4.2.04

ÓPERA S.A.?


O Teatro de São Carlos, visto por Manuel Faia

O IPSD, um instituto na órbita do PSD, presidido por Mota Amaral, debate hoje qualquer coisa como "o papel do estado e do mercado na cultura". Peroram Eduardo Prado Coelho (um incontornável dele próprio...), Vasco Graça Moura (o ministro "sol e sombra" da cultura do PSD) e José Amaral Lopes, o secretário de Estado oficial. A seguir, estas intervenções são glosadas por, entre outros, o meu amigo e cineasta Joaquim Sapinho e pelo director do São Carlos, Paolo Pinamonti. Não me surpreende a presença deste último, apesar de ter sido escolhido por José Sasportes. Como ele me confessou um dia, nunca tinha sentido tanto "apoio" como com esta actual tutela sediada na Ajuda. Não foi Amaral Lopes quem, numa entrevista na rádio, a semana passada, afirmou que deve muito a Pinamonti, "que lhe ensinou a "gerir" um teatro de ópera"? Uma "escola", não haja dúvidas. No meio destas amabilidades para consumo dos próprios, seria interessante olhar para dentro do que se passa no Teatro Nacional de São Carlos que, até prova em contrário (e descontando o mecenato exclusivo, mas a termo, do BCP, conseguido por Guterres e por Carrilho), é suportado pelos contribuintes. Não me refiro ao que é visto em palco, antes penso na "organização" e na sua gestão. Pinamonti está à beira de completar os três anos de mandato, como director artístico e como director. Constou-me que já "renovou", pelo menos até 2005, dado que, pelos vistos, nem a nossa (actual) Pátria o dispensa, nem a Itália por ele suspira. De 2001 até hoje, Pinamonti já viu passar pela sua direcção seis vogais. O primeiro não chegou a "aquecer o lugar" e, num dos seus múltiplos regressos de Veneza, Pinamonti e a sua colega de direcção despediram-no sumariamente por motivos que só os três conhecem. A segunda, esta senhora a que aludi, foi demitida pelo Dr. Roseta depois de umas trapalhadas folclóricas entre membros da direcção, presidida pelo mesmo Pinamonti, arrastando-se presentemente os "jogos florais" pelos tribunais. Ao mesmo tempo, substituiram-se a referida senhora (por mim) e o vogal que tinha ocupado o lugar "do primeiro a partir", que transitou para o gabinete de Amaral Lopes. Eu entrei acompanhado por uma senhora que por lá se mantém, muito amparada na ante-câmara do gabinete do secretário de Estado, enquanto eu saí, pedindo a demissão em Abril do ano passado, por razões várias vezes referidas neste blogue e, na altura, em alguns jornais. Finalmente, fui substituído por outra senhora, funcionária da casa que, da dourada prateleira em que se encontrava desde a extinção da Fundação de São Carlos, transitou para a "direcção Pinamonti", devidamente abençoada. E assim chegámos aos seis. No pequeno mundo que é a nossa vida cultural, e particularmente no pequenissimo mundo que é a ópera em Portugal, Pinamonti tem registado imenso sucesso, seja pela efectiva qualidade das suas escolhas artísticas - e não são todas -, seja pelo deslumbramento palonço e provinciano que perpassa por algumas almas do "meio" e da "política" que parecem nunca ter dado pelos directores anteriores. Ora acontece que Pinamonti, como todos nós, aliás, é feito de luz e de sombra. Como estamos em "teatro", é natural que só a luz brilhe. O São Carlos quase sempre se caracterizou por ser um mundo "só seu", praticamente auto-gestionário e autofágico. Desde o elegante Dr. Figueiredo que reportava directamente a Salazar, passando pelo seu braço direito - que guardava o dinheiro para os pagamentos do Teatro numa caixa de sapatos - ao Dr. Serra Formigal (que é um senhor!), que cantava e dirigia o coro, e ajudava a puxar o pano de cena quando ocorriam greves, como o fazia outra senhora duma pretérita direcção, etc, etc, de tudo um pouco ali tem acontecido. A estratégia de Pinamonti- se é que tem alguma - é privilegiar "o que se vê", custe o que custar, no sentido literal do termo "custo" e, muito naturalmente, o seu currículo pessoal. Por isso arrasta atrás de si um organismo pesado, cheio de contradições inexplicáveis em sede de gestão de pessoal, com hierarquias opacas, algumas totalmente desnecessárias e ineficazes, uma direcção de coro e de orquestra em quebra notória de vitalidade e um serviço de relações públicas que, até aqui exemplarmente assegurado, foi agora entregue a amadores, e tudo por causa dos joguinhos pirosos dos pequenos poderes internos. Como eu dizia quando por lá andei, o Teatro precisava de parar para (se) pensar. À actual tutela também interessa mais "o que se vê" do que o que fica escondido atrás. E na actual direcção, deve haver quem já só sonhe com uma administração "SA", daquelas "da moda", remetendo-se oportunamente Pinamonti para a mera direcção artística ou para casa. Já vai longo este post. O tal colóquio que mencionei no início é encerrado pelo Dr. Pedro Roseta, a quem deixo uma pergunta. Qual é o "mercado" que se pode interessar por "isto"?

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ÓPERA S.A.?

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<b>ÓPERA S.A.?</b><br /><br /><img src="http://www.inlisboa.com/Galeria/AlbertoFaria/teatro_sao_carlos.jpg" border="0"<br /><br /><b>O Teatro de São Carlos, visto por <a href="http://www.inlisboa.com/Galeria/AlbertoFaria/AlbertoFaria.htm">Manuel Faia</a></b><br /><br /><div align="justify">O IPSD, um instituto na órbita do PSD, presidido por Mota Amaral, debate hoje qualquer coisa como "o papel do estado e do mercado na cultura". Peroram Eduardo Prado Coelho (um incontornável dele próprio...), Vasco Graça Moura (o ministro "sol e sombra" da cultura do PSD) e José Amaral Lopes, o secretário de Estado oficial. A seguir, estas intervenções são glosadas por, entre outros, o meu amigo e cineasta Joaquim Sapinho e pelo director do São Carlos, Paolo Pinamonti. Não me surpreende a presença deste último, apesar de ter sido escolhido por José Sasportes. Como ele me confessou um dia, nunca tinha sentido tanto "apoio" como com esta actual tutela sediada na Ajuda. Não foi Amaral Lopes quem, numa entrevista na rádio, a semana passada, afirmou que deve muito a Pinamonti, "que lhe ensinou a "gerir" um teatro de ópera"? Uma "escola", não haja dúvidas. No meio destas amabilidades para consumo dos próprios, seria interessante olhar para dentro do que se passa no Teatro Nacional de São Carlos que, até prova em contrário (e descontando o mecenato exclusivo, mas a termo, do BCP, conseguido por Guterres e por Carrilho), é suportado pelos contribuintes. Não me refiro ao que é visto em palco, antes penso na "organização" e na sua gestão. Pinamonti está à beira de completar os três anos de mandato, como director artístico e como director. Constou-me que já "renovou", pelo menos até 2005, dado que, pelos vistos, nem a nossa (actual) Pátria o dispensa, nem a Itália por ele suspira. De 2001 até hoje, Pinamonti já viu passar pela sua direcção seis vogais. O primeiro não chegou a "aquecer o lugar" e, num dos seus múltiplos regressos de Veneza, Pinamonti e a sua colega de direcção despediram-no sumariamente por motivos que só os três conhecem. A segunda, esta senhora a que aludi, foi demitida pelo Dr. Roseta depois de umas trapalhadas folclóricas entre membros da direcção, presidida pelo mesmo Pinamonti, arrastando-se presentemente os "jogos florais" pelos tribunais. Ao mesmo tempo, substituiram-se a referida senhora (por mim) e o vogal que tinha ocupado o lugar "do primeiro a partir", que transitou para o gabinete de Amaral Lopes. Eu entrei acompanhado por uma senhora que por lá se mantém, muito amparada na ante-câmara do gabinete do secretário de Estado, enquanto eu saí, pedindo a demissão em Abril do ano passado, por razões várias vezes referidas neste blogue e, na altura, em alguns jornais. Finalmente, fui substituído por outra senhora, funcionária da casa que, da dourada prateleira em que se encontrava desde a extinção da Fundação de São Carlos, transitou para a "direcção Pinamonti", devidamente abençoada. E assim chegámos aos seis. No pequeno mundo que é a nossa vida cultural, e particularmente no pequenissimo mundo que é a ópera em Portugal, Pinamonti tem registado imenso sucesso, seja pela efectiva qualidade das suas escolhas artísticas - e não são todas -, seja pelo deslumbramento palonço e provinciano que perpassa por algumas almas do "meio" e da "política" que parecem nunca ter dado pelos directores anteriores. Ora acontece que Pinamonti, como todos nós, aliás, é feito de luz e de sombra. Como estamos em "teatro", é natural que só a luz brilhe. O São Carlos quase sempre se caracterizou por ser um mundo "só seu", praticamente auto-gestionário e autofágico. Desde o elegante Dr. Figueiredo que reportava directamente a Salazar, passando pelo seu braço direito - que guardava o dinheiro para os pagamentos do Teatro numa caixa de sapatos - ao Dr. Serra Formigal (que é um senhor!), que cantava e dirigia o coro, e ajudava a puxar o pano de cena quando ocorriam greves, como o fazia outra senhora duma pretérita direcção, etc, etc, de tudo um pouco ali tem acontecido. A estratégia de Pinamonti- se é que tem alguma - é privilegiar "o que se vê", custe o que custar, no sentido literal do termo "custo" e, muito naturalmente, o seu currículo pessoal. Por isso arrasta atrás de si um organismo pesado, cheio de contradições inexplicáveis em sede de gestão de pessoal, com hierarquias opacas, algumas totalmente desnecessárias e ineficazes, uma direcção de coro e de orquestra em quebra notória de vitalidade e um serviço de relações públicas que, até aqui exemplarmente assegurado, foi agora entregue a amadores, e tudo por causa dos joguinhos pirosos dos pequenos poderes internos. Como eu dizia quando por lá andei, o Teatro precisava de parar para (se) pensar. À actual tutela também interessa mais "o que se vê" do que o que fica escondido atrás. E na actual direcção, deve haver quem já só sonhe com uma administração "SA", daquelas "da moda", remetendo-se oportunamente Pinamonti para a mera direcção artística ou para casa. Já vai longo este <b>post</b>. O tal colóquio que mencionei no início é encerrado pelo Dr. Pedro Roseta, a quem deixo uma pergunta. Qual é o "mercado" que se pode interessar por "isto"?</div>

2.2.04

SELVAGENS E PERIGOSOS



Um semana depois da ocorrência de uma morte trágica num estádio de futebol e após uma semana inteira de juras comovidas de ternura entre a grande "família" da bola, o País foi brindado com uma explosão de violência, dentro e fora dos muros do mesmo estádio onde, noventa minutos antes, se homenageara o jogador ali desaparecido. Para quem consome este produto, está-se a menos de seis meses do circo do Euro 2004. E quem atentar por uns instantes nas "actividades circum escolares" relativas ao evento, intui de imediato que está praticamente tudo por fazer e tudo mal preparado. Estes sinais de agressões entre jogadores e entre públicos são uma pequena amostra do que se esconde por detrás da segurança da coisa. Ou seja, quase nada. É que, em Junho, aos grunhos portugueses, vão juntar-se os desordeiros profissionais das claques das outras selecções europeias. A leveza do ministro adjunto Arnaut e do seu ajudante Loureiro, curvados às maçonarias das SAD's desportivas, bem como o afável registo de sacristão de paróquia do Dr. Figueiredo Lopes, não ajudam a melhorar as perspectivas. As polícias estão desmotivadas e anunciam pouco empenho. Acontece que a sociedade portuguesa mudou profundamente nestes últimos anos, e nem sempre e nem em tudo para melhor. O grosso das governações não entende isto. O País "doce" do Dr. Salazar jaz há muito morto aos pés, entre outros, das claques acéfalas do futebol. O rebanho pacífico e "habitual" de Salazar desapareceu para dar lugar a estes novos bárbaros, selvagens e perigosos.

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SELVAGENS E PERIGOSOS

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<b>SELVAGENS E PERIGOSOS</b><br /><br /><img src="http://www.antimouros.com/Fcp/clube/fotos/claquesd/sd19.gif" border="0"<br /><br /><br /><div align="justify">Um semana depois da ocorrência de uma morte trágica num estádio de futebol e após uma semana inteira de juras comovidas de ternura entre a grande "família" da bola, o País foi brindado com uma explosão de violência, dentro e fora dos muros do mesmo estádio onde, noventa minutos antes, se homenageara o jogador ali desaparecido. Para quem consome este produto, está-se a menos de seis meses do circo do Euro 2004. E quem atentar por uns instantes nas "actividades circum escolares" relativas ao evento, intui de imediato que está praticamente tudo por fazer e tudo mal preparado. Estes sinais de agressões entre jogadores e entre públicos são uma pequena amostra do que se esconde por detrás da segurança da coisa. Ou seja, quase nada. É que, em Junho, aos grunhos portugueses, vão juntar-se os desordeiros profissionais das claques das outras selecções europeias. A leveza do ministro adjunto Arnaut e do seu ajudante Loureiro, curvados às maçonarias das SAD's desportivas, bem como o afável registo de sacristão de paróquia do Dr. Figueiredo Lopes, não ajudam a melhorar as perspectivas. As polícias estão desmotivadas e anunciam pouco empenho. Acontece que a sociedade portuguesa mudou profundamente nestes últimos anos, e nem sempre e nem em tudo para melhor. O grosso das governações não entende isto. O País "doce" do Dr. Salazar jaz há muito morto aos pés, entre outros, das claques acéfalas do futebol. O rebanho pacífico e "habitual" de Salazar desapareceu para dar lugar a estes novos bárbaros, selvagens e perigosos.</div>

31.1.04

UMA MULHER SOZINHA


Eu não morro de amores pela Dra. Cardona. Acho que a sua escolha para a Justiça se ficou a dever exclusivamente à estreita ligação que mantinha com Portas e a algumas suas necessidades estratégicas de circunstância. No Governo praticamente não se dá por ela e, para sua infelicidade, esteve gravemente doente. Porém, neste episódio dos descontos dos funcionários do seu Ministério, Cardona foi literalmente lançada às feras. Primeiro, pela baralhada discursiva e inócua do seu secretário de Estado. Depois, pelo silêncio incomodado e pela falta de solidariedade do seu mentor e lider, cujos traços mais impressivos do seu carácter se revelam nestes momentos. Finalmente porque o primeiro-ministro, só depois de devidamente "picado", lhe manifestou vaga confiança. Se a matéria que deu azo a este desconforto nas hostes maioritárias é séria, como parece que é, então também um outro ministério, o das Finanças, aparece pelo meio. Mas desta casa não se falou. Et pour cause. O episódio vale o que vale e porventura haverá por aí um relativo manancial de situações idênticas que suavemente virão a lume. Cardona foi apanhada no fogo das dissenssões subterrâneas que grassam na contentinha maioria, dentro do PSD, e entre o PSD e o pequeno partido à sua direita. É provável que depois disto já tenha percebido qual é o seu lugar e o que é que ele vale na contabilidade dos interesses da coligação. A imagem de Celeste Cardona, ontem, sentada na bancada do Governo, era apenas a de uma mulher sozinha.

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UMA MULHER SOZINHA

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<b>UMA MULHER SOZINHA</b><br /><br /><img src="http://www.justicaemmovimento.org/images/fotos/min_justica.jpg" border="0"<br /><br /><div align="justify">Eu não morro de amores pela Dra. Cardona. Acho que a sua escolha para a Justiça se ficou a dever exclusivamente à estreita ligação que mantinha com Portas e a algumas suas necessidades estratégicas de circunstância. No Governo praticamente não se dá por ela e, para sua infelicidade, esteve gravemente doente. Porém, neste episódio dos descontos dos funcionários do seu Ministério, Cardona foi literalmente lançada às feras. Primeiro, pela baralhada discursiva e inócua do seu secretário de Estado. Depois, pelo silêncio incomodado e pela falta de solidariedade do seu mentor e lider, cujos traços mais impressivos do seu carácter se revelam nestes momentos. Finalmente porque o primeiro-ministro, só depois de devidamente "picado", lhe manifestou vaga confiança. Se a matéria que deu azo a este desconforto nas hostes maioritárias é séria, como parece que é, então também um outro ministério, o das Finanças, aparece pelo meio. Mas desta casa não se falou. <i>Et pour cause</i>. O episódio vale o que vale e porventura haverá por aí um relativo manancial de situações idênticas que suavemente virão a lume. Cardona foi apanhada no fogo das dissenssões subterrâneas que grassam na contentinha maioria, dentro do PSD, e entre o PSD e o pequeno partido à sua direita. É provável que depois disto já tenha percebido qual é o seu lugar e o que é que ele vale na contabilidade dos interesses da coligação. A imagem de Celeste Cardona, ontem, sentada na bancada do Governo, era apenas a de uma mulher sozinha.</div>

30.1.04

SEM CONSENSOS

Soares é fixe...

Um grupo de anacoretas transversais aos dois principais partidos, desta vez em número de 30, apelou ao "consenso" em sede de finanças públicas, para salvar a consolidação orçamental, como se ela tivesse salvação. Estas estimáveis luminárias não perceberam que o "clima" não é o melhor para consensos gelatinosos. A moleza da indiferenciação, nos dias que correm, é o que melhor convém ao processo de afundamento social, económico, cultural e cívico "em curso". Bem andou Mário Soares que, num artigo na Visão e hoje na televisão, disse que era fundamental "separar as águas" e estar disponível para rupturas. Deve saber-se com quem se está e contra quem é preciso travar combate, escreveu. Neste momento, qualquer tentativa de consenso, seja em que sector for, é um puro equívoco. Apenas nos olhos de Durão Barroso brilha uma esperança que mais ninguém vê. Uma vez mais, ele sabe que tem que acontecer qualquer coisa, só não sabe é quando... Só mesmo o papagaio do "regime", o Sr. Luis Delgado, é que consegue ver coisas extraordinárias no meio desta barafunda devidamente institucionalizada, "maioritária", sem sentido e "SA". Por isso me coloco ao lado de Mário Soares. Há momentos na vida em que é preciso mudar de lugar, curvar noutra direcção e passar a estar num "outro lado" qualquer. Sem consensos.

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SEM CONSENSOS

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<b>SEM CONSENSOS</b><br /><br /><img src="http://www.parleurop.pt/parleurop/site/images/msoares.jpg" border="0"<br /> <b> Soares é fixe...</b><br /><br /><div align="justify">Um grupo de anacoretas transversais aos dois principais partidos, desta vez em número de 30, apelou ao "consenso" em sede de finanças públicas, para salvar a consolidação orçamental, como se ela tivesse salvação. Estas estimáveis luminárias não perceberam que o "clima" não é o melhor para consensos gelatinosos. A moleza da indiferenciação, nos dias que correm, é o que melhor convém ao processo de afundamento social, económico, cultural e cívico "em curso". Bem andou Mário Soares que, num artigo na <i>Visão</i> e hoje na televisão, disse que era fundamental "separar as águas" e estar disponível para rupturas. Deve saber-se com quem se está e contra quem é preciso travar combate, escreveu. Neste momento, qualquer tentativa de consenso, seja em que sector for, é um puro equívoco. Apenas nos olhos de Durão Barroso brilha uma esperança que mais ninguém vê. Uma vez mais, ele sabe que tem que acontecer qualquer coisa, só não sabe é quando... Só mesmo o papagaio do "regime", o Sr. Luis Delgado, é que consegue ver coisas extraordinárias no meio desta barafunda devidamente institucionalizada, "maioritária", sem sentido e "SA". Por isso me coloco ao lado de Mário Soares. Há momentos na vida em que é preciso mudar de lugar, curvar noutra direcção e passar a estar num "outro lado" qualquer. Sem consensos.</div>

27.1.04

A CULTURA DO BOLHÃO

Na posse do director do fundido Instituto das Artes, e instado pelo recém nomeado no que respeita às "cativações" em PIDDAC e à ameaça que este e outros eventuais "cortes" orçamentais representam para o sector, no cumprimento dos seus "objectivos" para 2004, o Ministro da Cultura recorreu à sua já gasta algibeira da "gestão flexível". Pedro Roseta, aliás, para além de ministro da jóia perdida, ficará certamente na história da Ajuda como o "gestor flexível". Alguém que, ao depauperamento financeiro e estratégico da sua área de governação, responde com a amabilidade do contorcionismo da intendência. Eu sugeri lá para trás que se fechasse a Ajuda e se entregasse o assunto nas mãos da DGO, até por uma questão de dourada poupança e de maior competência, um registo muito a propos.. Um dia virá em que a "gestão flexível" não vai chegar, e nem sequer os bons ofícios "todo-o-terreno" da multifacetada adjunta do ministro para estes assuntos lhes acudirão. Numa outra banda da cultura, houve notícia de que uma cátedra de Português na Sorbonne fechou, e não me constou que alguém com responsabilidades políticas tivesse emitido um vago pio sobre o tema. Conviria, pois, que estas matérias que se prendem com a qualificação da Pátria- artes, património, leitura, teatro, ópera - não fossem tratadas como couve-flores cambadas ou peixe miúdo, e geridas, nalguns casos, como se se tratasse de bancadas de legumes ou de peixe do mercado do Bolhão.

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A CULTURA DO BOLHÃO

Na posse do director do fundido Instituto das Artes, e instado pelo recém nomeado no que respeita às "cativações" em PIDDAC e à ameaça que este e outros eventuais "cortes" orçamentais representam para o sector, no cumprimento dos seus "objectivos" para 2004, o Ministro da Cultura recorreu à sua já gasta algibeira da "gestão flexível". Pedro Roseta, aliás, para além de ministro da jóia perdida, ficará certamente na história da Ajuda como o "gestor flexível". Alguém que, ao depauperamento financeiro e estratégico da sua área de governação, responde com a amabilidade do contorcionismo da intendência. Eu sugeri lá para trás que se fechasse a Ajuda e se entregasse o assunto nas mãos da DGO, até por uma questão de dourada poupança e de maior competência, um registo muito a propos.. Um dia virá em que a "gestão flexível" não vai chegar, e nem sequer os bons ofícios "todo-o-terreno" da multifacetada adjunta do ministro para estes assuntos lhes acudirão. Numa outra banda da cultura, houve notícia de que uma cátedra de Português na Sorbonne fechou, e não me constou que alguém com responsabilidades políticas tivesse emitido um vago pio sobre o tema. Conviria, pois, que estas matérias que se prendem com a qualificação da Pátria- artes, património, leitura, teatro, ópera - não fossem tratadas como couve-flores cambadas ou peixe miúdo, e geridas, nalguns casos, como se se tratasse de bancadas de legumes ou de peixe do mercado do Bolhão.