O optimismo antropológico ainda mexe. As esquerdas que aprovaram as alterações à legislação sobre o aborto acreditam que, em sessenta dias, o SNS - o das urgências e das trapalhadas do dr. Campos - terá condições para receber as mulheres e a sua privativa vontade de abortar. Em vinte e três anos, o Estado não conseguiu sequer criar condições para cumprir a lei ainda em vigor. Vai criá-las em dois meses?
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
27.2.07
A URGÊNCIA
O optimismo antropológico ainda mexe. As esquerdas que aprovaram as alterações à legislação sobre o aborto acreditam que, em sessenta dias, o SNS - o das urgências e das trapalhadas do dr. Campos - terá condições para receber as mulheres e a sua privativa vontade de abortar. Em vinte e três anos, o Estado não conseguiu sequer criar condições para cumprir a lei ainda em vigor. Vai criá-las em dois meses?
FASCISMO -2
O meu amigo Eduardo escandalizou-se por eu ter utilizado o termo "fascismo" para definir a intervenção da EMEL, em Lisboa, junto de automóveis e condutores. Reafirmo-o. Fora das áreas concessionadas à dita EMEL, não enxergo como é que a dita cuja possa ou deva interferir. Por este andar, qualquer pessoa, individual ou colectiva, pode ter poderes de autoridade. Sim, porque é disso que se trata quando aqueles objectos amarelos são colocados nos pneus das viaturas ou os carros são rebocados, repito, fora das áreas concessionadas. Aí, entra, como lhe compete, a polícia que chamo quando fico impedido de me mover por estacionamentos errados: telefono para o 112. Não me passa pela cabeça ligar para a EMEL ou para outra entidade qualquer. Olhe, da próxima vez ligo-lhe a si.
FASCISMO -2
O meu amigo Eduardo escandalizou-se por eu ter utilizado o termo "fascismo" para definir a intervenção da EMEL, em Lisboa, junto de automóveis e condutores. Reafirmo-o. Fora das áreas concessionadas à dita EMEL, não enxergo como é que a dita cuja possa ou deva interferir. Por este andar, qualquer pessoa, individual ou colectiva, pode ter poderes de autoridade. Sim, porque é disso que se trata quando aqueles objectos amarelos são colocados nos pneus das viaturas ou os carros são rebocados, repito, fora das áreas concessionadas. Aí, entra, como lhe compete, a polícia que chamo quando fico impedido de me mover por estacionamentos errados: telefono para o 112. Não me passa pela cabeça ligar para a EMEL ou para outra entidade qualquer. Olhe, da próxima vez ligo-lhe a si.
LAÇOS DE TERNURA

Ocorreu hoje no Parlamento um gesto inesquecível. As esquerdas - PC e partículas verdes adjacentes, o BE e o PS circunstancialmente "progressista" - uniram-se e aprovaram o projecto de lei destinado a satisfazer o "sim" de 11 de Fevereiro. Não há "acompanhamento", mas há "reflexão". Há objecção de consciência, mas quem for objector vai para uma lista. Os "objectores", aliás, estão proibidos de ajudar na "reflexão". Depois, há pressa destas esquerdas em ver a lei aprovada. Pena é que não lhes dêem "as pressas" para outras coisas. De qualquer forma, tão cedo não os veremos juntos outra vez. Bonito, sem dúvida.
LAÇOS DE TERNURA

Ocorreu hoje no Parlamento um gesto inesquecível. As esquerdas - PC e partículas verdes adjacentes, o BE e o PS circunstancialmente "progressista" - uniram-se e aprovaram o projecto de lei destinado a satisfazer o "sim" de 11 de Fevereiro. Não há "acompanhamento", mas há "reflexão". Há objecção de consciência, mas quem for objector vai para uma lista. Os "objectores", aliás, estão proibidos de ajudar na "reflexão". Depois, há pressa destas esquerdas em ver a lei aprovada. Pena é que não lhes dêem "as pressas" para outras coisas. De qualquer forma, tão cedo não os veremos juntos outra vez. Bonito, sem dúvida.
MONSTROS -2
O "estilo correio da manhã" já se insinua na capa do Diário de Notícias. Se servir para revelar o regime nos seus interstícios doentios, melhor. E se apresentar os "virtuosos" do regime no seu esplendor e miséria, óptimo. Afinal, qual é a diferença entre isso e divulgar como puro espectáculo menos de metade da unidade como uma estatística vitoriosa e um "resultado"? Tivesse sido Santana Lopes a fazê-lo, e quantos "perguntistas do regime" estariam hoje numa erótica perturbação, rindo e exigindo cabeças atrás de cabeças?
MONSTROS -2
O "estilo correio da manhã" já se insinua na capa do Diário de Notícias. Se servir para revelar o regime nos seus interstícios doentios, melhor. E se apresentar os "virtuosos" do regime no seu esplendor e miséria, óptimo. Afinal, qual é a diferença entre isso e divulgar como puro espectáculo menos de metade da unidade como uma estatística vitoriosa e um "resultado"? Tivesse sido Santana Lopes a fazê-lo, e quantos "perguntistas do regime" estariam hoje numa erótica perturbação, rindo e exigindo cabeças atrás de cabeças?
UM RACIOCÍNIO
Grande artigo de José Medeiros Ferreira sobre a Madeira, Jardim e o "Continente". Depois de dias e dias de prosas miseráveis e preconceituosas sobre o presidente do governo regional da Madeira (com a excepção de uma crónica de Vasco Pulido Valente no fim de semana), finalmente um raciocínio. "João Jardim é um dos últimos animais políticos de um regime que detesta e que o detesta, mas para o qual tem uma vocação inata. Num regime autoritário e burocrático, possivelmente não teria ido além da Câmara do Funchal. A liberdade, de certa maneira malgré lui, deu-lhe asas e despertou-lhe qualidades de estratego político que o guindaram a personalidade nacional num estilo inimitável. E o que é inimitável tem, pelo menos, carácter. Alberto João Jardim não é um político banal. De entre os seus predicados políticos sobressaem a audácia e o realismo. O golpe que acaba de desferir tem a ver com o seu lado audacioso."
UM RACIOCÍNIO
Grande artigo de José Medeiros Ferreira sobre a Madeira, Jardim e o "Continente". Depois de dias e dias de prosas miseráveis e preconceituosas sobre o presidente do governo regional da Madeira (com a excepção de uma crónica de Vasco Pulido Valente no fim de semana), finalmente um raciocínio. "João Jardim é um dos últimos animais políticos de um regime que detesta e que o detesta, mas para o qual tem uma vocação inata. Num regime autoritário e burocrático, possivelmente não teria ido além da Câmara do Funchal. A liberdade, de certa maneira malgré lui, deu-lhe asas e despertou-lhe qualidades de estratego político que o guindaram a personalidade nacional num estilo inimitável. E o que é inimitável tem, pelo menos, carácter. Alberto João Jardim não é um político banal. De entre os seus predicados políticos sobressaem a audácia e o realismo. O golpe que acaba de desferir tem a ver com o seu lado audacioso."
26.2.07
MONSTROS
Zero vírgula quatro na redução das pendências processuais, e Sócrates não faz a coisa por menos: primeira vitória sobre o monstro. Sobre o monstro do desemprego - a crescer - nem uma palavra. Há monstros menos monstros do que outros.
MONSTROS
Zero vírgula quatro na redução das pendências processuais, e Sócrates não faz a coisa por menos: primeira vitória sobre o monstro. Sobre o monstro do desemprego - a crescer - nem uma palavra. Há monstros menos monstros do que outros.
FASCISMO

A EMEL, uma aberração empresarial da CML, passou a ter poderes de polícia, designadamente multar e rebocar carros. No momento em que a Câmara de Lisboa soçobra na inércia e na lama, a prioridade desta gente é chatear os condutores de Lisboa com reboques, autuações e radares. Qualquer dia temos de empurrar os carros como vulgares carroças para não incomodar o radar. Isto é fascismo. Pena que aqueles que andam sempre a puxar da constituição e da lei por dá cá aquela palha, não questionem esta extravagância camarária. O raio que os parta a todos.
FASCISMO

A EMEL, uma aberração empresarial da CML, passou a ter poderes de polícia, designadamente multar e rebocar carros. No momento em que a Câmara de Lisboa soçobra na inércia e na lama, a prioridade desta gente é chatear os condutores de Lisboa com reboques, autuações e radares. Qualquer dia temos de empurrar os carros como vulgares carroças para não incomodar o radar. Isto é fascismo. Pena que aqueles que andam sempre a puxar da constituição e da lei por dá cá aquela palha, não questionem esta extravagância camarária. O raio que os parta a todos.
ELEIÇÕES ANTECIPADAS
Há momentos da nossa vida em que nos devia ser permitido sair dela e provocar eleições antecipadas.
ELEIÇÕES ANTECIPADAS
Há momentos da nossa vida em que nos devia ser permitido sair dela e provocar eleições antecipadas.
O PREPARADO

Calhou à veneranda figura do presidente do PS - o dr. Almeida Santos, verdadeiro totem do regime - representar o PS na audiência com o PR sobre a Madeira. O ancião prosador, à saída, lembrou-se de dizer que "o nosso líder na Madeira tem feito queixas de que, estando o Governo [regional] em gestão, continua a usar os poderes que teria se não estivesse em gestão em matéria eleitoral ou mesmo eleitoralista." O líder dele na Madeira, o sr. Serrão, não abriu a burra dos queixos para, ao contrário de todos os outros partidos "regionais", criticar a lei das finanças regionais que prejudica objectivamente a Madeira. Neste sentido, Almeida Santos tem razão. O sr. Serrão pouco mais pode fazer do que queixinhas de Alberto João, apesar, diz ele, de "estar preparado". Preparado para quê? O PS na Madeira é assim. Chega sempre atrasado e não dá mais do que isto.
O PREPARADO

Calhou à veneranda figura do presidente do PS - o dr. Almeida Santos, verdadeiro totem do regime - representar o PS na audiência com o PR sobre a Madeira. O ancião prosador, à saída, lembrou-se de dizer que "o nosso líder na Madeira tem feito queixas de que, estando o Governo [regional] em gestão, continua a usar os poderes que teria se não estivesse em gestão em matéria eleitoral ou mesmo eleitoralista." O líder dele na Madeira, o sr. Serrão, não abriu a burra dos queixos para, ao contrário de todos os outros partidos "regionais", criticar a lei das finanças regionais que prejudica objectivamente a Madeira. Neste sentido, Almeida Santos tem razão. O sr. Serrão pouco mais pode fazer do que queixinhas de Alberto João, apesar, diz ele, de "estar preparado". Preparado para quê? O PS na Madeira é assim. Chega sempre atrasado e não dá mais do que isto.
O PIVOT
Fica mal a um professor com o currículo académico de Vital Moreira, a um cidadão com o currículo político de Vital Moreira, a um militante com o currículo partidário de Vital Moreira armar-se em pivot da central de propaganda e de contra-propaganda do governo. Os apresentadores do telejornal da RTP já fazem isso com uma razoável proficiência. Todavia, há hábitos que nunca se perdem.Pior mesmo é o ilustre catedrático defender com unhas e dentes - coisa que nem Sócrates prudentemente se atreve a fazer em público - o ministro da Saúde. Correia de Campos consolida o seu autismo, empurrando os disparates diários com a barriga. Se calhar, todos os governos precisam de um entertainer. Com a sorte que Deus lhe deu, Sócrates tem três. Pinho e Lino completam a santíssima trindade por onde começa a desgraça do seu "certinho" executivo. Não precisa de nenhum Dutra Faria sofisticado. Muito menos de Coimbra.
O PIVOT
Fica mal a um professor com o currículo académico de Vital Moreira, a um cidadão com o currículo político de Vital Moreira, a um militante com o currículo partidário de Vital Moreira armar-se em pivot da central de propaganda e de contra-propaganda do governo. Os apresentadores do telejornal da RTP já fazem isso com uma razoável proficiência. Todavia, há hábitos que nunca se perdem.Pior mesmo é o ilustre catedrático defender com unhas e dentes - coisa que nem Sócrates prudentemente se atreve a fazer em público - o ministro da Saúde. Correia de Campos consolida o seu autismo, empurrando os disparates diários com a barriga. Se calhar, todos os governos precisam de um entertainer. Com a sorte que Deus lhe deu, Sócrates tem três. Pinho e Lino completam a santíssima trindade por onde começa a desgraça do seu "certinho" executivo. Não precisa de nenhum Dutra Faria sofisticado. Muito menos de Coimbra.
25.2.07
O SUPRA-PORTAS - 2
Marques Mendes "safou-se" bem na entrevista a Ana Lourenço, na SIC Notícias. Insistiu na tese do país anestesiado e do pesadelo que o espera quando acordar. Explicou Jardim. A pedra no sapato é, porém, a Câmara de Lisboa. O PSD que está agarrado a ela, não presta. Nem o que lá passou, nem o que lá está. Mendes é melhor que isto, só que isto pode transformar Mendes em pior do que ele, na realidade, é. Politicamente, claro. Quanto a Portas, ler dois posts de Henrique Raposo, "Portas I" e "Portas II". "Se for para regressar para fazer o costume, com as ideias do costume, com as caras do costume, com a praxis do costume, então deixe-se estar quieto. Portas tem de captar nova gente. Gente que se encontra dispersa porque não tem pachorra para as quadrilhas de mabecos. Os eleitores estão fartos das mesmas caras. Sendo Portas uma cara do costume, tem de aparecer com um novo discurso e com uma equipa nova."
O SUPRA-PORTAS - 2
Marques Mendes "safou-se" bem na entrevista a Ana Lourenço, na SIC Notícias. Insistiu na tese do país anestesiado e do pesadelo que o espera quando acordar. Explicou Jardim. A pedra no sapato é, porém, a Câmara de Lisboa. O PSD que está agarrado a ela, não presta. Nem o que lá passou, nem o que lá está. Mendes é melhor que isto, só que isto pode transformar Mendes em pior do que ele, na realidade, é. Politicamente, claro. Quanto a Portas, ler dois posts de Henrique Raposo, "Portas I" e "Portas II". "Se for para regressar para fazer o costume, com as ideias do costume, com as caras do costume, com a praxis do costume, então deixe-se estar quieto. Portas tem de captar nova gente. Gente que se encontra dispersa porque não tem pachorra para as quadrilhas de mabecos. Os eleitores estão fartos das mesmas caras. Sendo Portas uma cara do costume, tem de aparecer com um novo discurso e com uma equipa nova."
O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -3


O deus Wotan, o "senhor dos exércitos" e pai das Valquírias - são nove, mas Brünnhilde, filha de Wotan e de Erda, não é irmã uterina das outras oito - , deixou-se envolver pelo sortilégio do "ouro do Reno" no homónimo prólogo da tetralogia, cuja posse obriga a renunciar ao amor. Tudo gira, nestas quatro óperas, em torno da ambição, do amor, da renúncia, da solidão dos poderosos, o pathos para o "crepúsculo dos deuses" - anunciado por Erda no Prólogo - com que se encerra a tetralogia. Essa atracção pelo abismo começa logo na primeira jornada, presentemente em cena no São Carlos, com Wotan a reclamar "o fim" quando percebe que ele, o deus, é o menos livre de todos os homens. Menos do que Siegmund (também seu filho noutras "núpcias") cuja morte é exigida pela sua mulher, a deusa Fricka. É um Wotan impotente e dividido entre o poder e o amor que, no final da "Valquíria", reclama a vinda de um homem "mais livre do que ele, o deus". Será Siegfried, fruto do amor incestuoso de Siegmund e Sieglinde, e título da jornada seguinte da tetralogia. Wotan - como Brünnhilde, aliás - estão entre nós, simples e miseráveis humanos, e é esse o "sentido" da encenação de Graham Vick para o São Carlos, pejada de titãs solitários e de chiquérrimas "valquírias" que podiam perfeitamente ter sido vestidas por Yves Saint Laurent.Nota: Fotos do 3º Acto de "A Valquíria", de Richard Wagner, numa encenação de Graham Vick para o Teatro Nacional de São Carlos. Até dia 10 de Março.
O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -3
.jpg)
.jpg)
O deus Wotan, o "senhor dos exércitos" e pai das Valquírias - são nove, mas Brünnhilde, filha de Wotan e de Erda, não é irmã uterina das outras oito - , deixou-se envolver pelo sortilégio do "ouro do Reno" no homónimo prólogo da tetralogia, cuja posse obriga a renunciar ao amor. Tudo gira, nestas quatro óperas, em torno da ambição, do amor, da renúncia, da solidão dos poderosos, o pathos para o "crepúsculo dos deuses" - anunciado por Erda no Prólogo - com que se encerra a tetralogia. Essa atracção pelo abismo começa logo na primeira jornada, presentemente em cena no São Carlos, com Wotan a reclamar "o fim" quando percebe que ele, o deus, é o menos livre de todos os homens. Menos do que Siegmund (também seu filho noutras "núpcias") cuja morte é exigida pela sua mulher, a deusa Fricka. É um Wotan impotente e dividido entre o poder e o amor que, no final da "Valquíria", reclama a vinda de um homem "mais livre do que ele, o deus". Será Siegfried, fruto do amor incestuoso de Siegmund e Sieglinde, e título da jornada seguinte da tetralogia. Wotan - como Brünnhilde, aliás - estão entre nós, simples e miseráveis humanos, e é esse o "sentido" da encenação de Graham Vick para o São Carlos, pejada de titãs solitários e de chiquérrimas "valquírias" que podiam perfeitamente ter sido vestidas por Yves Saint Laurent.Nota: Fotos do 3º Acto de "A Valquíria", de Richard Wagner, numa encenação de Graham Vick para o Teatro Nacional de São Carlos. Até dia 10 de Março.
O SUPRA-PORTAS

A propósito da hipotética emergência de Paulo Portas, escreve Vasco Pulido Valente que "há um sentimento geral de que a direita está impotente perante Sócrates." Acrescentaria a este nome o de Cavaco Silva. A sua eleição "secou" a direita político-partidária. Marques Mendes não "descola" e enrola-se inexplicavelmente no drama lisboeta, o que lhe retira autoridade e credibilidade para falar sobre o que quer que seja. Ribeiro e Castro praticamente não conta. Até mais ver - e a direita político-partidária não pode esperar para ver -, o Presidente da República prefere, para já, ser um "terceiro Sampaio" do que o protagonista que se insinuou na campanha presidencial. Enquanto o artificialismo de Sócrates não se estatelar a seus pés, Cavaco não mexe uma palha. Sócrates quer outra maioria com os votos da direita e do centro e Cavaco, pelos vistos, acha bem. É aqui que pode entrar Portas. Como? É mais livre perante Cavaco. Portas, no galarim, incomoda Cavaco e, indirectamente, "puxa" por ele. Como Jardim a partir da Madeira. Em segundo lugar, e se - e só se - Portas se libertar da sua irritante caricatura, feita de um misto de gravitas, de "socialite light" e de feira de Carcavelos, valerá a pena prestar-lhe alguma atenção. Depois, Portas precisa de ultrapassar o tropismo paroquial que o empurra, não para fora do seu pequenino partido, mas bem para dentro dele. Seria desperdiçar a sua inegável inteligência política e, porventura, uma razoável oportunidade, aparecer para tratar de mera intendência que não interessa nada ao país. Só se impõe quem consegue crescer do partido (seja ele qual for) para a nação. Finalmente, Portas deve ser claríssimo quanto à recusa em dar uma "mãozinha" a Sócrates, a troco de umas migalhitas, se ele precisar dela em 2009. De invertebrados já estamos razoavelmente servidos, graças a Deus.
O SUPRA-PORTAS

A propósito da hipotética emergência de Paulo Portas, escreve Vasco Pulido Valente que "há um sentimento geral de que a direita está impotente perante Sócrates." Acrescentaria a este nome o de Cavaco Silva. A sua eleição "secou" a direita político-partidária. Marques Mendes não "descola" e enrola-se inexplicavelmente no drama lisboeta, o que lhe retira autoridade e credibilidade para falar sobre o que quer que seja. Ribeiro e Castro praticamente não conta. Até mais ver - e a direita político-partidária não pode esperar para ver -, o Presidente da República prefere, para já, ser um "terceiro Sampaio" do que o protagonista que se insinuou na campanha presidencial. Enquanto o artificialismo de Sócrates não se estatelar a seus pés, Cavaco não mexe uma palha. Sócrates quer outra maioria com os votos da direita e do centro e Cavaco, pelos vistos, acha bem. É aqui que pode entrar Portas. Como? É mais livre perante Cavaco. Portas, no galarim, incomoda Cavaco e, indirectamente, "puxa" por ele. Como Jardim a partir da Madeira. Em segundo lugar, e se - e só se - Portas se libertar da sua irritante caricatura, feita de um misto de gravitas, de "socialite light" e de feira de Carcavelos, valerá a pena prestar-lhe alguma atenção. Depois, Portas precisa de ultrapassar o tropismo paroquial que o empurra, não para fora do seu pequenino partido, mas bem para dentro dele. Seria desperdiçar a sua inegável inteligência política e, porventura, uma razoável oportunidade, aparecer para tratar de mera intendência que não interessa nada ao país. Só se impõe quem consegue crescer do partido (seja ele qual for) para a nação. Finalmente, Portas deve ser claríssimo quanto à recusa em dar uma "mãozinha" a Sócrates, a troco de umas migalhitas, se ele precisar dela em 2009. De invertebrados já estamos razoavelmente servidos, graças a Deus.
UM PRODUTO NACIONAL
Ramos Horta é um produto tipicamente português. Foi apascentado pelo orçamento português nas suas múltiplas viagens por esse mundo fora em nome de Timor-Leste. Foi o regime, o nosso, nas suas duas únicas cambiantes - a socialista e a "laranja", S. Bento e Belém - que, anos a fio, andou com o homem ao colo, do outro lado do mundo à 47ª Street em Nova Iorque. É, pois, este produto nacional devidamente reciclado pela "experiência" internacional e pelo Nobel da Paz que se prepara agora para suceder ao improvável mas generoso Xanana, doido por ir tratar da sua vida em sossego. “Foram semanas de reflexão e de muita hesitação. Reflecti sobre a honrosa mas muita penosa missão de me candidatar a chefe de Estado", afirmou, sem se rir, Ramos Horta. Há quantos anos é que que ele andava a preparar isto? Pois é. Uma vez "português", toda a vida "português".
UM PRODUTO NACIONAL
Ramos Horta é um produto tipicamente português. Foi apascentado pelo orçamento português nas suas múltiplas viagens por esse mundo fora em nome de Timor-Leste. Foi o regime, o nosso, nas suas duas únicas cambiantes - a socialista e a "laranja", S. Bento e Belém - que, anos a fio, andou com o homem ao colo, do outro lado do mundo à 47ª Street em Nova Iorque. É, pois, este produto nacional devidamente reciclado pela "experiência" internacional e pelo Nobel da Paz que se prepara agora para suceder ao improvável mas generoso Xanana, doido por ir tratar da sua vida em sossego. “Foram semanas de reflexão e de muita hesitação. Reflecti sobre a honrosa mas muita penosa missão de me candidatar a chefe de Estado", afirmou, sem se rir, Ramos Horta. Há quantos anos é que que ele andava a preparar isto? Pois é. Uma vez "português", toda a vida "português".
MOVIES

Os "óscares" é matéria que não me interessa nada. Os nossos diários e periódicos encheram folhas e folhas com a coisa. Só prestei atenção a uma curta entrevista de um velho senhor, Peter O'Toole, que o Actual do Expresso reproduziu parcialmente. Parece que o pretexto - um filme intitulado "Venus" - não vale a deslocação. Já O' Toole vale a leitura. Está aqui, no original. Mais uma vez, aprende-se muito com os velhinhos.
Adenda: A propos, assisti a um filme cujo título original é "Little Children" e que, em português, deu "pecados íntimos". Com ou sem estatueta, é, na sequência de "American Beauty" ou de "Magnolia", um grande filme sobre esse case study chamado EUA, a nação das crianças grandes como o seu presidente. Grande - porque esquizofrénica - interpretação da rapariga da foto, a ex-menina "Titanic" do De Caprio, que a dada altura disserta soberbamente sobre Emma Bovary, a eterna "slut" da pequena burguesia de espírito. Sobre o livro, existe este post/artigo do Eduardo Pitta.
MOVIES

Os "óscares" é matéria que não me interessa nada. Os nossos diários e periódicos encheram folhas e folhas com a coisa. Só prestei atenção a uma curta entrevista de um velho senhor, Peter O'Toole, que o Actual do Expresso reproduziu parcialmente. Parece que o pretexto - um filme intitulado "Venus" - não vale a deslocação. Já O' Toole vale a leitura. Está aqui, no original. Mais uma vez, aprende-se muito com os velhinhos.
Adenda: A propos, assisti a um filme cujo título original é "Little Children" e que, em português, deu "pecados íntimos". Com ou sem estatueta, é, na sequência de "American Beauty" ou de "Magnolia", um grande filme sobre esse case study chamado EUA, a nação das crianças grandes como o seu presidente. Grande - porque esquizofrénica - interpretação da rapariga da foto, a ex-menina "Titanic" do De Caprio, que a dada altura disserta soberbamente sobre Emma Bovary, a eterna "slut" da pequena burguesia de espírito. Sobre o livro, existe este post/artigo do Eduardo Pitta.
24.2.07
A MEMBRO DO CLUBE

Nunca estou de acordo com Ana Gomes. Nunca. Todavia, o "retrato" dela numa entrevista concedida ao Expresso revela uma mulher que possui algo que falta a muitos homens. Em certo sentido, pareceu-me um A. J. Jardim no feminino. Num partido artificial e monolítico como o actual PS, Ana Gomes está condenada o que, segundo a entrevista, não a maça nada. Depois, define primorosamente o dr. Barroso em dois ou três momentos. O primeiro, quando aponta a "espinha dorsal" como um grave problema do homem que exportámos para a Europa e que está morto por voltar. O segundo, quando ele lhe explicou, um dia, para que serviam os partidos. Bem vinda ao clube dos poetas mortos.
A MEMBRO DO CLUBE

Nunca estou de acordo com Ana Gomes. Nunca. Todavia, o "retrato" dela numa entrevista concedida ao Expresso revela uma mulher que possui algo que falta a muitos homens. Em certo sentido, pareceu-me um A. J. Jardim no feminino. Num partido artificial e monolítico como o actual PS, Ana Gomes está condenada o que, segundo a entrevista, não a maça nada. Depois, define primorosamente o dr. Barroso em dois ou três momentos. O primeiro, quando aponta a "espinha dorsal" como um grave problema do homem que exportámos para a Europa e que está morto por voltar. O segundo, quando ele lhe explicou, um dia, para que serviam os partidos. Bem vinda ao clube dos poetas mortos.
A QUADRATURA DO CÍRCULO
O Henrique Raposo sintetiza bem a coisa, ao contrário de alguns colegas de blogue que aprenderam na "cartilha anti-Jardim" em vigor há trinta anos com o sucesso que se conhece: "há que admirar a coragem do homem: diz o que pensa num país em que os políticos medem tudo o que dizem, com medo de desagradar a quadratura do círculo. Depois, Alberto João não enriqueceu. Não usou a política para ficar mais rico."
A QUADRATURA DO CÍRCULO
O Henrique Raposo sintetiza bem a coisa, ao contrário de alguns colegas de blogue que aprenderam na "cartilha anti-Jardim" em vigor há trinta anos com o sucesso que se conhece: "há que admirar a coragem do homem: diz o que pensa num país em que os políticos medem tudo o que dizem, com medo de desagradar a quadratura do círculo. Depois, Alberto João não enriqueceu. Não usou a política para ficar mais rico."
CHAMAR À RAZÃO
O primeiro-ministro "chamou a si" o dossiê das urgências que tem vindo a provocar assuadas um pouco por todo o país. Já anteriormente o chefe do governo tinha "chamado a si" outros dossiês que os respectivos ministros não sabem tratar. Tudo para evitar o óbvio: correr com eles. Em Lisboa, o presidente da Câmara "chamou a si" uma data de pelouros devido à lenta agonia em curso. Também para evitar o óbvio: eleições. Quando o chefe "chama a si" qualquer coisa é sempre sinal de que qualquer coisa não está bem. Aliás, no caso de Sócrates, isto só confirma uma evidência eucaliptal. Se com ele é assim, imagine-se o que seria sem ele. Chamem-no à razão.
CHAMAR À RAZÃO
O primeiro-ministro "chamou a si" o dossiê das urgências que tem vindo a provocar assuadas um pouco por todo o país. Já anteriormente o chefe do governo tinha "chamado a si" outros dossiês que os respectivos ministros não sabem tratar. Tudo para evitar o óbvio: correr com eles. Em Lisboa, o presidente da Câmara "chamou a si" uma data de pelouros devido à lenta agonia em curso. Também para evitar o óbvio: eleições. Quando o chefe "chama a si" qualquer coisa é sempre sinal de que qualquer coisa não está bem. Aliás, no caso de Sócrates, isto só confirma uma evidência eucaliptal. Se com ele é assim, imagine-se o que seria sem ele. Chamem-no à razão.
O TRANSBORDO

Ana Paula Vitorino, futura substituta do seu ministro, Mário Lino, anunciou uma alteração ao "traçado" do TGV que permita a passagem do vitesse pela OTA para "largar" e recolher passageiros de avião. Em linguagem socrática, a única que Ana Paula conhece, chama-se a isto "serviço prestado aos passageiros na intermodalidade aéreo-ferroviária, pois não necessitará de um transbordo suplementar". Esta insensata dupla OTA/TGV, sobretudo o primeiro, à medida que avança, mais contribui para o "transbordo" do governo a que Ana Paula pertence. Espero que o colaborante PR tenha presente a sua opinião sobre esta delirante "infra-estrutura aeroportuária" que ameaça comprometer praticamente tudo se não for parada a tempo. Se é que ainda vai a tempo.
O TRANSBORDO

Ana Paula Vitorino, futura substituta do seu ministro, Mário Lino, anunciou uma alteração ao "traçado" do TGV que permita a passagem do vitesse pela OTA para "largar" e recolher passageiros de avião. Em linguagem socrática, a única que Ana Paula conhece, chama-se a isto "serviço prestado aos passageiros na intermodalidade aéreo-ferroviária, pois não necessitará de um transbordo suplementar". Esta insensata dupla OTA/TGV, sobretudo o primeiro, à medida que avança, mais contribui para o "transbordo" do governo a que Ana Paula pertence. Espero que o colaborante PR tenha presente a sua opinião sobre esta delirante "infra-estrutura aeroportuária" que ameaça comprometer praticamente tudo se não for parada a tempo. Se é que ainda vai a tempo.
23.2.07
LER OS OUTROS
Está certo, anarca. Todavia, e que mal te pergunte, os "fundos" para Trás-os-Montes, Setúbal, Açores, Beiras ou outra "província" qualquer vêm de onde? Da Cordilheira dos Andes? Arranja aí umas fotos da Madeira em 1976, e depois falamos.
LER OS OUTROS
Está certo, anarca. Todavia, e que mal te pergunte, os "fundos" para Trás-os-Montes, Setúbal, Açores, Beiras ou outra "província" qualquer vêm de onde? Da Cordilheira dos Andes? Arranja aí umas fotos da Madeira em 1976, e depois falamos.
O PNAAEOT
Há já uns tempos que o senhor engenheiro não nos fornecia, em nome da modernidade que vagueia na sua soturna cabeça, uma sigla. É certo que, com o aborto, entrámos no século XXI, mas tardava outro sinal depois do PRACE ou do SIMPLEX. Por isso, chega hoje, certamente em powerpoint, o "Plano Nacional de Acção do Ano Europeu de Oportunidades para Todos" (o PNAAEOT). O título - pura poesia concreta - mais parece coisa da sinistra 1ª República, ou mesmo da FNAT do ominoso Salazar, do que de modernaços como Sócrates e seus epígonos amestrados. Mas isto sou eu, que sou muito antigo, a dizer.
O PNAAEOT
Há já uns tempos que o senhor engenheiro não nos fornecia, em nome da modernidade que vagueia na sua soturna cabeça, uma sigla. É certo que, com o aborto, entrámos no século XXI, mas tardava outro sinal depois do PRACE ou do SIMPLEX. Por isso, chega hoje, certamente em powerpoint, o "Plano Nacional de Acção do Ano Europeu de Oportunidades para Todos" (o PNAAEOT). O título - pura poesia concreta - mais parece coisa da sinistra 1ª República, ou mesmo da FNAT do ominoso Salazar, do que de modernaços como Sócrates e seus epígonos amestrados. Mas isto sou eu, que sou muito antigo, a dizer.
OS CANIBAIS
Manoel de Oliveira fez, há muitos anos, um filme intitulado "Os Canibais". O protagonista era o inevitável Cintra que, se bem me lembro, ia-se "desfazendo" todo durante o filme até restar apenas uma cabeça que emitia sinais faciais. Vem isto a propósito da Câmara de Lisboa. Também ela se esfarela lentamente às mãos de meia dúzia de caciques político-partidários de diversas proveniências. Aparentemente ainda só estão imdemnes o sr. Fernandes do BE - esse é mais bandarilheiro do que vereador - e o Ruben de Carvalho, já que os delegados do sr. Coelho, os do PS, não contam. Aliás, a "postura" do PS, desde Carrilho até ao momento, é todo um programa de pura indigência e hipocrisia políticas. Finalmente, a governanta Zezinha também já entra nos jogos florais. Uma tristeza. Marques Mendes faria bem - só lhe fazia bem - em varrer sumariamente a Câmara e colocá-la à disposição do eleitorado de Lisboa. Nem que, a seguir, avançasse ele. Qualquer coisa é melhor do que esta miserável novela mexicana.
OS CANIBAIS
Manoel de Oliveira fez, há muitos anos, um filme intitulado "Os Canibais". O protagonista era o inevitável Cintra que, se bem me lembro, ia-se "desfazendo" todo durante o filme até restar apenas uma cabeça que emitia sinais faciais. Vem isto a propósito da Câmara de Lisboa. Também ela se esfarela lentamente às mãos de meia dúzia de caciques político-partidários de diversas proveniências. Aparentemente ainda só estão imdemnes o sr. Fernandes do BE - esse é mais bandarilheiro do que vereador - e o Ruben de Carvalho, já que os delegados do sr. Coelho, os do PS, não contam. Aliás, a "postura" do PS, desde Carrilho até ao momento, é todo um programa de pura indigência e hipocrisia políticas. Finalmente, a governanta Zezinha também já entra nos jogos florais. Uma tristeza. Marques Mendes faria bem - só lhe fazia bem - em varrer sumariamente a Câmara e colocá-la à disposição do eleitorado de Lisboa. Nem que, a seguir, avançasse ele. Qualquer coisa é melhor do que esta miserável novela mexicana.
22.2.07
O "PAÍS BRAGAPARQUE"
"Entre 1991 e 2005, as leis anticorrupção estiveram na origem de 20 iniciativas legislativas, entre propostas de lei do Governo, projectos de lei da Assembleia da República, propostas de resolução. Destas, 17 foram aprovadas e três rejeitadas. Hoje, a Assembleia da República volta a discutir, de uma assentada, 15 projectos de lei sobre este crime. (..) Tácito, um filósofo e senador de Roma, dizia que "quanto mais corrupta é a República, mais numerosas são as leis" . A juíza Fátima Mata-Mouros cita-o no seu mais recente livro, "O Direito à Inocência", para sustentar que "de nada serve remendar a norma penal, se a evolução dos regimes administrativos e do direito empresarial persiste em percorrer o labirinto normativo, ainda que disfarçado de um propagandístico invólucro denominado "Simplex".
Nota: Do Público de hoje. E a partir do minuto (-2:17) do vídeo está o melhor "comentário" ao "país Bragaparque"
O "PAÍS BRAGAPARQUE"
"Entre 1991 e 2005, as leis anticorrupção estiveram na origem de 20 iniciativas legislativas, entre propostas de lei do Governo, projectos de lei da Assembleia da República, propostas de resolução. Destas, 17 foram aprovadas e três rejeitadas. Hoje, a Assembleia da República volta a discutir, de uma assentada, 15 projectos de lei sobre este crime. (..) Tácito, um filósofo e senador de Roma, dizia que "quanto mais corrupta é a República, mais numerosas são as leis" . A juíza Fátima Mata-Mouros cita-o no seu mais recente livro, "O Direito à Inocência", para sustentar que "de nada serve remendar a norma penal, se a evolução dos regimes administrativos e do direito empresarial persiste em percorrer o labirinto normativo, ainda que disfarçado de um propagandístico invólucro denominado "Simplex".
Nota: Do Público de hoje. E a partir do minuto (-2:17) do vídeo está o melhor "comentário" ao "país Bragaparque"
AJJ
Este post do Duarte Calvão é duplamente corajoso. Primeiro, porque ele é jornalista. Depois, porque é raro (raro é um exagero) ver um jornalista do regime - não é manifestamente o caso do Duarte, até porque ele não é dado a "regimes" - elogiar Alberto João Jardim. Salvo a parte do charuto, tiraste-me as palavras da boca.
AJJ
Este post do Duarte Calvão é duplamente corajoso. Primeiro, porque ele é jornalista. Depois, porque é raro (raro é um exagero) ver um jornalista do regime - não é manifestamente o caso do Duarte, até porque ele não é dado a "regimes" - elogiar Alberto João Jardim. Salvo a parte do charuto, tiraste-me as palavras da boca.
A FALTA
O sr. Romano Prodi, que chefiava um governo improvável em Itália, demitiu-se. Prodi antecedeu o glorioso dr. Barroso na presidência da comissão europeia. Não brilhou, nem voou. Barroso também não voa. Limita-se a ser astuto, uma coisa que se aprende lendo o "livro vermelho" do Grande Timoneiro, uma falta imperdoável do sr. Prodi.
A FALTA
O sr. Romano Prodi, que chefiava um governo improvável em Itália, demitiu-se. Prodi antecedeu o glorioso dr. Barroso na presidência da comissão europeia. Não brilhou, nem voou. Barroso também não voa. Limita-se a ser astuto, uma coisa que se aprende lendo o "livro vermelho" do Grande Timoneiro, uma falta imperdoável do sr. Prodi.
A CRISE DA IMAGINAÇÃO
"Se houvesse o hábito de estudar história, ter-se-ia reconhecido aqui uma repetição. Na segunda metade do século XIX, a expansão da rede escolar, que mal fez recuar o analfabetismo, e a construção de uma rede de caminho-de-ferro coincidiram com a quebra das taxas de crescimento. No fim, os gastos do estado aprisionaram os portugueses numa crise financeira crónica, que os impediu de tentar aproveitar a chamada "primeira globalização", a não ser através da emigração. Alguém quer aprender alguma coisa? Nos últimos meses, a crise económica atenuou-se. Mas basta ouvir os nossos governantes para perceber que a outra crise, a da imaginação, continua."
Rui Ramos, Público de 21.2.07
Rui Ramos, Público de 21.2.07
A CRISE DA IMAGINAÇÃO
"Se houvesse o hábito de estudar história, ter-se-ia reconhecido aqui uma repetição. Na segunda metade do século XIX, a expansão da rede escolar, que mal fez recuar o analfabetismo, e a construção de uma rede de caminho-de-ferro coincidiram com a quebra das taxas de crescimento. No fim, os gastos do estado aprisionaram os portugueses numa crise financeira crónica, que os impediu de tentar aproveitar a chamada "primeira globalização", a não ser através da emigração. Alguém quer aprender alguma coisa? Nos últimos meses, a crise económica atenuou-se. Mas basta ouvir os nossos governantes para perceber que a outra crise, a da imaginação, continua."
Rui Ramos, Público de 21.2.07
Rui Ramos, Público de 21.2.07
21.2.07
UM LUGAR NA HISTÓRIA
Não, José Medeiros Ferreira, não ando a "a tentar salvar o Salazar das perseguições do regime". Elas existiram e, em nenhum texto sobre o dito cujo, omiti a circunstância. Apenas entendo que, mais de 30 anos volvidos sobre o fim do regime e quase quarenta sobre o desaparecimento físico do seu mentor, é mais do que tempo de falar do homem sem complexos de qualquer espécie. É história e não adianta tentar, isso sim, removê-la ou rasurá-la. Salazar, luz e sombra, já não "encaixa" noutro lugar senão nela.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
UM LUGAR NA HISTÓRIA
Não, José Medeiros Ferreira, não ando a "a tentar salvar o Salazar das perseguições do regime". Elas existiram e, em nenhum texto sobre o dito cujo, omiti a circunstância. Apenas entendo que, mais de 30 anos volvidos sobre o fim do regime e quase quarenta sobre o desaparecimento físico do seu mentor, é mais do que tempo de falar do homem sem complexos de qualquer espécie. É história e não adianta tentar, isso sim, removê-la ou rasurá-la. Salazar, luz e sombra, já não "encaixa" noutro lugar senão nela.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
Adenda: Este texto, na sequência de outros, de Pedro Arroja.
CONVERSAS DE PORTEIRA
O procurador geral da República concedeu uma entrevista surrealista a uma Judite de Sousa a raiar a insolência. Todavia, a culpa não é dela. Pinto Monteiro não devia conceder entrevistas nesta altura do campeonato ou, provavelmente, mesmo em nenhuma. A prova está em que, para cumprir a lei, não pode abandonar o limiar da banalidade e do lugar-comum em público. O PGR tem uma missão que não é secreta, mas que deve ser discreta para ser eficaz. Não dá entrevistas ao "jornal do crime" ou a jornalistas, como a Judite de Sousa desta noite, que alimentam conversas de porteira.
CONVERSAS DE PORTEIRA
O procurador geral da República concedeu uma entrevista surrealista a uma Judite de Sousa a raiar a insolência. Todavia, a culpa não é dela. Pinto Monteiro não devia conceder entrevistas nesta altura do campeonato ou, provavelmente, mesmo em nenhuma. A prova está em que, para cumprir a lei, não pode abandonar o limiar da banalidade e do lugar-comum em público. O PGR tem uma missão que não é secreta, mas que deve ser discreta para ser eficaz. Não dá entrevistas ao "jornal do crime" ou a jornalistas, como a Judite de Sousa desta noite, que alimentam conversas de porteira.
O PAÍS ESQUISITO
No percurso habitual desta manhã, na TSF falava o Pedro Silva Pereira, meu "camarada" de tropa e actual ministro da Presidência. Falava do seu maravilhoso governo como se estivesse a publicitar o velho "Leite de Colónia". Mudei instintivamente para o "cd" onde Pierre Boulez dirige "A Valquíria" de Bayreuth. Nas ruas, cruzei-me com vários "agentes da autoridade" de trânsito, montados em carros, motoretas e a pé. Uma coisa um tanto ou quanto despropositada, tal como o palavreado doce do ministro. Lembrou-me a minha passagem por El Salvador. Mas esse país teve guerra civil, vive permanentemente em sobressalto e tem dificuldade em assimilar a chamada cultura democrática. Nós somos supostamente democratas há trinta anos. Ou será que não somos?
O PAÍS ESQUISITO
No percurso habitual desta manhã, na TSF falava o Pedro Silva Pereira, meu "camarada" de tropa e actual ministro da Presidência. Falava do seu maravilhoso governo como se estivesse a publicitar o velho "Leite de Colónia". Mudei instintivamente para o "cd" onde Pierre Boulez dirige "A Valquíria" de Bayreuth. Nas ruas, cruzei-me com vários "agentes da autoridade" de trânsito, montados em carros, motoretas e a pé. Uma coisa um tanto ou quanto despropositada, tal como o palavreado doce do ministro. Lembrou-me a minha passagem por El Salvador. Mas esse país teve guerra civil, vive permanentemente em sobressalto e tem dificuldade em assimilar a chamada cultura democrática. Nós somos supostamente democratas há trinta anos. Ou será que não somos?
O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -2
"Deixei-me aprisionar nas minhas próprias cadeias, eu, o menos livre de todos os homens. Oh santa vergonha, oh dor vergonhosa, desgraça dos deuses, fúria infinita, aflição eterna. Sou o mais triste de entre os homens. O que a ninguém revelei, fique para sempre não dito: é para mim que falo ao falar contigo. Quando o desejo próprio do amor juvenil me abandonou, a minha vontade dirigiu-se para o Poder: tomado por súbitos desejos feéricos, conquistei o mundo. Fui desonesto sem o saber, conduzi-me de forma desleal, concebi alianças com aqueles que escondiam fatalidades."
Tradução livre - minha - de parte do monólogo de Wotan na 2ª Cena do II Acto de A Valquíria, de Richard Wagner, a estrear sábado, às 18:30, no Teatro Nacional de São Carlos
O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -2
"Deixei-me aprisionar nas minhas próprias cadeias, eu, o menos livre de todos os homens. Oh santa vergonha, oh dor vergonhosa, desgraça dos deuses, fúria infinita, aflição eterna. Sou o mais triste de entre os homens. O que a ninguém revelei, fique para sempre não dito: é para mim que falo ao falar contigo. Quando o desejo próprio do amor juvenil me abandonou, a minha vontade dirigiu-se para o Poder: tomado por súbitos desejos feéricos, conquistei o mundo. Fui desonesto sem o saber, conduzi-me de forma desleal, concebi alianças com aqueles que escondiam fatalidades."
Tradução livre - minha - de parte do monólogo de Wotan na 2ª Cena do II Acto de A Valquíria, de Richard Wagner, a estrear sábado, às 18:30, no Teatro Nacional de São Carlos
20.2.07
A NOVELA DA OPA
O "emporio" PT e o "emporio" SONAE continuam a marrar um com o outro. A conversa é exclusiva para iniciados. O tempo de antena que é dado a esta "guerrinha" é despropositado para o país real que, muito justamente, não liga um átomo a esta novela financeira. Tudo somado, só dá jeito ao dr. Strangelove.
A NOVELA DA OPA
O "emporio" PT e o "emporio" SONAE continuam a marrar um com o outro. A conversa é exclusiva para iniciados. O tempo de antena que é dado a esta "guerrinha" é despropositado para o país real que, muito justamente, não liga um átomo a esta novela financeira. Tudo somado, só dá jeito ao dr. Strangelove.
LER OS OUTROS
Há vida - e formas de vida inteligente - na "esquerda" para lá do Daniel Oliveira, da Joaninha, de Vitalino Canas e do neófito Júdice. A serenidade do Tomás Vasques confirma-me isso mesmo. Por isso somos amigos.
LER OS OUTROS
Há vida - e formas de vida inteligente - na "esquerda" para lá do Daniel Oliveira, da Joaninha, de Vitalino Canas e do neófito Júdice. A serenidade do Tomás Vasques confirma-me isso mesmo. Por isso somos amigos.
O HOMEM DO CHOQUE
Fala-se dos dois anos de Sócrates como se Manuel Pinho, Mário Lino, Correia de Campos, o prof. Correia, Freitas do Amaral, Isabel Pires de Lima ou Mário Vieira de Carvalho não fossem Sócrates. Eles são Sócrates e Sócrates é o que eles são. Ora acontece que, não apenas são, como estão e ameaçam estar. Nas loas que li nos jornais, a fascinante (?) personalidade do primeiro-minitro emerge entre prosas e prosas derretidas dos mandarins de serviço. O tal "mel" de que falava João Soares a propósito de Santana Lopes, escorre agora por Sócrates abaixo. Como explicava Rui Ramos ontem à noite na RTP-N, do "choque tecnológico" só ficou o choque, o choque contra tudo e contra todos. Dos 150 mil empregos novos, ainda faltam 141 mil. E, sobretudo, a "situação" não entusiasma ninguém o que, numa sociedade eminentemente bovina como a nossa, corresponde ao "deixa arder" das sondagens. Um pouco mais de tempo e de paciência, e a máscara cai.
O HOMEM DO CHOQUE
Fala-se dos dois anos de Sócrates como se Manuel Pinho, Mário Lino, Correia de Campos, o prof. Correia, Freitas do Amaral, Isabel Pires de Lima ou Mário Vieira de Carvalho não fossem Sócrates. Eles são Sócrates e Sócrates é o que eles são. Ora acontece que, não apenas são, como estão e ameaçam estar. Nas loas que li nos jornais, a fascinante (?) personalidade do primeiro-minitro emerge entre prosas e prosas derretidas dos mandarins de serviço. O tal "mel" de que falava João Soares a propósito de Santana Lopes, escorre agora por Sócrates abaixo. Como explicava Rui Ramos ontem à noite na RTP-N, do "choque tecnológico" só ficou o choque, o choque contra tudo e contra todos. Dos 150 mil empregos novos, ainda faltam 141 mil. E, sobretudo, a "situação" não entusiasma ninguém o que, numa sociedade eminentemente bovina como a nossa, corresponde ao "deixa arder" das sondagens. Um pouco mais de tempo e de paciência, e a máscara cai.
DR. STRANGELOVE - 2
No dia dos seus juvenis sessenta e cinco anos, José Medeiros Ferreira é o mesmo homem de futuro que conheci numa tarde longínqua de 1979, ao pé da pastelaria Cister, ao Príncipe Real. É dele este "retrato" da estranha criatura que, há dois anos, está no leme: "parece-me que ele tem uma mistura de frontalidade e de dissimulação, que é uma boa mistura em termos políticos." Parabéns ao amigo.
DR. STRANGELOVE - 2
No dia dos seus juvenis sessenta e cinco anos, José Medeiros Ferreira é o mesmo homem de futuro que conheci numa tarde longínqua de 1979, ao pé da pastelaria Cister, ao Príncipe Real. É dele este "retrato" da estranha criatura que, há dois anos, está no leme: "parece-me que ele tem uma mistura de frontalidade e de dissimulação, que é uma boa mistura em termos políticos." Parabéns ao amigo.
"UM POUCO MAIS"
"Não o acuso de não decidir. Censuro-o por tomar decisões erradas. Se fosse por diferenças ideológicas, seria normal. Mas não: erros como os do IVA e os ataques às classes profissionais devem-se à maneira de ser do primeiro-ministro, que nas suas políticas evidencia, por vezes, uma teimosia e uma agressividade prejudiciais para Portugal. O problema deste rumo errado não é de agora, com a economia da Europa e do mundo a crescerem a níveis confortáveis e com as novas perspectivas financeiras a tornarem-se realidade. Com as OPA até parecemos um país quase rico. É sempre assim quando os socialistas estão no poder. Quem muito tem não tem razão de queixa. E quem tem menos recebe um rendimento mínimo ou um complemento de reforma. O problema são os outros 90 por cento! Para terminar: apesar de tudo isto, o primeiro-ministro é popular. Sem dúvida. O país gosta de quem tome decisões e não tenha medo de mandar. Demora um pouco mais até cair o cenário e a realidade ficar à vista. Um pouco mais. "
Sócrates visto, dois anos depois, por Pedro Santana Lopes (Público, sem link)
Sócrates visto, dois anos depois, por Pedro Santana Lopes (Público, sem link)
"UM POUCO MAIS"
"Não o acuso de não decidir. Censuro-o por tomar decisões erradas. Se fosse por diferenças ideológicas, seria normal. Mas não: erros como os do IVA e os ataques às classes profissionais devem-se à maneira de ser do primeiro-ministro, que nas suas políticas evidencia, por vezes, uma teimosia e uma agressividade prejudiciais para Portugal. O problema deste rumo errado não é de agora, com a economia da Europa e do mundo a crescerem a níveis confortáveis e com as novas perspectivas financeiras a tornarem-se realidade. Com as OPA até parecemos um país quase rico. É sempre assim quando os socialistas estão no poder. Quem muito tem não tem razão de queixa. E quem tem menos recebe um rendimento mínimo ou um complemento de reforma. O problema são os outros 90 por cento! Para terminar: apesar de tudo isto, o primeiro-ministro é popular. Sem dúvida. O país gosta de quem tome decisões e não tenha medo de mandar. Demora um pouco mais até cair o cenário e a realidade ficar à vista. Um pouco mais. "
Sócrates visto, dois anos depois, por Pedro Santana Lopes (Público, sem link)
Sócrates visto, dois anos depois, por Pedro Santana Lopes (Público, sem link)
INFELIZ E LAMENTÁVEL
Fernando Santo, o bastonário da Ordem dos Engenheiros, disse que o acidente do Tua foi "mais uma" consequência do "desmantelamento" dos organismos públicos responsáveis pela manutenção das linhas ferroviárias. E, acerca da Ota, afirmou não perceber por que razão só foram analisadas duas localizações possíveis. Mário Lino, o ministro, ficou "chocado". "Infeliz e lamentável", foi como o infeliz e lamentável ministro classificou a entrevista do bastonário.
INFELIZ E LAMENTÁVEL
Fernando Santo, o bastonário da Ordem dos Engenheiros, disse que o acidente do Tua foi "mais uma" consequência do "desmantelamento" dos organismos públicos responsáveis pela manutenção das linhas ferroviárias. E, acerca da Ota, afirmou não perceber por que razão só foram analisadas duas localizações possíveis. Mário Lino, o ministro, ficou "chocado". "Infeliz e lamentável", foi como o infeliz e lamentável ministro classificou a entrevista do bastonário.
O PAÍS DO DR. STRANGELOVE

"Portugal tem o pior resultado da UE [ 20 por cento de pobres entre a população portuguesa] num outro indicador, o dos trabalhadores pobres, o que significa que o salário não protege contra a precariedade: segundo os mesmos dados, 14 por cento dos portugueses com um emprego vivem abaixo do limiar de pobreza, contra 8 por cento no conjunto dos Vinte e Sete."
in Público
in Público
O PAÍS DO DR. STRANGELOVE

"Portugal tem o pior resultado da UE [ 20 por cento de pobres entre a população portuguesa] num outro indicador, o dos trabalhadores pobres, o que significa que o salário não protege contra a precariedade: segundo os mesmos dados, 14 por cento dos portugueses com um emprego vivem abaixo do limiar de pobreza, contra 8 por cento no conjunto dos Vinte e Sete."
in Público
in Público
19.2.07
DR. STRANGELOVE

" 2 anos a aplicar aos outros aquilo que não serve para os amigos", o melhor balanço de dois enigmáticos "anos sócráticos".
DR. STRANGELOVE

" 2 anos a aplicar aos outros aquilo que não serve para os amigos", o melhor balanço de dois enigmáticos "anos sócráticos".
MAU PROGRAMA

Só de pensar que passou - ou passa - pela cabeça do PS mandar o dr. Vitalina Canas, o seu maravilhoso porta-voz, para o Tribunal Constitucional, fica-se com a sensação de que Alberto João Jardim é um grande político e Canas meramente um mau programa.
MAU PROGRAMA

Só de pensar que passou - ou passa - pela cabeça do PS mandar o dr. Vitalina Canas, o seu maravilhoso porta-voz, para o Tribunal Constitucional, fica-se com a sensação de que Alberto João Jardim é um grande político e Canas meramente um mau programa.
O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -1

O governo, na pessoa do "hermeneuta da Ajuda", vai deixar Paolo Pinamonti abandonar a direcção artística do Teatro Nacional de São Carlos, provavelmente para o substituir por um neo-realista qualquer devidamente reciclado. Estou à vontade porque, ao arrepio de muitos que agora se calam perante esta saída inevitável - muitos deles trouxeram Pinamonti para Portugal e andaram literalmente com ele ao colo enquanto lhes foi útil - critiquei e tirei, em Abril de 2003, as devidas ilações das críticas que fiz sobre a gestão do Teatro e sobre as posições da então tutela. O afastamento de Pinamonti - num momento em que o TNSC aposta numa extraordinária produção da "Tetralogia" de Wagner, com a primeira jornada, A Valquíria, a estrear no próximo sábado - fará o Teatro mergulhar uma vez mais numa crise, se é que alguma vez se viu livre dela nos últimos anos. Só e mal acompanhado, Paolo Pinamonti lembra-me o "herói" nuclear da "Tetralogia", Wotan. Afinal, A Valquíria mais não é do que uma trágica metáfora musical sobre a renúncia, uma coisa intelectualmente incompreensível para burgessos funcionais sempre prontos a servir qualquer deus.
O ESPLENDOR DA RENÚNCIA -1

O governo, na pessoa do "hermeneuta da Ajuda", vai deixar Paolo Pinamonti abandonar a direcção artística do Teatro Nacional de São Carlos, provavelmente para o substituir por um neo-realista qualquer devidamente reciclado. Estou à vontade porque, ao arrepio de muitos que agora se calam perante esta saída inevitável - muitos deles trouxeram Pinamonti para Portugal e andaram literalmente com ele ao colo enquanto lhes foi útil - critiquei e tirei, em Abril de 2003, as devidas ilações das críticas que fiz sobre a gestão do Teatro e sobre as posições da então tutela. O afastamento de Pinamonti - num momento em que o TNSC aposta numa extraordinária produção da "Tetralogia" de Wagner, com a primeira jornada, A Valquíria, a estrear no próximo sábado - fará o Teatro mergulhar uma vez mais numa crise, se é que alguma vez se viu livre dela nos últimos anos. Só e mal acompanhado, Paolo Pinamonti lembra-me o "herói" nuclear da "Tetralogia", Wotan. Afinal, A Valquíria mais não é do que uma trágica metáfora musical sobre a renúncia, uma coisa intelectualmente incompreensível para burgessos funcionais sempre prontos a servir qualquer deus.
REBUS SIC STANTIBUS
Alberto João Jardim fez, à semelhança dos de cá, o que lhe competia. Quando refiro os de cá, lembro-me de instituições e nada mais do que isso. A Madeira foi alvo de um ataque político-partidário gratuito e o presidente do governo regional mostrou ao país que ainda não estamos todos "normalizados". Agora, os nossos compatriotas vão falar. Depois, logo se vê.
REBUS SIC STANTIBUS
Alberto João Jardim fez, à semelhança dos de cá, o que lhe competia. Quando refiro os de cá, lembro-me de instituições e nada mais do que isso. A Madeira foi alvo de um ataque político-partidário gratuito e o presidente do governo regional mostrou ao país que ainda não estamos todos "normalizados". Agora, os nossos compatriotas vão falar. Depois, logo se vê.
DESENGRAVIDAR
Por falar em regime, parece que o glorioso empreendedorismo nacional privilegia o despedimento democrático de mulheres grávidas. É uma preciosa ajuda para o governo e para a sua maioria que têm pressa em aprovar a legislação abortiva. Podem até colocar no preâmbulo que é mais uma "reforma" destinada a combater o desemprego.
DESENGRAVIDAR
Por falar em regime, parece que o glorioso empreendedorismo nacional privilegia o despedimento democrático de mulheres grávidas. É uma preciosa ajuda para o governo e para a sua maioria que têm pressa em aprovar a legislação abortiva. Podem até colocar no preâmbulo que é mais uma "reforma" destinada a combater o desemprego.
VINTAGE
O sr. Lello, do PS, foi eleito presidente da Assembleia Parlamentar da NATO. Vê-se mesmo que os seus pares não o conhecem mas que nos conhecem. Guterres, Barroso ou Lello representam eloquentemente o que de melhor temos para oferecer no estrangeiro. Vintage do regime, não haja dúvida.
VINTAGE
O sr. Lello, do PS, foi eleito presidente da Assembleia Parlamentar da NATO. Vê-se mesmo que os seus pares não o conhecem mas que nos conhecem. Guterres, Barroso ou Lello representam eloquentemente o que de melhor temos para oferecer no estrangeiro. Vintage do regime, não haja dúvida.
18.2.07
CONTRA OS PRECONCEITOS DE ESQUERDA
Em Dezembro, quando estive em Paris, visitei túmulos. Um dos que vi pela primeira vez, do lado norte do cemitério de Montparnasse, foi o da família Aron. Aos vinte e poucos, li a as "memórias" de Raymond Aron que alguém me trouxe da Bélgica. Estávamos em 1983 e, em Outubro desse mesmo ano, Aron desaparecia. Os nossos "liberais" e os nossos "democratas" têm muito a aprender com Raymond Aron. Pertenceu a uma estirpe, praticamente extinta, com biografia. Teve a felicidade de integrar uma notável geração de intelectuais franceses com quem polemizou a vida inteira, sobretudo por causa da deriva marxista da maior parte deles, nomeadamente Sartre. Aron era um grande conhecedor do pensamento marxiano - tinha uma formação filosófica de raiz germânica - e, porventura por isso, combateu todas as suas manifestações totalitárias. "J'étais le plus résolu dans l'anticommunisme, dans le libéralisme, mais ce n'est qu'après 1945 que je me libérai une fois pour toutes des préjugés de la gauche", diz Aron a dado momento das suas "memórias". Mais de vinte anos passados sobre a primeira edição francesa, a Guerra&Paz faz-nos o serviço público de editar a tradução das Memórias de Raymond Aron. Deviam ser de leitura obrigatória para o nosso pequenino galarim político. Para ver se ele se liberta de vez dos seus cediços preconceitos de esquerda.
CONTRA OS PRECONCEITOS DE ESQUERDA
Em Dezembro, quando estive em Paris, visitei túmulos. Um dos que vi pela primeira vez, do lado norte do cemitério de Montparnasse, foi o da família Aron. Aos vinte e poucos, li a as "memórias" de Raymond Aron que alguém me trouxe da Bélgica. Estávamos em 1983 e, em Outubro desse mesmo ano, Aron desaparecia. Os nossos "liberais" e os nossos "democratas" têm muito a aprender com Raymond Aron. Pertenceu a uma estirpe, praticamente extinta, com biografia. Teve a felicidade de integrar uma notável geração de intelectuais franceses com quem polemizou a vida inteira, sobretudo por causa da deriva marxista da maior parte deles, nomeadamente Sartre. Aron era um grande conhecedor do pensamento marxiano - tinha uma formação filosófica de raiz germânica - e, porventura por isso, combateu todas as suas manifestações totalitárias. "J'étais le plus résolu dans l'anticommunisme, dans le libéralisme, mais ce n'est qu'après 1945 que je me libérai une fois pour toutes des préjugés de la gauche", diz Aron a dado momento das suas "memórias". Mais de vinte anos passados sobre a primeira edição francesa, a Guerra&Paz faz-nos o serviço público de editar a tradução das Memórias de Raymond Aron. Deviam ser de leitura obrigatória para o nosso pequenino galarim político. Para ver se ele se liberta de vez dos seus cediços preconceitos de esquerda.
O MANDO
Correia de Campos até pode ter razão no fecho de algumas urgências. Acontece que se explica tão bem como Manuel Pinho. Fala demasiado, mal e com uma arrogância insuportável. Deu-lhe para exibir o mando da pior maneira, evidenciando, sem margem para qualquer dúvida, que não tem um rumo. Tem dias. É com ele que contam para o aborto nos hospitais públicos? Pois.
O MANDO
Correia de Campos até pode ter razão no fecho de algumas urgências. Acontece que se explica tão bem como Manuel Pinho. Fala demasiado, mal e com uma arrogância insuportável. Deu-lhe para exibir o mando da pior maneira, evidenciando, sem margem para qualquer dúvida, que não tem um rumo. Tem dias. É com ele que contam para o aborto nos hospitais públicos? Pois.
ANNA/MARILYN

Tinha 39 anos e chamava-se Vickie Lynn Hogan. De verdade. A natureza, ao contrário da vida, foi-lhe generosa. Graças ao corpo, Vickie passou a ser Anna Nicole Smith. Tinha intimamente a ambição de se tornar, primeiro, Norma Jean, e, depois, Marilyn Monroe. Porventura a cabeça não a ajudou a chegar ao patamar mínimo do esplendor trágico da carreira cinematográfica da original. Só se encontraram na morte, eventualmente tão desejada por Anna como por Marilyn, cada uma à sua maneira, depois te terem sido tudo e o seu nada. Juntaram-se nesse instante imperceptível que todos os artigos, fotografias, filmes, revistas, noites, livros e dinheiro do mundo não chegaram para o evitar. Jogaram o lance solitário definitivo das suas vidas nas quais, aliás, nunca existiu propriamente uma vida. Aos 18 anos, já Vickie/Anna era mãe involuntária de um filho que a precedeu na solidão e na morte. Norma Jean quis ser mãe para poder ser a mãe que não teve, e nunca conseguiu. No momento derradeiro, só tinham por companhia o álcool e esses falsos amigos que são os comprimidos, os únicos que ficam depois de tudo desaparecer. Para muitos, Anna era apenas um belo corpo e umas belas mamas, tal como Marilyn era suposto nunca ter aberto a boca. O lugar comum do "morrem cedo aqueles que os deuses amam" aplica-se a estas mulheres com que a vulgaridade ainda hoje sonha e se masturba. A celebridade traiu-as. No momento em que desapareceram, já só eram dois seres humanos que se aperceberam da sua dramática condição. Como escreveu Norman Mailer a propósito de Marilyn - e, porque não, de Anna - qualquer delas foi atraída por aquela eternidade "she has heard singing in her ears from childhood, she takes the leap to leave the pain of one deadned soul for the hope of life in another, she says goodbye to that world she conquered and could not use. We will never know if that is how she went. She could as easily have blundered past the last border, blubbering in the last corner of her heart, and no voice she knew to reply."
ANNA/MARILYN

Tinha 39 anos e chamava-se Vickie Lynn Hogan. De verdade. A natureza, ao contrário da vida, foi-lhe generosa. Graças ao corpo, Vickie passou a ser Anna Nicole Smith. Tinha intimamente a ambição de se tornar, primeiro, Norma Jean, e, depois, Marilyn Monroe. Porventura a cabeça não a ajudou a chegar ao patamar mínimo do esplendor trágico da carreira cinematográfica da original. Só se encontraram na morte, eventualmente tão desejada por Anna como por Marilyn, cada uma à sua maneira, depois te terem sido tudo e o seu nada. Juntaram-se nesse instante imperceptível que todos os artigos, fotografias, filmes, revistas, noites, livros e dinheiro do mundo não chegaram para o evitar. Jogaram o lance solitário definitivo das suas vidas nas quais, aliás, nunca existiu propriamente uma vida. Aos 18 anos, já Vickie/Anna era mãe involuntária de um filho que a precedeu na solidão e na morte. Norma Jean quis ser mãe para poder ser a mãe que não teve, e nunca conseguiu. No momento derradeiro, só tinham por companhia o álcool e esses falsos amigos que são os comprimidos, os únicos que ficam depois de tudo desaparecer. Para muitos, Anna era apenas um belo corpo e umas belas mamas, tal como Marilyn era suposto nunca ter aberto a boca. O lugar comum do "morrem cedo aqueles que os deuses amam" aplica-se a estas mulheres com que a vulgaridade ainda hoje sonha e se masturba. A celebridade traiu-as. No momento em que desapareceram, já só eram dois seres humanos que se aperceberam da sua dramática condição. Como escreveu Norman Mailer a propósito de Marilyn - e, porque não, de Anna - qualquer delas foi atraída por aquela eternidade "she has heard singing in her ears from childhood, she takes the leap to leave the pain of one deadned soul for the hope of life in another, she says goodbye to that world she conquered and could not use. We will never know if that is how she went. She could as easily have blundered past the last border, blubbering in the last corner of her heart, and no voice she knew to reply."
17.2.07
UMA VISITA

Passam amanhã 50 anos sobre o início da visita de Isabel II de Inglaterra a Portugal. O Diário de Notícias lembra o evento, conseguindo - apesar do título - "omitir" Salazar das fotografias escolhidas. Pois bem. Quando estive na direcção do Teatro Nacional de São Carlos, o João Borges de Azevedo ofereceu-me a fotografia que ilustra este post, da autoria de um repórter da revista "Panorama". A "história" da foto é muito simples. Já nessa altura, o Presidente do Conselho tinha a mania de se "atirar" para as cadeiras. O sorriso dos dois estadistas deve-se à circunstância de Salazar se ter sentado bruscamente ao lado da Rainha, como se tivesse caído no sofá que ainda lá está. O repórter supreendeu o momento e a censura, pelos vistos, aprovou. Não consta que Isabel II se tivesse queixado.
UMA VISITA

Passam amanhã 50 anos sobre o início da visita de Isabel II de Inglaterra a Portugal. O Diário de Notícias lembra o evento, conseguindo - apesar do título - "omitir" Salazar das fotografias escolhidas. Pois bem. Quando estive na direcção do Teatro Nacional de São Carlos, o João Borges de Azevedo ofereceu-me a fotografia que ilustra este post, da autoria de um repórter da revista "Panorama". A "história" da foto é muito simples. Já nessa altura, o Presidente do Conselho tinha a mania de se "atirar" para as cadeiras. O sorriso dos dois estadistas deve-se à circunstância de Salazar se ter sentado bruscamente ao lado da Rainha, como se tivesse caído no sofá que ainda lá está. O repórter supreendeu o momento e a censura, pelos vistos, aprovou. Não consta que Isabel II se tivesse queixado.
AGORA OU NUNCA

Luís Campos e Cunha, que foi "só" o primeiro ministro das Finanças de José Sócrates, escreveu ontem um artigo no Público. Não vi ninguém fazer-lhe referência ou sequer citá-lo. Campos e Cunha, para a propaganda e para o pessoal do métier, é um "poeta morto". Que o desemprego tenha aumentado ao arrepio dos 150 mil novos postos de trabalho prometidos nos outdoors do PS, que o ministro da Economia raramente ultrapasse o patamar da anedota e que o orçamento de Estado "viva" dos mesmos "registos" de que viveram os antecedentes, nada disso parece preocupar as elites. Naturalmente, não são elas que estão desempregadas ou à espera que a economia desembuche. Na entrevista colorida ao Expresso (Única), o primeiro-ministro falou para o "centro" e para a "direita" que votou "não" há oito dias, e pouco mais. Ou seja, passou a entrevista a "malhar em ferro frio" e a não falar do que se segue ao defunto referendo que já não interessa a ninguém a não ser à D. Inês Pedrosa que supreendeu nele a "conclusão" do "25 de Abril". Que imagem tão poucochinha para tão ilustre "escritora". Volto a Campos e Cunha e ao que interessa. "Dentro de três ou quatro meses, saberemos como classificar o actual Governo. Se um governo de reformas estruturais, na Segurança Social (regime geral e função pública), nos impostos, nos custos salariais do Estado, na reorganização do ensino e da saúde, no apoio a idosos pobres. Se um governo do congelamento das propinas, do desrespeito pela independência das autoridades reguladoras, da gestão política de empresas públicas, da concentração de poderes, da TLEBS, dos "grandes" projectos injustificados. Seja pelas implicações orçamentais para 2007, seja pelo impacto na economia, seja pela exposição internacional do país no segundo semestre, seja pelo calendário eleitoral, ou ainda pela fotografia deste Governo na história, os meses que vivemos são absolutamente cruciais. A posição do Governo, agora reforçada politicamente pelo sucesso no referendo, não admite desculpas. A hora da definição já há muito que chegou, mas, neste momento, nada pode ser disfarçado nem adiado: é agora ou nunca."
