Talvez devido ao adiantado da hora o dr. Passos não tivesse medido as palavras que proferiu à tribo reunida em Coimbra. Ou então mediu-as muito bem e, aí, fica obrigado a tirar as devidas ilações do que disse. O Tribunal Constitucional não caiu do céu. Sucedeu ao Conselho da Revolução e à Comissão Constitucional. Foi gerado legislativamente na famosa "casa da democracia". A sua composição foi definida pelos partidos e a escolha contingente dos seus sucessivos membros, pelo menos de parte deles, é igualmente da sua responsabilidade. Uma vez "fechada" essa composição, os partidos - a menos que se suponham na Coreia do Norte, na Venezuela, na Turquia ou na Síria para sermos equilibrados nos exemplos - não podem olhar para os juízes como seus lacaios ou moços de recados daqueles a que estão habituados nas respectivas seitas. Por isso há quem defenda (e eu também) que as funções do TC devam ser atribuídas a uma secção do Supremo Tribunal de Justiça para evitar espectáculos inomináveis como aquele a que estamos a assistir. Se o dr. Passos acha - e está no seu direito de achar - que o sistema político não está "à sua altura", apesar de ter sido com este sistema político que foi eleito faz hoje três anos, demita-se e avance, entre outras, com propostas consequentes para o mudar. O eleitorado julgará então. O que não pode - porque é primeiro-ministro de Portugal e não um mero tagarela de café - é dar a entender que o "programa do governo" para o que sobra da legislatura é este rosnar infantil pelos cantos e estas lamúrias inconsequentes a que certamente o Tribunal não dará qualquer resposta. Passos está deliberadamente a pôr em causa o primado do Estado de direito sem nada mais para oferecer ao país do que isso e a sua contabilidadezinha mal esgalhada. Ora tal necedade configura um acto de cobardia política que lhe fica pessoal e politicamente mal. Se persistir em se refugiar nele - com a conivência passiva de um Chefe de Estado entregue a amenidades e a recepções em Belém aparentemente com receio que o céu lhe tombe em cima como acabará por tombar com estrondo -, arrisca-se a chegar a eleições legislativas "normais" e a recolher menos de um quarto do sufrágio, seja o PS comandado, ou não, pelo bonapartismo em marcha ou por um piloto automático. Quem o avisa, acredite dr. Passos, seu amigo é.
Estes "liberais" sã muito estranhos. Sempre com o "check and balances" na boca mas quando têm uma decisão contra eles cai o Carmo e a Trindade. Num tribunal onde os partidos nomeiam a quase totalidade dos juízes.
ResponderEliminarPorque é que eles não mudam a Constituição? Porque (uma parte d)o PS nunca aprovaria as mudanças que Passos pretende?
PC está alertar os portugueses para a sua exigência na escolha dos responsáveis para o desempenho de cargos de responsabilidade elevada do Estado! Que se cuide porque,com esta alerta,os mesmos portugueses não se vão deixar dormir mais.
ResponderEliminarO TC, se "os tivesse no sítio", mandava prendê-lo por desobediência.
ResponderEliminarA sua pergunta foi respondida por si mesmo.
ResponderEliminarÉ isso, uma parte do PS, a parte dos "históricos" vive agarrada ao passado e não quer qualquer mudança que lhes tolha a tola ideologia.
Passos Coelho tinha e tem obrigação de os colocar contra a parede.
A Constituição do Dr. Miranda, é tão boa que em 2014 o PCP considera-a como uma Bíblia, isto diz tudo.
Melhores cumprimentos.
Com a restruturação do Estado o sr. Passos podia converter o Palácio Ratton num restaurante de Tapas e deslocalizar o Tribunal Constitucional para as antigas instalações do centro de dia da baixa da banheira. Agora este espectáculo político deprimente digno de uma ida ao Goucha e demasiada incompetência e falta de inteligência,não para a minha camionete, mas para a do Pais. mandar desligar o ar condicionado do palácio também ajuda...
ResponderEliminarE aproveitando o espírito "restruturador", o sr. Passos podia converter-se em Presidente da Junta de Freguesia da muy nobre Massamá, cargo bem mais adequado a uma figura política da sua grandeza.
ResponderEliminarNa verdade, ele próprio se apelidou de o candidato mais "africano".
ResponderEliminarEntão será melhor a Junta de Freguesia da muy tropical Cova da Moura.
ResponderEliminarQue dizer? "Estamos fodidos"?
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