Juro que não é embirração. Mas as digressões evangélicas do dr. Passos (nas quais ele improvisa para lá do recomendável) tornaram-se, como se costuma dizer, incontornáveis. Esta manhã acordei ao som dele, na antena1, reproduzido numa sessão sobre o orçamento destinada aos crentes. Falava do défice (do que é que ele havia de falar?) e jurava que há-de "matar" o "excessivo" em 2015 nem que para tal tenha de recorrer à velha máxima, sic, "quem não tem cão caça com gato". A "ideia" é sempre a mesma: uns juízes malvados impediram-no de cortar mais na despesa (i.e., de proletarizar ainda mais o trabalhador investido em funções públicas e afins e de o despedir sumariamente) e, por consequência (e agora traduzo o trecho popular para português do primeiro-ministro), fica sempre de pé a hipótese de aumentar a receita, ou seja, os impostos. Do défice, como antigamente de Goa, só saímos vitoriosos ou mortos. Parece que o dr. Passos já escolheu.
De Goa sucede que nem vitoriosos nem mortos. Houve, na linguagem destes tempos, uma "terceira via". Saímos humilhados.
ResponderEliminarE nem sei se verdadeiramente humihados pelo invasor indiano (o tratamento dos prisioneiros - isto é: dos portugueses - não foi, bem sei, digno de um vencedor que consigo tivesse a razão; mas este é, nas guerras - como se elas o não fossem em si mesmas -, quase sempre um capítulo de miséria moral e material), se pelo poder de Lisboa. Por ambos, no final.
Algo me diz que vem aí mais do mesmo: nem vitoriosos, porque nada no futuro nos autoriza a sustentar a ideia de que as coisas melhorarão, pelo menos de forma minimamente proporcional ao que de devastador já se suportou; nem mortos, porque mesmo na mais andrajosa penúria, e salvo se varridos pela morte física, procuraremos por cá andar e uma ou outra vez ousar qualquer coisa um pouco acima da mediocridade de uma existẽncia a sobreviver.
Continuaremos nessa terceira via: humilhados. E humilhados agora e sem a menor dúvida e em primeira linha por Lisboa, que não hesitará, laranja que continue ou rosa que volte a ser, em "aumentar as receitas", uma e outra vez e sempre que o entenda necessário, em anunciar triunfante a multiplicação das penhoras, em taxar o absurdo e vender o invendável, em mentir sem um tremor, em manter as empresas, os negócios e os homens do regime. Em se perpetuar.
Costa