O secretário de Estado Leite Martins, pessoa que conheço vai para vinte e três anos, sempre gostou de latim. Recordo-me de o ver citar abundantemente, nessa bela língua morta, o "lema" da IGF o qual, traduzido, sugeria que "o trabalho fortalece". Por isso não me admirei de o ver refugiar-se nela para se "inclinar", ainda que sob forma erudita, diante da palavra "papal" de Passos Coelho. «O senhor primeiro-ministro anunciou publicamente a posição do Governo nessa matéria e eu sou um membro do Governo alinhado com a posição que o primeiro-ministro define. É prematuro fazer qualquer outro tipo de considerações sobre o assunto. Roma locuta, causa finita. Roma falou, a questão está decidida.» O termo é atribuído a Santo Agostinho mas existe, no campo teológico, quem discuta a veracidade dessa afirmação pelo menos na primeira parte. Todavia, se recuarmos umas boas décadas, da Roma de Agostinho de Hipona até à Roma dos Césares - mais apropriada ao "contexto" governativo doméstico -, talvez fosse útil a L. Martins reflectir nas palavras de Gore Vidal no prefácio que escreveu para Os Doze Césares de Suetónio. Mesmo que nunca o tenha lido, puro ou em tradução. «Suetónio, ao apontar um espelho a esses prolixos e lendários Césares, reflecte-os não apenas a eles mas também a nós: criaturas divididas cuja maior obrigação moral é manter o equilíbrio entre o anjo e o monstro que carregamos connosco dado sermos ambos. Ignorar esta dualidade conduz inevitavelmente ao desastre.»
ResponderEliminarMesmo com latinadas, não me parece que estejamos muito longe do terreno colonoscópico.
Quosque tandem abutere patientia nostra?