BREVES LITERÁRIAS
A primeira. Reponho um post de Junho, quando li O Paraíso na Outra Esquina, de Mario Vargas Llosa, recentemente traduzido e editado pelas Edições D. Quixote.
(...) "El Paraíso en la otra esquina". Trata-se de um romance arquitectado em torno das vidas da feminista Flora Tristán e do seu neto, o pintor Paul Gauguin. Gauguin começou por ser um bem sucedido corretor da bolsa de Paris, fez o que se chamaria um relativamente bom casamento, com uma nórrdica e, de repente, começou a pintar. Conheceu Van Gogh e, atraído pela expontaneidade da natureza e das criaturas do Tahiti, para ali embarcou, abandonando a, até então, sua civilização. A sua obra reflecte esta vivência e a sua errância algo desregrada e libertina que Llosa bem descreve no seu livro, em que alterna o percurso do neto com o da avó, anos antes. Flora foi o que poderíamos chamar uma mulher cosmopolita, parece que bonita, e empenhada na sensibilização social e na emancipação de homens e mulheres nos finais do século passado. Também ela abandonou a sua primitiva condição de esposa e de mãe para se lançar, mundo fora, na utopia da libertação. Os capítulos dedicados a Flora Tristán revelam uma mulher com uma audácia interior e uma coragem moral e física impressionantes, ao mesmo tempo que insinuam a imensa solidão do seu combate.O mundo de hoje não permite mais "fabricar" criaturas como Gauguin ou Flora. O texto de Vargas Llosa tem o mérito de nos remeter para os caminhos inacabados de ambos, cada um à sua maneira, em busca do paraíso na outra esquina.
A segunda. Num dos mais bonitos blogues, o Almocreve das Petas, encontro poesia de Cesariny, devidamente ilustrada, que é coisa que eu não sei fazer.
Poema do Encontro de Joachim de Flora com Emmanuel Swedenborg; e de Ambos com William Blake; e de Blake com Dante Gabriel Rossetti.
I am eu sou the immaculate a
Imaculada conception concepção.
The Virgin A Virgen of Lourdes
de Lourdes
I am eu sou the first a primeira and the last e a última
I am eu sou the honored one a venerada and the scor-
ned oane e a execrada
I am eu sou the whore a puta and the holy oane e a
santa
I am eu sou the wife a esposa and the virgin e a virgem
I am eu sou the mother a mãe and the daugther e a filha
I am eu sou the members o clã of my mother da minha mãe
I am eu sou the barren oane a estéril and many e
muitos are hers sons são os seus filhos
I am eu sou she whose wedding aquela cuja núpcia
is great é grande and I have not taken e não a-
ceitou a husband marido
I am eu sou the bride a noiva and e the bridegroom
o noivo
and it is my husband e é meu marido who begot
me quem me gerou
I am eu sou the the mother a mãe of my father
de meu pai and the sister e a irmã of my
husband de meu marido and he is e ele é
my offspning a minha descendência
A Deusa Ishtar
(mais tarde Ísis). Suméria
the Godess Ish-
tar, (later Isis), Sumeria
[Mário Cesariny de Vasconcelos, 89, in Via Latina]
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
10.10.03
Untitled
BREVES LITERÁRIAS
A primeira. Reponho um post de Junho, quando li O Paraíso na Outra Esquina, de Mario Vargas Llosa, recentemente traduzido e editado pelas Edições D. Quixote.
(...) "El Paraíso en la otra esquina". Trata-se de um romance arquitectado em torno das vidas da feminista Flora Tristán e do seu neto, o pintor Paul Gauguin. Gauguin começou por ser um bem sucedido corretor da bolsa de Paris, fez o que se chamaria um relativamente bom casamento, com uma nórrdica e, de repente, começou a pintar. Conheceu Van Gogh e, atraído pela expontaneidade da natureza e das criaturas do Tahiti, para ali embarcou, abandonando a, até então, sua civilização. A sua obra reflecte esta vivência e a sua errância algo desregrada e libertina que Llosa bem descreve no seu livro, em que alterna o percurso do neto com o da avó, anos antes. Flora foi o que poderíamos chamar uma mulher cosmopolita, parece que bonita, e empenhada na sensibilização social e na emancipação de homens e mulheres nos finais do século passado. Também ela abandonou a sua primitiva condição de esposa e de mãe para se lançar, mundo fora, na utopia da libertação. Os capítulos dedicados a Flora Tristán revelam uma mulher com uma audácia interior e uma coragem moral e física impressionantes, ao mesmo tempo que insinuam a imensa solidão do seu combate.O mundo de hoje não permite mais "fabricar" criaturas como Gauguin ou Flora. O texto de Vargas Llosa tem o mérito de nos remeter para os caminhos inacabados de ambos, cada um à sua maneira, em busca do paraíso na outra esquina.
A segunda. Num dos mais bonitos blogues, o Almocreve das Petas, encontro poesia de Cesariny, devidamente ilustrada, que é coisa que eu não sei fazer.
Poema do Encontro de Joachim de Flora com Emmanuel Swedenborg; e de Ambos com William Blake; e de Blake com Dante Gabriel Rossetti.
I am eu sou the immaculate a
Imaculada conception concepção.
The Virgin A Virgen of Lourdes
de Lourdes
I am eu sou the first a primeira and the last e a última
I am eu sou the honored one a venerada and the scor-
ned oane e a execrada
I am eu sou the whore a puta and the holy oane e a
santa
I am eu sou the wife a esposa and the virgin e a virgem
I am eu sou the mother a mãe and the daugther e a filha
I am eu sou the members o clã of my mother da minha mãe
I am eu sou the barren oane a estéril and many e
muitos are hers sons são os seus filhos
I am eu sou she whose wedding aquela cuja núpcia
is great é grande and I have not taken e não a-
ceitou a husband marido
I am eu sou the bride a noiva and e the bridegroom
o noivo
and it is my husband e é meu marido who begot
me quem me gerou
I am eu sou the the mother a mãe of my father
de meu pai and the sister e a irmã of my
husband de meu marido and he is e ele é
my offspning a minha descendência
A Deusa Ishtar
(mais tarde Ísis). Suméria
the Godess Ish-
tar, (later Isis), Sumeria
[Mário Cesariny de Vasconcelos, 89, in Via Latina]
A primeira. Reponho um post de Junho, quando li O Paraíso na Outra Esquina, de Mario Vargas Llosa, recentemente traduzido e editado pelas Edições D. Quixote.
(...) "El Paraíso en la otra esquina". Trata-se de um romance arquitectado em torno das vidas da feminista Flora Tristán e do seu neto, o pintor Paul Gauguin. Gauguin começou por ser um bem sucedido corretor da bolsa de Paris, fez o que se chamaria um relativamente bom casamento, com uma nórrdica e, de repente, começou a pintar. Conheceu Van Gogh e, atraído pela expontaneidade da natureza e das criaturas do Tahiti, para ali embarcou, abandonando a, até então, sua civilização. A sua obra reflecte esta vivência e a sua errância algo desregrada e libertina que Llosa bem descreve no seu livro, em que alterna o percurso do neto com o da avó, anos antes. Flora foi o que poderíamos chamar uma mulher cosmopolita, parece que bonita, e empenhada na sensibilização social e na emancipação de homens e mulheres nos finais do século passado. Também ela abandonou a sua primitiva condição de esposa e de mãe para se lançar, mundo fora, na utopia da libertação. Os capítulos dedicados a Flora Tristán revelam uma mulher com uma audácia interior e uma coragem moral e física impressionantes, ao mesmo tempo que insinuam a imensa solidão do seu combate.O mundo de hoje não permite mais "fabricar" criaturas como Gauguin ou Flora. O texto de Vargas Llosa tem o mérito de nos remeter para os caminhos inacabados de ambos, cada um à sua maneira, em busca do paraíso na outra esquina.
A segunda. Num dos mais bonitos blogues, o Almocreve das Petas, encontro poesia de Cesariny, devidamente ilustrada, que é coisa que eu não sei fazer.
Poema do Encontro de Joachim de Flora com Emmanuel Swedenborg; e de Ambos com William Blake; e de Blake com Dante Gabriel Rossetti.
I am eu sou the immaculate a
Imaculada conception concepção.
The Virgin A Virgen of Lourdes
de Lourdes
I am eu sou the first a primeira and the last e a última
I am eu sou the honored one a venerada and the scor-
ned oane e a execrada
I am eu sou the whore a puta and the holy oane e a
santa
I am eu sou the wife a esposa and the virgin e a virgem
I am eu sou the mother a mãe and the daugther e a filha
I am eu sou the members o clã of my mother da minha mãe
I am eu sou the barren oane a estéril and many e
muitos are hers sons são os seus filhos
I am eu sou she whose wedding aquela cuja núpcia
is great é grande and I have not taken e não a-
ceitou a husband marido
I am eu sou the bride a noiva and e the bridegroom
o noivo
and it is my husband e é meu marido who begot
me quem me gerou
I am eu sou the the mother a mãe of my father
de meu pai and the sister e a irmã of my
husband de meu marido and he is e ele é
my offspning a minha descendência
A Deusa Ishtar
(mais tarde Ísis). Suméria
the Godess Ish-
tar, (later Isis), Sumeria
[Mário Cesariny de Vasconcelos, 89, in Via Latina]
9.10.03
OUTRA COISA
Durão Barroso não aproveitou a segunda saída intempestiva de um membro do seu governo para mexer nele. Fez mal. Recorreu ao inner circle, na tradição dos seus antecessores imediatos, para substituir o embotado Martins da Cruz. Teresa Gouveia, que o ano passado não se deixou tentar pela cultura - e tinha razão, tentar-se com o quê? - , acha-se agora em condições de emprestar o seu ar amável à diplomacia portuguesa, logo a seguir ao "primeiro". Até aqui não há nada de particularmente excitante. Acontece que Barroso também decidiu juntar o CDS/PP às listas do PSD nas eleições europeias de 2004, prometendo longa vida e venturas a esta "aliança". Naturalmente que o porta-voz desta bem-aventurança não podia ser outro senão Santana Lopes. Isto é um mau sinal. Desde logo, porque parece que o PSD tem receio de ir a votos sozinho. Primeiro rombo na tradição da vocação maioritária do partido, conquistada por Cavaco. A seguir, porque está montado o cenário para Santana poder avançar para onde se sabe. Segundo rombo, através do afastamento do mesmo Cavaco do eventual caminho para Belém. E finalmente o terceiro rombo, que consiste no conluio com Portas, daqui para diante. Eu estou no PSD há 20 anos. Não ligo pevas a militâncias, mas presto alguma atenção a valores. Como tal, terei que estornar o meu voto de 2002 nas europeias de 2004. Neste cenário, o futuro nada terá a ver com o PSD. Há que passar adiante e pensar em outra coisa.
Durão Barroso não aproveitou a segunda saída intempestiva de um membro do seu governo para mexer nele. Fez mal. Recorreu ao inner circle, na tradição dos seus antecessores imediatos, para substituir o embotado Martins da Cruz. Teresa Gouveia, que o ano passado não se deixou tentar pela cultura - e tinha razão, tentar-se com o quê? - , acha-se agora em condições de emprestar o seu ar amável à diplomacia portuguesa, logo a seguir ao "primeiro". Até aqui não há nada de particularmente excitante. Acontece que Barroso também decidiu juntar o CDS/PP às listas do PSD nas eleições europeias de 2004, prometendo longa vida e venturas a esta "aliança". Naturalmente que o porta-voz desta bem-aventurança não podia ser outro senão Santana Lopes. Isto é um mau sinal. Desde logo, porque parece que o PSD tem receio de ir a votos sozinho. Primeiro rombo na tradição da vocação maioritária do partido, conquistada por Cavaco. A seguir, porque está montado o cenário para Santana poder avançar para onde se sabe. Segundo rombo, através do afastamento do mesmo Cavaco do eventual caminho para Belém. E finalmente o terceiro rombo, que consiste no conluio com Portas, daqui para diante. Eu estou no PSD há 20 anos. Não ligo pevas a militâncias, mas presto alguma atenção a valores. Como tal, terei que estornar o meu voto de 2002 nas europeias de 2004. Neste cenário, o futuro nada terá a ver com o PSD. Há que passar adiante e pensar em outra coisa.
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OUTRA COISA
Durão Barroso não aproveitou a segunda saída intempestiva de um membro do seu governo para mexer nele. Fez mal. Recorreu ao inner circle, na tradição dos seus antecessores imediatos, para substituir o embotado Martins da Cruz. Teresa Gouveia, que o ano passado não se deixou tentar pela cultura - e tinha razão, tentar-se com o quê? - , acha-se agora em condições de emprestar o seu ar amável à diplomacia portuguesa, logo a seguir ao "primeiro". Até aqui não há nada de particularmente excitante. Acontece que Barroso também decidiu juntar o CDS/PP às listas do PSD nas eleições europeias de 2004, prometendo longa vida e venturas a esta "aliança". Naturalmente que o porta-voz desta bem-aventurança não podia ser outro senão Santana Lopes. Isto é um mau sinal. Desde logo, porque parece que o PSD tem receio de ir a votos sozinho. Primeiro rombo na tradição da vocação maioritária do partido, conquistada por Cavaco. A seguir, porque está montado o cenário para Santana poder avançar para onde se sabe. Segundo rombo, através do afastamento do mesmo Cavaco do eventual caminho para Belém. E finalmente o terceiro rombo, que consiste no conluio com Portas, daqui para diante. Eu estou no PSD há 20 anos. Não ligo pevas a militâncias, mas presto alguma atenção a valores. Como tal, terei que estornar o meu voto de 2002 nas europeias de 2004. Neste cenário, o futuro nada terá a ver com o PSD. Há que passar adiante e pensar em outra coisa.
Durão Barroso não aproveitou a segunda saída intempestiva de um membro do seu governo para mexer nele. Fez mal. Recorreu ao inner circle, na tradição dos seus antecessores imediatos, para substituir o embotado Martins da Cruz. Teresa Gouveia, que o ano passado não se deixou tentar pela cultura - e tinha razão, tentar-se com o quê? - , acha-se agora em condições de emprestar o seu ar amável à diplomacia portuguesa, logo a seguir ao "primeiro". Até aqui não há nada de particularmente excitante. Acontece que Barroso também decidiu juntar o CDS/PP às listas do PSD nas eleições europeias de 2004, prometendo longa vida e venturas a esta "aliança". Naturalmente que o porta-voz desta bem-aventurança não podia ser outro senão Santana Lopes. Isto é um mau sinal. Desde logo, porque parece que o PSD tem receio de ir a votos sozinho. Primeiro rombo na tradição da vocação maioritária do partido, conquistada por Cavaco. A seguir, porque está montado o cenário para Santana poder avançar para onde se sabe. Segundo rombo, através do afastamento do mesmo Cavaco do eventual caminho para Belém. E finalmente o terceiro rombo, que consiste no conluio com Portas, daqui para diante. Eu estou no PSD há 20 anos. Não ligo pevas a militâncias, mas presto alguma atenção a valores. Como tal, terei que estornar o meu voto de 2002 nas europeias de 2004. Neste cenário, o futuro nada terá a ver com o PSD. Há que passar adiante e pensar em outra coisa.
FICAR NA SUA
O analfabetismo imaginativo das nossas gentes manifesta-se amíude em "debates públicos" temáticos propiciados pelas rádios e pelas televisões. O pretexto último é a libertação de Paulo Pedroso. Por mais que se explique que tudo resultou, desta vez, do correcto funcionamento do Estado de Direito e dos mecanismos das garantias de defesa de qualquer cidadão, há quem continue a ver nisto o dedo dos "poderosos". Ou uma manobra contra o "juiz" ou contra "as crianças". É claro que a ida ao Parlamento não ajudou em nada a percepção da coisa, pois ninguém está disponível para compreender um gesto "simbólico". Nem isso, nem nada. O Sr. Namora também apareceu, no seu habitual registo "lança-chamas", bem como o inevitável e ubíquo Dr. Rogério Alves. E mais uns quantos. Não adianta "debater" ou "tentar explicar". O post em baixo ajuda a perceber porquê. A "intensidade de consciência" não é propriamente o "forte" dos espectadores ou dos ouvintes. E os "animadores" raramente estão verdadeiramente interessados em esclarecer. Falam essencialmente "para dentro". Cada um fica sempre na "sua".
O analfabetismo imaginativo das nossas gentes manifesta-se amíude em "debates públicos" temáticos propiciados pelas rádios e pelas televisões. O pretexto último é a libertação de Paulo Pedroso. Por mais que se explique que tudo resultou, desta vez, do correcto funcionamento do Estado de Direito e dos mecanismos das garantias de defesa de qualquer cidadão, há quem continue a ver nisto o dedo dos "poderosos". Ou uma manobra contra o "juiz" ou contra "as crianças". É claro que a ida ao Parlamento não ajudou em nada a percepção da coisa, pois ninguém está disponível para compreender um gesto "simbólico". Nem isso, nem nada. O Sr. Namora também apareceu, no seu habitual registo "lança-chamas", bem como o inevitável e ubíquo Dr. Rogério Alves. E mais uns quantos. Não adianta "debater" ou "tentar explicar". O post em baixo ajuda a perceber porquê. A "intensidade de consciência" não é propriamente o "forte" dos espectadores ou dos ouvintes. E os "animadores" raramente estão verdadeiramente interessados em esclarecer. Falam essencialmente "para dentro". Cada um fica sempre na "sua".
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FICAR NA SUA
O analfabetismo imaginativo das nossas gentes manifesta-se amíude em "debates públicos" temáticos propiciados pelas rádios e pelas televisões. O pretexto último é a libertação de Paulo Pedroso. Por mais que se explique que tudo resultou, desta vez, do correcto funcionamento do Estado de Direito e dos mecanismos das garantias de defesa de qualquer cidadão, há quem continue a ver nisto o dedo dos "poderosos". Ou uma manobra contra o "juiz" ou contra "as crianças". É claro que a ida ao Parlamento não ajudou em nada a percepção da coisa, pois ninguém está disponível para compreender um gesto "simbólico". Nem isso, nem nada. O Sr. Namora também apareceu, no seu habitual registo "lança-chamas", bem como o inevitável e ubíquo Dr. Rogério Alves. E mais uns quantos. Não adianta "debater" ou "tentar explicar". O post em baixo ajuda a perceber porquê. A "intensidade de consciência" não é propriamente o "forte" dos espectadores ou dos ouvintes. E os "animadores" raramente estão verdadeiramente interessados em esclarecer. Falam essencialmente "para dentro". Cada um fica sempre na "sua".
O analfabetismo imaginativo das nossas gentes manifesta-se amíude em "debates públicos" temáticos propiciados pelas rádios e pelas televisões. O pretexto último é a libertação de Paulo Pedroso. Por mais que se explique que tudo resultou, desta vez, do correcto funcionamento do Estado de Direito e dos mecanismos das garantias de defesa de qualquer cidadão, há quem continue a ver nisto o dedo dos "poderosos". Ou uma manobra contra o "juiz" ou contra "as crianças". É claro que a ida ao Parlamento não ajudou em nada a percepção da coisa, pois ninguém está disponível para compreender um gesto "simbólico". Nem isso, nem nada. O Sr. Namora também apareceu, no seu habitual registo "lança-chamas", bem como o inevitável e ubíquo Dr. Rogério Alves. E mais uns quantos. Não adianta "debater" ou "tentar explicar". O post em baixo ajuda a perceber porquê. A "intensidade de consciência" não é propriamente o "forte" dos espectadores ou dos ouvintes. E os "animadores" raramente estão verdadeiramente interessados em esclarecer. Falam essencialmente "para dentro". Cada um fica sempre na "sua".
8.10.03
OLHANDO A TELEVISÃO
Uma imagem é esvaziada da sua força dependendo do modo como é usada, de onde e de quantas vezes é vista. As imagens mostradas na televisão são por definição imagens que, mais tarde ou mais cedo, cansam. O que parece ser insensibilidade tem a sua origem na instabilidade da atenção que a televisão está organizada para despertar e saciar através do seu excesso de imagens. A fartura de imagens mantém a atenção leve, móvel, relativamente indiferente ao conteúdo. O fluxo de imagens exclui uma imagem privilegiada. O que conta em televisão é que se pode mudar de canal, que é normal mudar de canal, ficar-se insatisfeito. aborrecido. Os consumidores desanimam. Têm de ser estimulados, de ser empurrados, continuamente. O conteúdo não é mais do que um destes estimulantes. Uma atenção mais reflexiva ao conteúdo exigiria uma certa intensidade da consciência - precisamente aquela que é atenuada pelas expectativas atribuídas às imagens disseminadas pelos media cujo despojamento de conteúdo contribui decisivamente para o amortecimento das emoções.
Susan Sontag, Olhando o Sofrimento dos Outros ( Regarding the Pain of Others ), trad. de José Lima, Gótica, 2003.
Uma imagem é esvaziada da sua força dependendo do modo como é usada, de onde e de quantas vezes é vista. As imagens mostradas na televisão são por definição imagens que, mais tarde ou mais cedo, cansam. O que parece ser insensibilidade tem a sua origem na instabilidade da atenção que a televisão está organizada para despertar e saciar através do seu excesso de imagens. A fartura de imagens mantém a atenção leve, móvel, relativamente indiferente ao conteúdo. O fluxo de imagens exclui uma imagem privilegiada. O que conta em televisão é que se pode mudar de canal, que é normal mudar de canal, ficar-se insatisfeito. aborrecido. Os consumidores desanimam. Têm de ser estimulados, de ser empurrados, continuamente. O conteúdo não é mais do que um destes estimulantes. Uma atenção mais reflexiva ao conteúdo exigiria uma certa intensidade da consciência - precisamente aquela que é atenuada pelas expectativas atribuídas às imagens disseminadas pelos media cujo despojamento de conteúdo contribui decisivamente para o amortecimento das emoções.
Susan Sontag, Olhando o Sofrimento dos Outros ( Regarding the Pain of Others ), trad. de José Lima, Gótica, 2003.
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OLHANDO A TELEVISÃO
Uma imagem é esvaziada da sua força dependendo do modo como é usada, de onde e de quantas vezes é vista. As imagens mostradas na televisão são por definição imagens que, mais tarde ou mais cedo, cansam. O que parece ser insensibilidade tem a sua origem na instabilidade da atenção que a televisão está organizada para despertar e saciar através do seu excesso de imagens. A fartura de imagens mantém a atenção leve, móvel, relativamente indiferente ao conteúdo. O fluxo de imagens exclui uma imagem privilegiada. O que conta em televisão é que se pode mudar de canal, que é normal mudar de canal, ficar-se insatisfeito. aborrecido. Os consumidores desanimam. Têm de ser estimulados, de ser empurrados, continuamente. O conteúdo não é mais do que um destes estimulantes. Uma atenção mais reflexiva ao conteúdo exigiria uma certa intensidade da consciência - precisamente aquela que é atenuada pelas expectativas atribuídas às imagens disseminadas pelos media cujo despojamento de conteúdo contribui decisivamente para o amortecimento das emoções.
Susan Sontag, Olhando o Sofrimento dos Outros ( Regarding the Pain of Others ), trad. de José Lima, Gótica, 2003.
Uma imagem é esvaziada da sua força dependendo do modo como é usada, de onde e de quantas vezes é vista. As imagens mostradas na televisão são por definição imagens que, mais tarde ou mais cedo, cansam. O que parece ser insensibilidade tem a sua origem na instabilidade da atenção que a televisão está organizada para despertar e saciar através do seu excesso de imagens. A fartura de imagens mantém a atenção leve, móvel, relativamente indiferente ao conteúdo. O fluxo de imagens exclui uma imagem privilegiada. O que conta em televisão é que se pode mudar de canal, que é normal mudar de canal, ficar-se insatisfeito. aborrecido. Os consumidores desanimam. Têm de ser estimulados, de ser empurrados, continuamente. O conteúdo não é mais do que um destes estimulantes. Uma atenção mais reflexiva ao conteúdo exigiria uma certa intensidade da consciência - precisamente aquela que é atenuada pelas expectativas atribuídas às imagens disseminadas pelos media cujo despojamento de conteúdo contribui decisivamente para o amortecimento das emoções.
Susan Sontag, Olhando o Sofrimento dos Outros ( Regarding the Pain of Others ), trad. de José Lima, Gótica, 2003.
POLÍTICA DE CAÇA
Eu fui dos que votaram em Durão Barroso. O estilo mole e razoavelmente inconsequente de Guterres incomodava-me. E o Dr. Ferro manifestamente não impressionava e pouco tinha - e tem - de estimulante. Já em 1995 eu achava que Barroso devia ter sucedido a Cavaco, mas isso ainda não estava "escrito nas estrelas". A persistência foi premiada o ano passado, e eu acreditava que o nem sempre feliz candidato a primeiro-ministro, iria com certeza tornar-se um bom chefe de governo. No entanto, da vasta parafernália de apoiantes da campanha e de "nomes sonantes", pelas suas qualidades pessoais, políticas ou técnicas, que imaginávamos que pudessem vir a ser escolhidos, muito poucos ou nenhum chegou a ser "eleito". É aqui que aparece a metáfora marcelista de que "quem não tem cão, caça com gato". Na realidade, o conjunto de governantes que foi apresentado à Pátria, entre ministros e secretários de estado, suscitou quase unanimemente um enorme bocejo. Faltava ali qualquer coisa. Em geral, não havia nem densidade política, nem grande preparação. Era - e é - quase tudo bastante fraquinho. E há demasiado amadorismo nisto tudo. Estes últimos desenvolvimentos, que lhe saíram péssimos, demonstram que é necessário inverter a "política de caça". Barroso precisa de predadores de largo porte, leais, mas sem temores reverenciais e, de preferência, que não sejam venais. Doutro modo não irá muito longe. Definitivamente não pode ir à caça com "gatos". Arrisca-se a acabar arranhado e de sacola vazia.
Eu fui dos que votaram em Durão Barroso. O estilo mole e razoavelmente inconsequente de Guterres incomodava-me. E o Dr. Ferro manifestamente não impressionava e pouco tinha - e tem - de estimulante. Já em 1995 eu achava que Barroso devia ter sucedido a Cavaco, mas isso ainda não estava "escrito nas estrelas". A persistência foi premiada o ano passado, e eu acreditava que o nem sempre feliz candidato a primeiro-ministro, iria com certeza tornar-se um bom chefe de governo. No entanto, da vasta parafernália de apoiantes da campanha e de "nomes sonantes", pelas suas qualidades pessoais, políticas ou técnicas, que imaginávamos que pudessem vir a ser escolhidos, muito poucos ou nenhum chegou a ser "eleito". É aqui que aparece a metáfora marcelista de que "quem não tem cão, caça com gato". Na realidade, o conjunto de governantes que foi apresentado à Pátria, entre ministros e secretários de estado, suscitou quase unanimemente um enorme bocejo. Faltava ali qualquer coisa. Em geral, não havia nem densidade política, nem grande preparação. Era - e é - quase tudo bastante fraquinho. E há demasiado amadorismo nisto tudo. Estes últimos desenvolvimentos, que lhe saíram péssimos, demonstram que é necessário inverter a "política de caça". Barroso precisa de predadores de largo porte, leais, mas sem temores reverenciais e, de preferência, que não sejam venais. Doutro modo não irá muito longe. Definitivamente não pode ir à caça com "gatos". Arrisca-se a acabar arranhado e de sacola vazia.
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POLÍTICA DE CAÇA
Eu fui dos que votaram em Durão Barroso. O estilo mole e razoavelmente inconsequente de Guterres incomodava-me. E o Dr. Ferro manifestamente não impressionava e pouco tinha - e tem - de estimulante. Já em 1995 eu achava que Barroso devia ter sucedido a Cavaco, mas isso ainda não estava "escrito nas estrelas". A persistência foi premiada o ano passado, e eu acreditava que o nem sempre feliz candidato a primeiro-ministro, iria com certeza tornar-se um bom chefe de governo. No entanto, da vasta parafernália de apoiantes da campanha e de "nomes sonantes", pelas suas qualidades pessoais, políticas ou técnicas, que imaginávamos que pudessem vir a ser escolhidos, muito poucos ou nenhum chegou a ser "eleito". É aqui que aparece a metáfora marcelista de que "quem não tem cão, caça com gato". Na realidade, o conjunto de governantes que foi apresentado à Pátria, entre ministros e secretários de estado, suscitou quase unanimemente um enorme bocejo. Faltava ali qualquer coisa. Em geral, não havia nem densidade política, nem grande preparação. Era - e é - quase tudo bastante fraquinho. E há demasiado amadorismo nisto tudo. Estes últimos desenvolvimentos, que lhe saíram péssimos, demonstram que é necessário inverter a "política de caça". Barroso precisa de predadores de largo porte, leais, mas sem temores reverenciais e, de preferência, que não sejam venais. Doutro modo não irá muito longe. Definitivamente não pode ir à caça com "gatos". Arrisca-se a acabar arranhado e de sacola vazia.
Eu fui dos que votaram em Durão Barroso. O estilo mole e razoavelmente inconsequente de Guterres incomodava-me. E o Dr. Ferro manifestamente não impressionava e pouco tinha - e tem - de estimulante. Já em 1995 eu achava que Barroso devia ter sucedido a Cavaco, mas isso ainda não estava "escrito nas estrelas". A persistência foi premiada o ano passado, e eu acreditava que o nem sempre feliz candidato a primeiro-ministro, iria com certeza tornar-se um bom chefe de governo. No entanto, da vasta parafernália de apoiantes da campanha e de "nomes sonantes", pelas suas qualidades pessoais, políticas ou técnicas, que imaginávamos que pudessem vir a ser escolhidos, muito poucos ou nenhum chegou a ser "eleito". É aqui que aparece a metáfora marcelista de que "quem não tem cão, caça com gato". Na realidade, o conjunto de governantes que foi apresentado à Pátria, entre ministros e secretários de estado, suscitou quase unanimemente um enorme bocejo. Faltava ali qualquer coisa. Em geral, não havia nem densidade política, nem grande preparação. Era - e é - quase tudo bastante fraquinho. E há demasiado amadorismo nisto tudo. Estes últimos desenvolvimentos, que lhe saíram péssimos, demonstram que é necessário inverter a "política de caça". Barroso precisa de predadores de largo porte, leais, mas sem temores reverenciais e, de preferência, que não sejam venais. Doutro modo não irá muito longe. Definitivamente não pode ir à caça com "gatos". Arrisca-se a acabar arranhado e de sacola vazia.
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