Mostrar mensagens com a etiqueta Luíz Pacheco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luíz Pacheco. Mostrar todas as mensagens

7.6.11

UM SINAL DE CIVILIZAÇÃO


Assisti ontem, pela primeira vez, a umas provas de doutoramento, no caso, de sociologia. De lá saiu, com um antigo "muito bom com distinção", o O

5.5.11

SEU NOME PACHECO NUMA LISBOA DESERTA COM FEIRA DO LIVRO


«É improvável, no entanto, que Luiz Pacheco achasse muita graça a esta Lisboa sem cafés, quase sem eléctricos, às montras todas iguais das livrarias todas iguais, aos cagalhões líricos que por aí andam, passeiam e triunfam, aos blogs e booktailers [sic] de inúmeras excrescências tibiamente respeitadas. Com todos os seus defeitos (e eram muitos), Luiz Pacheco não contribuiu para isto. Ainda bem.» (Vítor Silva Tavares, "Pacheco, editor-orquestra", in Luíz Pacheco Contraponto, p. 17, Biblioteca Nacional / D.Quixote, 2009

in Livros de Areia Editores

17.4.10

SE FOSSE EU A ESCREVER ISTO QUE SUBSCREVO


«E vai mais uma com um ajuste directo ao assunto: Imprensa-Apesar-De-Tudo-Muito-Mais-Livre destes poucos patrões de jornais e televisões e sinergias e betinhos jornalistas e jornalistas betinhos. A imprensa do tempo Pacheco era feita de outra forma, tão esquisito eu aqui a pensar que apesar da censura a Imprensa era mais livre. Não era, claro, mas de certa forma era. Explicarei melhor noutra altura. Pois então, Pacheco Luiz editou preciosidades e no resto? Uma alma de crápula e fiscal. Não se endeuse quem nem sequer suportaria saber-se assim colocado numa peanha. Pacheco não tem obra mas opúsculos, pagelas, folhecas. A questão pachecal é que cada um dos seus opúsculos, pagelas ou folhecas e tudo isto junto tem mais peso na cultura nacional que as toneladas de livros editados em Portugal. De há muito que a literatura não me interessa para nada. Em especial a portuguesa. Está tudo escrito e quanto ao rescrito, lamento mas é mau. Quase tudo muito bera. »

Fátima Rolo Duarte, fworld

18.5.07

EPIFANIA DO ÊXITO E DO FRACASSO - 2

Sobre o post anterior e os comentários que lá vêm, apenas o seguinte. Não peço desculpas a ninguém pelo que aqui escrevo, a menos que me engane em alguma coisa. Se os amáveis leitores não sabem distinguir, não sou eu quem lhes vai explicar. Quanto à evocação da "santa madre igreja", isso sim é revelador do lixo e da imensa trampa que vagueiam na cabeça de muita gente. Os burguesinhos de espírito não são só os polícias da esquerda. O conformismo intelectual ataca por igual na alegada direita. Se forem adultos, os meus amáveis leitores de certeza que, por exemplo, não imaginam que a Cilinha Supico Pinto ia para Angola apenas por causa do "conforto moral" das tropas, pois não? Ou que os "magalas" que desciam aos quartéis para serem queimados nos matos africanos - agora pais é avós respeitados nas suas santas terrinhas - se dedicavam à pastorícia heterossexual, pois não? Sejam crescidinhos, vá lá.

17.5.07

EPIFANIA DO ÊXITO E DO FRACASSO


Estava a almoçar - sardinhas assadas - com uma amiga que me perguntou o que queria dizer a expressão x em latim. O sobrinho, de vinte e tal anos, andava a ler qualquer coisa do José Luís Peixoto e deparou-se-lhe a latinada. E, diz-me ela, não passa dali enquanto tudo não for bem explicadinho. Com Braga por fundo da conversa, ocorreu-me que ao moço talvez não fizesse mal a leitura do "Libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor", do Pacheco, o verdadeiro, o Luíz. Todavia, que sentido fará para um adolescente de vinte e poucos anos um Pacheco vintage, princípio dos anos sessenta, do "ala para angola é nossa"? Nenhum, porventura. E, no entanto, esse impromtu literário, escrito em Braga, a "16 ou 17 de Outubro, 1961", é, não no sentido piroso do termo, um marco. Delirante, inverosímil, impossível, escabroso, improvável e verdadeiro, porém, um marco. Os parágrafos finais são uma pequena epifania do êxito e do fracasso, em forma de magala, de um prazer por vir. Pacheco faz sempre sentido mesmo quando, apenas em aparência, não faz sentido algum. "Como a Natureza previu todas as nossas fraquezas e ausências, dotou-nos também com outro caralho para o cu detrás. Meto o dedo (médio?) todo no cu, bato a punheta. E a ejaculação, forte porque há dias que estou sem deitar nada cá para fora, dá-me contracções no esfíncter. Gozadíssimas. Venho-me imenso. Estou cada vez mais excitado. Cada passo na escada julgo que é o António que vem e me penetra e me obriga a chupar-lhe o delicioso caralho que não vi. Escândalo. Tribunal Militar. Vergonha. Filhos a saberem tudo. Loucura. Suicídio. Tomo meio Calmax. A pouco e pouco a corda vai-se aligeirando, estou melhor. Mas que vontade de ter pecado. De pecar. Como assim: de viver. Descubro que o êxito e o fracasso são uma e a mesma cadeia e em tudo. O êxito para cima, o fracasso para baixo, e quando digo baixo digo baixo: sujidões, dívidas, vergonhas, podridão, loucura. Mas o que torna tudo igual é que ambas as cadeias se encontram, nada a fazer, meus caros, daqui a cem anos ninguém se lembra. E a nossa lição-abjecção a quem aproveitará? Já tanto faz. Tanto nos faz."

8.4.07

"QUEM É? NÃO O CONHEÇO."

O Pacheco inesperadamente de volta depois de me ter lembrado dele outro dia. No Correio da Manhã. Do lar do Príncipe Real para a casa do filho. Língua desatada e dois olhos "sacanas" que já só têm pachorra para a RTP-Memória. A filha lê-lhe os livros e os jornais.
"... o José Agualusa, que não escreve nada. É um pateta alegre.
Gosta da escrita de António Lobo Antunes?
Muito. Gosto quando ele fala do bairro onde nasceu, Benfica. Tem muitas qualidades e anos de escrita. Mas é um bocado apanhado da pinha.
O que nos diz dos políticos?
São uns m. Comparados com eles próprios. Aquela que foi ministra das Finanças era uma tipa séria, mas era cá um camafeu.
Gosta do José Sócrates?
Quem é? Não o conheço.
Mas gosta de Pedro Santana Lopes?
É um ‘bom vivan’. Não deixou obra nenhuma, mas sabe viver. Andava nas discotecas e estes gajos – o pequeno, o gajo que é quase anão – fez-lhe a folha. O Santana é um senhor. Gosta das noites. E bebe o seu copinho.
O País reconhece as pessoas?
Não podemos falar de um só País. De Lisboa ao Porto existem dois países ou, talvez, existam quatro países em Portugal. Por exemplo, o Mário Soares, quando era Presidente da República, deu-me 650 contos. Uma vez, no Chiado pedi-lhe 20 paus emprestados. E ele deu-mos. Este presidente, o actual, que tem aquela cara, não me deu nada.
Vive de alguma pensão?
Tenho um subsídio de 120 contos, graças ao Alçada Batista. E também ao Balsemão, que teve a feliz ideia de inventar o decreto do mérito cultural. O Santana despachou um decreto que favorece pessoas que estão na minha situação. Mas não é por isso que gosto do rapaz. O tipo sabe o que é bom. O que é bom para mim são umas garotas, que vêm cá de manhã para me fazerem a higiene. Não é mau.
"Um lema... Não me lixem. Não me chatem."

2.4.07

"ESTES MERDAS QUE HÁ AGORA..."


Uma falta que sinto na chamada blogosfera é do João Pedro George. Por sorte, e antes de ele eliminar muita coisa do Esplanar - alguma está em livro, outra em livro por vir, só o Leone, que podia perfeitamente ter sido eliminado, é que lá ficou - imprimi uma entrevista dele a Luiz Pacheco e que reencontrei a rasgar papéis. A dada altura, diz assim o Pacheco: "O Duarte Pacheco era diabético e um trabalhador incansável... estava lá no ministério até às tantas, a beber leite, era um gajo de facto com uma visão do futuro... depois tinha o apoio do velho Salazar, que também não era tão mal como isso... não era tão mal como isso... era péssimo, mas enfim... era péssimo, mas também não era como estes merdas que há agora..."