«Neste ano, o que aconteceu? “Todos [os documentos legais] do lado do governo estão concluídos”, disse quinta-feira Maduro entrevistado na RTP que tutela. E estão. A lei da TV e rádio está alterada. Mas falta o parlamento aprová-la. Os estatutos e modelo de governança da RTP estão alterados. Mas falta o parlamento aprovar a lei. “Há uma orientação estratégica clara para a RTP”, disse. Pois há, nas lei de papel. Ao invés do que o ministro defende, a RTP acentua uma estratégia comercial agressiva. O cargo de “director-geral” inventado pela RTP é ilegal, e o ministro sabe-o. Nada fez, apesar de legalista. O dossier TDT está na mesma. Quer canais públicos internacionais fortes, mas submetendo os conteúdos a privados através de “parcerias”. Calou-se perante o silenciamento da RTP Internacional nos EUA por capricho autoritário da administração. Defende a “desgovernamentalização da RTP”, mas, sendo os que lá estão os mesmos que a governamentalizaram, o servilismo em potência apenas está hibernado. Para Açores e Madeira virão leis aliviando o desperdício pago pelos contribuintes do Continente, passando a ser os das regiões (e Europa) a pagar soluções semiprivadas ao serviço, como sempre, do poder regional. A RTP2 mudou no papel para o Porto, propaganda em que Maduro colaborou. O caso ilustra o “sistema” instalado: o director foi escolhido pelo seu “perfil” sistémico, agradando ao PSD a que esteve ou está ligado e ao PS que serviu quando na ERC. Escolhido o director, que é do “Norte”, está escolhido o “perfil” da RTP2: faz-se no Porto! Aí está ela, igual a sempre. Assim, após a reviravolta governamental, a RTP está na mesma pois o ministro assume que as suas leis resolvem. Mas não resolvem o carácter miasmático da empresa, sistémico, “pública” no pior sentido, medrosa, servil, alheada do serviço público.»
Eduardo Cintra Torres, Correio da Manhã
Leio nos jornais que saíram 500 funcionários da RTP. Da olhadela que dou ao que produzem não noto nenhuma diferença. Então o que é que estava lá a fazer este exército?
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