
Via ma-schamba, feito num “país livre do acordo ortográfico”, Vasco Graça Moura de novo sobre o dito. «O certo é que, se as coisas continuarem assim, dentro de uma geração ninguém conseguirá pronunciar correctamente a língua portuguesa tal como ela é falada deste lado do Atlântico. Por outro lado, o que interessa, para além da questão jurídica e cultural de fundo, é uma questão política assaz bizarra. E a questão política actualmente resume-se a isto: estão a ser aplicadas não uma, mas três grafias da língua portuguesa. A correcta, em países como Angola e Moçambique, a brasileira (no Brasil) e a pateta (em Portugal e não se sabe em que outras paragens).(...) É muito de estranhar que, no ano em que o Brasil se apresenta em Portugal e Portugal se apresenta no Brasil com tanta pompa e circunstância, nenhum dos países interessados tenha feito qualquer reparo à maneira como a grafia do português, que se pretende oficial e oficiosamente seja agora adoptada em Portugal, consagra uma série de enormidades que não estão, nem podem estar, a ser aplicadas no Brasil e que aumentam a desconformidade com a maneira como a língua se escreve de um lado e do outro. Talvez tenhamos de esperar que se realize um ano de Angola em Portugal e de Portugal em Angola para o problema merecer atenção. E então não será de estranhar que tenhamos de agradecer aos angolanos um rigor na grafia da nossa língua de que, por cá, nós portugueses já não somos capazes.»
Pena que Jaime Neves tenha autorizado que o "seu" livro seja escrito no novo des(acordo) ortográfico.
ResponderEliminarAí está um livro que por isso - e muita pena que eu tenha - não lerei. Assim se fizesse em massa e esse crime cultural e de identidade nacional teria a reacção merecida.
ResponderEliminarMas nós por cá cedemos submissamente a tudo. Ainda hoje um dos jornais que resistia ao aborto ortográfico anunciou a sua rendição perante esse nojo. Gente falida, nós: sem dinheiro, sem futuro, confiscada de toda a esperança. E que nem a sua dignidade última protege.
Falida e sem carácter.
Costa
Grafia pateta e patética!
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