques Derrida dizia estar em luta contra si próprio. Isto passou-se em Agosto e hoje, segundo os seus próximos, desapareceu sem sofrimento após um combate perdido e inglório contra uma doença fatal. Derrida é um grande pensador do nosso tempo e foi uma das maiores figuras da filosofia francesa e mundial. Há anos, num pequeno texto, apelava a "mais um esforço" por parte dos cosmopolitas de todo o mundo, propósito que reafirmou naquela entrevista. Oxalá esta derradeira lição "derridiana" sirva para qualquer coisa neste mundo apenas "globalizado" no papel e nas televisões por satélite.

QUALIDADE DE VIDA

Estive a ler, no Crítico, "O criativo de factos políticos". O Henrique Silveira, na sua visão aristocrático-estética da existência, pune vigorosamente a "democracia" pelo tipo de elites que engendra. Eu lembro-lhe, e nunca me canso de o fazer, que no "pacote democrático" cabem forçosamente muitas coisas. Quem o "compra" sabe que tem de "gramar", por igual, personagens viciosas e duvidosas juntamente com beneméritos honestos e honrados cidadãos que pagam estupidamente os seus impostos. A partir de certa altura, o "pacote" já quase só inclui "interesses". Estes podem variar entre os da porteira do prédio até aos do último grande grupo económico. Quem mais tem, mais disfruta do "pacote". E tudo é, por essência, comercializável. A "Quinta das Celebridades", da TVI, tem pelo menos a virtude de juntar o "pacote" à bosta, usando como "by-pass" um autarca eleito e um boneco andrógino. Segundo os "shares", milhões de portugueses não perdem este sublime cócó. Apesar de tudo, a paisagem ficou mais pobre. Durante quatro anos, na mesma TVI, Marcelo fez de oráculo dos costumes democráticos, futebol incluído. Sempre divertido e insinuante, ora mentiroso, ora verdadeiro, Marcelo é demasiado cínico e demasiado livre para que os donos do "pacote" o aguentassem por muito mais tempo. Para mais, era "popular", coisa que os populistas não suportam. Sempre correu sozinho da mesma forma que é assim que gosta de mergulhar nas frescas ondas do Guincho ou no mar mais tranquilo de Cascais. A seu tempo, no tempo dele, obviamente falará. Embora não pareça, só tenho estado para aqui a falar de sintomas da "qualidade de vida" da nossa democracia, a propósito do proselitismo do Henrique Silveira. E se falo dela é porque não a sinto.

QUALIDADE DE VIDA

Estive a ler, no Crítico, "O criativo de factos políticos". O Henrique Silveira, na sua visão aristocrático-estética da existência, pune vigorosamente a "democracia" pelo tipo de elites que engendra. Eu lembro-lhe, e nunca me canso de o fazer, que no "pacote democrático" cabem forçosamente muitas coisas. Quem o "compra" sabe que tem de "gramar", por igual, personagens viciosas e duvidosas juntamente com beneméritos honestos e honrados cidadãos que pagam estupidamente os seus impostos. A partir de certa altura, o "pacote" já quase só inclui "interesses". Estes podem variar entre os da porteira do prédio até aos do último grande grupo económico. Quem mais tem, mais disfruta do "pacote". E tudo é, por essência, comercializável. A "Quinta das Celebridades", da TVI, tem pelo menos a virtude de juntar o "pacote" à bosta, usando como "by-pass" um autarca eleito e um boneco andrógino. Segundo os "shares", milhões de portugueses não perdem este sublime cócó. Apesar de tudo, a paisagem ficou mais pobre. Durante quatro anos, na mesma TVI, Marcelo fez de oráculo dos costumes democráticos, futebol incluído. Sempre divertido e insinuante, ora mentiroso, ora verdadeiro, Marcelo é demasiado cínico e demasiado livre para que os donos do "pacote" o aguentassem por muito mais tempo. Para mais, era "popular", coisa que os populistas não suportam. Sempre correu sozinho da mesma forma que é assim que gosta de mergulhar nas frescas ondas do Guincho ou no mar mais tranquilo de Cascais. A seu tempo, no tempo dele, obviamente falará. Embora não pareça, só tenho estado para aqui a falar de sintomas da "qualidade de vida" da nossa democracia, a propósito do proselitismo do Henrique Silveira. E se falo dela é porque não a sinto.

A RAZÃO DA NOSSA PERMANÊNCIA

Veja-se como este texto de Luiz Pacheco, de 1959, inserido no livro Figuras, Figurantes e Figurões, editado pelo O Independente, podia ter sido escrito hoje:
(...) Também a nossa verdade, isto é, as nossas convicções (éticas, estéticas, políticas, etc.) apenas se podem demonstrar, afirmar, exemplarmente, em actos, tenham eles as consequências que tiverem, sejam eles incómodos, blasfemos, agressivos à verdade dos outros, percutindo-se na crítica e na polémica e individualizando-se nelas. E não esquecendo-nos de nós próprios, quer dizer, submetendo-nos a verdades impostas de fora - ou de cima. (...) se tudo nos prova, agora e aqui, que o autêntico convívio resulta de nos pronunciarmos como somos, rigorosamente pessoais, cruelmente duros para os hesitantes e para os oportunistas (que são a maioria), sem respeitos humanos nem silêncios falaciosos; se a convivência só é honrada por uma fecunda polémica, pela lealdade dos termos em que esta for posta, na mútua consideração que, mau grado adversários, se dedicam aqueles que sabem lutar e viver por uma (sua) verdade - como poderemos acreditar nessa outra convivência possível em que nada mais descobrimos senão um pretexto, uma escusa espertalhona para a nossa inutilidade e para a nossa submissão conformista ? A POLÉMICA É A RAZÃO DA NOSSA PERMANÊNCIA.

A RAZÃO DA NOSSA PERMANÊNCIA

Veja-se como este texto de Luiz Pacheco, de 1959, inserido no livro Figuras, Figurantes e Figurões, editado pelo O Independente, podia ter sido escrito hoje:
(...) Também a nossa verdade, isto é, as nossas convicções (éticas, estéticas, políticas, etc.) apenas se podem demonstrar, afirmar, exemplarmente, em actos, tenham eles as consequências que tiverem, sejam eles incómodos, blasfemos, agressivos à verdade dos outros, percutindo-se na crítica e na polémica e individualizando-se nelas. E não esquecendo-nos de nós próprios, quer dizer, submetendo-nos a verdades impostas de fora - ou de cima. (...) se tudo nos prova, agora e aqui, que o autêntico convívio resulta de nos pronunciarmos como somos, rigorosamente pessoais, cruelmente duros para os hesitantes e para os oportunistas (que são a maioria), sem respeitos humanos nem silêncios falaciosos; se a convivência só é honrada por uma fecunda polémica, pela lealdade dos termos em que esta for posta, na mútua consideração que, mau grado adversários, se dedicam aqueles que sabem lutar e viver por uma (sua) verdade - como poderemos acreditar nessa outra convivência possível em que nada mais descobrimos senão um pretexto, uma escusa espertalhona para a nossa inutilidade e para a nossa submissão conformista ? A POLÉMICA É A RAZÃO DA NOSSA PERMANÊNCIA.

CORRESPONDÊNCIA

1. Acerca do "mal geral", do leitor Marco Faria:
(...)Politicamente, não me identifico com muitas das opiniões expressas [aqui]. E discordo delas, porque simplesmente o meu ângulo de visão permite-me conhecer numa outra perspectiva os factos e as pessoas. Há coisas que estão mal neste país, sem dúvida. Só que, por vezes, não conseguimos sequer vislumbrar os seus obreiros. Não sejamos redutores em pensar que o mal de todas coisas reside nos políticos. Apenas uma parte é da responsabilidade dos eleitos. A outra cabe aos grandes actores das sociedades contemporâneas (os media, por exemplo, só para citar um meio que conheço com algum pormenor). Estudei durante alguns anos comunicação social (e trabalhei também no meio) para perceber que há muita roupa suja nos media. Hoje, estudo Direito (mas não penso trabalhar na área) e após um ano de contacto com as primeiras noções, já deu para compreender que o que ensinam nas escolas de leis – e na Clássica, particularmente - são ficções e balelas (não há, nem sequer é admitido, pensamento crítico). Sabe o que está na sebenta e eu dir-te-ei quem és.(...)
2. Acerca do Teatro Nacional de São Carlos, do leitor Vitor José:
(...) Em relação a lei orgânica que referiu [a do TNSC] ela é um nado morto. Foi esquecida. Ninguém dentro da instituição orienta-se por ela, mesmo as tentativas para introduzi-la acabaram por promover no núcleo duro do Teatro uma energia geradora de mais expedientes por forma a contornar essas directrizes. Montra do fracasso foi a criação de um sector de aquisições que se revelou, nos moldes realizados, um disparate, foi paulatinamente sendo engolido, sendo hoje uma vaga lembrança. A dita lei orgânica enferma da sua inadequação à instituição em causa e na sua implantação não foi acompanhada politicamente, sendo o pecado maior deste diploma a soberba que ele encerra. É aceitável que com a nossa realidade académica se ignore de forma rude a área de gestão e de recursos humanos, entregando uma Instituição com centenas de funcionários e um orçamento de milhões de contos a alguém formado e com carreira em musicologia? Pretendia-se não subjugar a vertente cultural à vertente da gestão. O caminho apontado resultou de uma forma pragmática na natural ascensão dos sub-directores da área financeira para efectivos directores da Instituição, cria-se um embate funcional e pessoal, com ondas sísmicas de repercussão em toda a estrutura, estimula-se os feudos alimentados pela aparição de uma eminência parda. Observe a realidade, quase todos os directores entram em conflito ou são naturalmente engolidos quer no São Carlos quer nas outras instituições onde vigoram estas regras. Não se resume a um problema de incompatibilidade humana é isso sim uma inadequação efectiva entre a função e as características para essa função, de forma menos prosaica, neste modelo, o director é obviamente incompetente. Esta é uma questão angular na organização Teatral, o relacionamento funcional entre a orientação artística e a orientação pessoal e financeira.(...)

CORRESPONDÊNCIA

1. Acerca do "mal geral", do leitor Marco Faria:
(...)Politicamente, não me identifico com muitas das opiniões expressas [aqui]. E discordo delas, porque simplesmente o meu ângulo de visão permite-me conhecer numa outra perspectiva os factos e as pessoas. Há coisas que estão mal neste país, sem dúvida. Só que, por vezes, não conseguimos sequer vislumbrar os seus obreiros. Não sejamos redutores em pensar que o mal de todas coisas reside nos políticos. Apenas uma parte é da responsabilidade dos eleitos. A outra cabe aos grandes actores das sociedades contemporâneas (os media, por exemplo, só para citar um meio que conheço com algum pormenor). Estudei durante alguns anos comunicação social (e trabalhei também no meio) para perceber que há muita roupa suja nos media. Hoje, estudo Direito (mas não penso trabalhar na área) e após um ano de contacto com as primeiras noções, já deu para compreender que o que ensinam nas escolas de leis – e na Clássica, particularmente - são ficções e balelas (não há, nem sequer é admitido, pensamento crítico). Sabe o que está na sebenta e eu dir-te-ei quem és.(...)
2. Acerca do Teatro Nacional de São Carlos, do leitor Vitor José:
(...) Em relação a lei orgânica que referiu [a do TNSC] ela é um nado morto. Foi esquecida. Ninguém dentro da instituição orienta-se por ela, mesmo as tentativas para introduzi-la acabaram por promover no núcleo duro do Teatro uma energia geradora de mais expedientes por forma a contornar essas directrizes. Montra do fracasso foi a criação de um sector de aquisições que se revelou, nos moldes realizados, um disparate, foi paulatinamente sendo engolido, sendo hoje uma vaga lembrança. A dita lei orgânica enferma da sua inadequação à instituição em causa e na sua implantação não foi acompanhada politicamente, sendo o pecado maior deste diploma a soberba que ele encerra. É aceitável que com a nossa realidade académica se ignore de forma rude a área de gestão e de recursos humanos, entregando uma Instituição com centenas de funcionários e um orçamento de milhões de contos a alguém formado e com carreira em musicologia? Pretendia-se não subjugar a vertente cultural à vertente da gestão. O caminho apontado resultou de uma forma pragmática na natural ascensão dos sub-directores da área financeira para efectivos directores da Instituição, cria-se um embate funcional e pessoal, com ondas sísmicas de repercussão em toda a estrutura, estimula-se os feudos alimentados pela aparição de uma eminência parda. Observe a realidade, quase todos os directores entram em conflito ou são naturalmente engolidos quer no São Carlos quer nas outras instituições onde vigoram estas regras. Não se resume a um problema de incompatibilidade humana é isso sim uma inadequação efectiva entre a função e as características para essa função, de forma menos prosaica, neste modelo, o director é obviamente incompetente. Esta é uma questão angular na organização Teatral, o relacionamento funcional entre a orientação artística e a orientação pessoal e financeira.(...)

8.10.04

JÁ PERCEBERAM?

Já repararam que o PP está calado que nem um rato - a diatribe sobre "relações laborais" do Sr. Pires de Lima não conta - enquanto que no PSD, por entre silêncios, excitações e muito boas razões, vão-se abrindo fendas? Ontem o Dr. Portas foi muito claro: comigo, só a Pátria, o fim do SMO e os coitadinhos dos ex-combatentes. Já repararam? Já perceberam?

JÁ PERCEBERAM?

Já repararam que o PP está calado que nem um rato - a diatribe sobre "relações laborais" do Sr. Pires de Lima não conta - enquanto que no PSD, por entre silêncios, excitações e muito boas razões, vão-se abrindo fendas? Ontem o Dr. Portas foi muito claro: comigo, só a Pátria, o fim do SMO e os coitadinhos dos ex-combatentes. Já repararam? Já perceberam?