31.12.11

À ATENÇÃO DE UM RESIDENTE NA SIMPÁTICA VILA DA MARMELEIRA

«Criou-se, com o actual governo, a ideia de que ele teria um "défice de comunicação", explicando mal as políticas, etc. Não acho nada. Estamos é habituados a centrais de propaganda e governos que só pensam em enganar o povo. O actual governo é, nesta matéria, fiel à sua matriz liberal: apresenta as políticas e faz pouca propaganda delas, deixando a sociedade conflituar à sua vontade com ou contra as medidas. Ainda bem que há conflitos, ainda bem que há notícias deles, ainda bem que o governo tem deixado a sociedade dialogar sobre eles. A isto se chama democracia e liberdade. Esperemos que assim continue.»

Eduardo Cintra Torres, CM

VIDA NOVA

«De facto, Portugal começou a mudar. O poder e a sociedade estão cada vez mais conscientes de que os tempos do aventureirismo socialista são irrepetíveis, aliás, porque escasseia o dinheiro para sustentar as ilusões e alimentar as clientelas.»

Rui Costa Pinto, i

O TEMPO E OS FACTOS

O Diário de Notícias dá lastro a uma falácia que "indignou" duas ou três almas socialistas aparentemente não familiarizadas com o "memorando" que o seu partido assinou, em nome de Portugal, quando era governo em Maio. Sucede que não existe nenhum "novo acordo com a troika" que tenha retirado "mais poder aos sindicatos". Nada mudou nesta matéria entre Maio e o dia de hoje ou de amanhã. As "diferenças" sugeridas no artigo do jornal decorrem do "espírito" do "memorando", ou seja, já lá estavam. Vêm do tempo em que o PS negociou o acordo. O tempo, agora, passa muito depressa. Mas não convém que passe tão depressa que acabe por "passar" despercebido.

«NÃO FALARIAM DE ENSINO DURANTE UMA DÉCADA»

«Por que é que os milhões gastos na Educação mais avançada do mundo, com toda a panóplia de computadores e quadros interactivos, não fizeram o PIB crescer na última década? e 2 - Por que é que a distribuição maciça de diplomas o enorme aumento dos níveis de qualificação alcançado durante o Governo de Sócrates, e que maravilharam milhares de portugueses, não fizeram a economia avançar um cêntimo?»

David Levy, Lisboa ~Tel Aviv

30.12.11

RENOVAÇÃO DA LÍNGUA DE PAU

Um "desejo" para o novo ano das televisões portuguesas consiste em que elas nos poupem a uma legião de comentadores onde todos dizem mais ou menos a mesma coisa, as mesmas banalidades, jornalistas ou não jornalistas. Ao menos renovem a língua de pau.

O mãe


Há fenómenos do Entroncamento literato que emigram. Mas nunca chegam verdadeiramente a sair.

A SUPREMA INTELIGÊNCIA

29.12.11

UM DESTINO PORTUGUÊS


«É pena que Freud não nos tenha conhecido: teria descoberto, ao menos, no campo da pura vontade de aparecer, um povo em que se exemplifica o sublime triunfo do princípio do prazer sobre o princípio da realidade.»

Eduardo Lourenço (revisitado 33 anos depois em O Labirinto da Saudade)

28.12.11

DA VIDA DA LÍNGUA


Ontem à noite estive a ler algumas entradas do Dicionário de Camões coordenado pelo professor Aguiar e Silva. Belíssimo volume. Belíssimas entradas. O pior é o português acordográfico em que estão redigidas. Parece que "é a vida", como dizia o outro. Péssima (nova) vida.

"EU É QUE SOU O PRESIDENTE DA JUNTA"



27.12.11

CAMINHOS E MÃO DE FERRO

Aparentemente a CP está cativa de mais de vinte sindicatos. O dos maquinistas decretou nova greve para dia 1 de Janeiro. Porquê? Porque quer que a administração renuncie ao exercício do seu poder disciplinar, tão legítimo como o exercício do direito à greve. Desta vez não é dinheiro (mais) ou regalias (ainda mais). Não. É uma pura "afirmação" pífia de força cujos principais prejudicados são os utentes. E duplamente. Desde logo, porque aqueles que precisam de recorrer ao transporte ferroviário (e os mandarins sindicais sabem perfeitamente que não são os abastados) ficam diminuídos na sua capacidade de circulação. Depois, porque são também os impostos destes clientes que financiam a empresa e estes devaneios irresponsáveis. Dá ideia que esta gente pretende, deliberadamente, acabar com a CP. Isto já não é um mero caso de caminhos de ferro. É um caso, ou não, de mão de ferro.

AO CONTRÁRIO


Desconferenciar. Um "conceito" interessante agora que não há cão nem gato que não se pele por tagarelar.

A QUEDA

Santana Lopes pergunta bem. Mas a pergunta deve ser dirigida ao "verdadeiro" presidente da CML, o arquitecto Salgado.

26.12.11

O MITO DAS "BOAS NOTÍCIAS"

Algumas pessoas, algumas delas genuinamente boas pessoas, reclamam por "boas notícias". Mas algumas dessas pessoas, genuinamente boas pessoas (recordo que o extremo da "bonzice" foi atingido por Guterres, a verdadeira personificação da "boa pessoa"), foram das que mais contribuíram nos derradeiros anos para que não haja agora grande margem para "boas notícias". Por isso, a melhor notícia é a autenticidade mesmo quando dói. Uma "boa notícia" mentirosa ou artificial, no fim, acaba sempre por doer muito mais.

DA LEALDADE


Por acaso vi ontem, entre seis ou sete, Nos Idos de Março, de e com George Clooney. E concordo com Lauro António. «Em “The Ides of March”, tal como em Shakespeare, o que impera é a traição: foi a 15 de Março do calendário romano que Júlio César foi apunhalado por Brutus. Traição que agora não se expressa por um apunhalamento sangrento, mas por algo mais subtil, possivelmente mais letal, e sem deixar marcas visíveis: a deslealdade, o volte face, o truque de baixa política que aniquila uma carreira. Resta saber quem é mais esperto e mais veloz no contra-ataque, quem possui as melhores armas e quem melhor as utiliza. Em “Nos Idos de Março” há vítimas, mas estas são apenas os votantes que aclamam os seus ídolos sem se aperceberem dos seus pés de barro. Nesta campanha, como em qualquer outra rival, de democratas ou republicanos, o que vemos é ausência de valores. Ou como se diz, no final do filme, de integridade e de dignidade.»

25.12.11

ABSOLVIÇÃO




Na canal ARTE, Amadeus, de Milos Forman. No fim do filme, F. Murray Abraham (Salieri) "absolve" todas as mediocridades do mundo, vendo-se a ele próprio, louco, como padroeiro dessas mediocridades. Não foi bem assim na "história" de Salieri com Mozart. Todavia numa coisa Murray Abraham tinha razão. Até para fracassar é preciso ter talento. E Salieri tinha.

O CAPITAL INVISÍVEL


«Na nossa vida colectiva a degradação dos laços de confiança ao longo dos anos teve graves consequências na qualidade da nossa democracia, no nosso desempenho económico e na nossa solidariedade comunitária. A confiança é um activo público, é um capital invisível, é um bem comum, determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade. São os laços de confiança que formam a rede que nos segura a todos numa mesma sociedade.»

Pedro Passos Coelho, 25.12.11

A LUZ QUE BRILHA NAS TREVAS

«No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus; e o Verbo era Deus. No princípio ele estava com Deus. Tudo foi feito por ele e sem ele nada se fez de tudo o que foi feito. Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram dominá-la. Surgiu um homem enviado por Deus; o seu nome era João. Ele veio para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mais veio para dar testemunho da luz: daquele que era a luz de verdade e que, vindo ao mundo, ilumina todo o ser humano. O Verbo estava no mundo — e o mundo foi feito por meio dele — mas o mundo não quis conhecê-lo. Veio para o que era seu e os seus não o acolheram. Mas a todos que o receberam deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. Dele João dá testemunho, clamando: «Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente porque ele existia antes de mim». Da sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. Pois por meio de Moisés foi dada a Lei mas a graça e a verdade chegaram-nos através de Jesus Cristo. A Deus ninguém jamais viu. Mas o Unigénito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele nos deu a conhecer.» (João 1,1-18)


24.12.11

«I HOPE AGAINST ALL HOPE»


O sujeito a que aludo no post anterior, o dr. Pacheco, brinda os leitores do Público em papel com um artigo apocalíptico em torno do Natal e do país. Ia a meio - porque aqueles artigos são verdadeiras "torrentes de ideias" - e pensei que algures o autor nos ia convidar a preferir a morte a tal sorte. Não falhei por muito: «Matar-se. Emigrar. Desistir. Resistir.» Depois de o ler, senti-me por segundos como um Marcelo Rebelo de Sousa a distribuir optimismo e leitões da Bairrada pelas "vítimas" do artigo do dr. Pacheco. Nem no meu pior pessimismo (que é vasto e duradouro) conseguiria ir tão longe e tão fundo. O dr. Pacheco encarnou no planeta Melancholia de Lars von Trier. Mas em mau, muito mau, muito "pau de marmeleiro". Como rezam as Escrituras, procuro guardar, nas minhas imperfeições e enormes defeitos, a Fé. Oxalá Pacheco pudesse ser iluminado por ela e, um dia, dizer como o Papa João Paulo II - «I hope against all hope».

Foto: Giotto

23.12.11

O NOVO LADO BOM DA FORÇA


Os "socratistas", afinal, são do chamado lado bom da força. As coisas que estamos sempre a aprender com o nosso inefável dr. Pacheco.

O QUE FALTOU


«O que nos trouxe aqui não foi um erro, nem uma criatura. Foi, desde o princípio, uma incapacidade atávica de tratarmos de nós com um módico de inteligência e razão; e sobretudo como uma sociedade coesa com fins comuns.»

Vasco Pulido Valente, Público

DE COMO AJUDAR A DAR CABO DA CP


«Um sindicato de maquinistas de comboios, em prepotente manifestação de abuso de poder, mais uma vez decidiu fazer greve num período sadicamente escolhido para maximizar o prejuízo de quem, no final, lhes vem pagando o salário. Nomeadamente com impostos. Uma violência fomentada por pequenos ditadores de ocasião a quem se vai permitindo praticar todos os abusos. Da lei e das pessoas. Os grandes ditadores fazem-se desta massa.»

Pinho Cardão

22.12.11

FACTOS E FANTASMAS

Estou-me nas tintas para "comentários". Prefiro factos. Ora os factos (não promessas) mostram que no processo "edp" houve clareza, cumprimento de prazos e da lei e rigor técnico sem concessões ao porventura tomado como "correcto". O país demonstrou que não está refém da crise europeia e que concebe conceitos estratégicos alternativos simultaneamente em consonância com a sua história e com a contingência. Financeiramente, Portugal "encaixa" € 2.693 e, a final, entre este valor, a compra de acções e o refinanciamento da empresa pode arrecadar cerca de oito mil milhões de euros. Depois, tratou-se da proposta mais elevada (superior em 156 milhões de euros em relação à segunda melhor proposta, a alemã) e do melhor projecto industrial para o investimento na Europa e no continente americano já que a E.ON "centrava-se" na Península Ibérica. Está todavia garantida a "identidade do património" através da manutenção da sede em Portugal e da preservação dos actuais negócios. Finalmente, e porque há regulação, não há aumento de tarifas junto dos consumidores. As coisas são o que são. O que elas não são é fantasmas que pululam em certas cabeças tagarelas.

21.12.11

ADESÃO À REALIDADE

O primeiro-ministro pediu adesão à realidade por parte dos que, na opinião pública e na opinião que se publica, andam entretidos com jogos florais. Todavia é difícil que adiram à realidade aqueles (e são muitos) que reduzem tudo a estúpidos exercícios semióticos que o país tipicamente ignora e despreza. Mesmo que, no limite, a Europa desabasse sobre as suas cabeças, eles prefeririam sempre o tricot doméstico, nulo e inconsequente, que não muda um átomo a vida das pessoas. Mas para isso era preciso que tivessem uma cabeça onde entrasse ou caísse qualquer coisa.

TENTAR PERCEBER

ANTES DE TUDO O MAIS

Finalmente parece que se começa a perceber que é preciso poupar e que o natal nada tem a ver com quatro dígitos numa máquina. Porque «a fé é, antes de tudo o mais, Jesus Cristo nascido na palha de uma pobre gruta. Não pode, por isso, deixar de ser a inspiradora de um radicalismo evangélico que obriga o homem a ir ao fundo das coisas e a não se resignar perante as injustiças, por mais que a mansidão lhe tenha sido ensinada.» (Victor Cunha Rego)

20.12.11

"EMIGRATE"

Disse ela.

EVOLUÇÃO


Começámos o ano a encanar a perna à rã. Terminamos o ano com rigor e competência para recorrer aos termos usados por M. M. Carrilho - perfeitamente insuspeito - em relação ao ministro das finanças.

19.12.11

NETREBKO



Há menos de quinze dias no Scala de Milão.

VOTOS LÚCIDOS

A REALIDADE ATERRA EM ESPANHA


Ainda esta semana, Rajoy, aqui mesmo ao lado, vai começar a escarafunchar o que fica do "modernismo" zapateiro. Não deve encontrar nada de bom salvo o resultado da língua de pau do referido "modernismo": um desemprego medido ao milhão, uma despesa pública desenfreada, uma grandeza económica ameaçada. Merece todo o apoio. O sucesso dele, em certa medida, também é nosso.

APRENDIZES DE KIM


Morreu o verdadeiro "Querido Líder". O pior é que, em pequeninas e pequeninos, há muitos por cá a fazer de aprendizes dele. E em coisinhas muito pequeninas como elas e eles.

18.12.11

INCERTEZA


É o título deste artigo do António Barreto. A pensar em 2012. E assim sucessivamente.

«RIR DE NÓS MESMOS E DOS OUTROS»



«The only thing I can recommend at this stage is a sense of humor, an ability to see things in their ridiculous and absurd dimensions, to laugh at others and at ourselves, a sense of irony regarding everything that calls out for parody in this world. In other words, I can only recommend perspective and distance. Awareness of all the most dangerous kinds of vanity, both in others and in ourselves. A good mind. A modest certainty about the meaning of things. Gratitude for the gift of life and the courage to take responsability for it. Vigilance of spirit

Vaclav Havel, em 1999 (citado pela Lourdes Féria)

A CULTURA DOS "AGENTES CULTURAIS"

VITORIOSOS OU MORTOS


Há precisamente 50 anos, o "pacifista" Nehru invadia Portugal através de Goa. Este post notável do Miguel Castelo-Branco recorda o episódio pelo lado não politicamente correcto dele. De facto, a perda de Goa foi vista quase como uma inevitabilidade e a crónica pusilanimidade das organizações internacionais encarregou-se do resto. Salazar fez o que lhe competia. Num telegrama amplamente citado (contra ele, como não podia deixar de ser) que dirigiu ao Governador Geral, o presidente do Conselho era inequívoco: «não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos.» O que se passou a seguir é conhecido. Ninguém, de Lisboa à Índia, saiu bem da coisa. Houve, porém, uma excepção, o 2º Tenente Oliveira e Carmo que, com apenas 25 anos e sem hesitações, explicou aos seus subordinados: «fazemos parte da defesa de Diu e da Pátria e vamos cumprir até ao último homem e última bala se possível». Como escreve o Miguel, «os militares, mais que os paisanos, compreendem ou devem compreender o que significa o sacrifício derradeiro que lhes exige a carreira que voluntariamente abraçaram. Oliveira e Carmo compreendeu-o. Sacrificou-se pela honra e foi militar. Os outros, aqueles que pensaram quando não deviam pensar, que não cumpriram quando deviam cumprir, que partiram as espadas quando as deviam empunhar, que deitaram ao chão a bandeira quando a deviam levantar bem alto; esses, não foram militares. Há quem pense, erradamente, que os actos inúteis devem ser evitados. Errado, o acto inútil pode assumir transcendente significado. No caso de Goa, a Índia portou-se miseravelmente, Oliveira e Carmo cumpriu e não vacilou, como não vacilaram os goeses portugueses que deixaram tudo para serem dignos da sua condição de cidadãos - que reclamam direitos, mas têm deveres - e os outros, aqueles que se renderam à lógica, os pragmáticos que racionalizam, os homens dos afectos e da lágrima sentimentalóide, esses perderam. É tudo.»

17.12.11

(IN)GRATIDÃO

Em entrevista a um jornal, Luís Figo afirma-se "desiludido" com Sócrates, a criatura com quem tomou o pequeno-almoço mais famoso de 2009, e pretende mandar o país à fava. Alfredo Barroso veio a público "denunciar" a ingratidão do tio que apenas o refere uma vez no seu último e, pelos vistos, impreciso livro depois de uma vida inteira dedicada à egrégia figura. A ele, Soares preferiu os serviçais mais à mão que, pelos vistos, nem sequer souberam dar conta do recado. E entregou a apresentação da coisa a dois rapazinhos muito apreciados no que resta do "meio socrático". Tudo somado, dá para confirmar que a política é a actividade "humana" mais próxima do amor. Não se deve esperar gratidão de ninguém.

16.12.11

"LISBOA FELIZ"

A noite em que António Guterres fugiu do pântano.

PRÉMIO LAURENTINO

«Já houve de tudo na atribuição do Prémio Pessoa inventado pelo Expresso: amiguismo, snobismo, intriguismo, oportunismo, e algumas distinções adequadas. O prémio hoje atribuído a Eduardo Lourenço, no ano em que a Gulbenkian está a publicar a obra completa do grande ensaísta, redime muitos pecados cometidos em Seteais.» É verdade, Medeiros. "Pecados" em que o premiado também terá participado já que fez parte do júri do dito prémio durante uns bons aninhos. All in all, ainda é dos poucos que pensa.

COISAS VERDADEIRAMENTE IMPORTANTES

UM SOARES MENOS FIXE


Visto por José António Barreiros. E que até se esquece do dedicado sobrinho.

15.12.11

COISAS BOAS


Para os "malrauxianos" como eu, este dicionário. «Il s’agit d’un homme dont l’existence fut gouvernée par l’art et l’action, et qui n’a cessé de revêtir des masques, de ruminer sa méditation ininterrompue et de mélanger habilement la fiction au réel pour en faire sa propre tambouille métaphysique.»

PARECE

Que o deputado Santos está em boa companhia.

AO CUIDADO DO DEPUTADO PEDRO NUNO SANTOS

«A dívida instalou-se na cultura ocidental, e de um modo cada vez mais constante e avassalador, desde que se privilegiou de um modo absoluto a relação com o futuro, concebendo-o como um horizonte que acolhe e compatibiliza todas as promessas e expectativas, por mais contraditórias ou inviáveis que fossem. Foi isso que, antes de todos, percebeu Nietzsche, o mais visionário dos filósofos do século XIX. Foi no segundo ensaio do seu livro A Genealogia da Moral, de 1887, que ele perspicazmente sugeriu que a sociedade não resulta da troca económica (como pensaram A. Smith ou K. Marx), nem assenta na troca simbólica (como viriam a defender as perspectivas antropológica ou psicanalítica), mas que ela se organiza a partir do crédito. Ou mais precisamente, da relação credor-devedor. A grande intuição de Nietzsche foi a de que é a assimetria entre o crédito concedido e a dívida assumida que, desde os seus primórdios, está no fundamento de toda a vida social, antes mesmo da produção e do trabalho. Destacando a proximidade, em alemão, entre o conceito de dívidas (Schulden) e a noção de culpa (Schuld), Nietzsche defende que a chave da organização da sociedade se encontra na sua capacidade para fabricar homens capazes de prometer, e nos seus múltiplos mecanismos para obrigar a honrar as promessas feitas. Teria sido esta a origem da memória, que seria o lugar do mais remoto aparecimento da consciência individual, e nomeadamente dos sentimentos de medo, de má consciência ou de culpabilidade.»

M. M. Carrilho