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7.11.10

OLÍVIA COSTUREIRA E OLÍVIA PATROA

Um é candidato apoiado pelo outro. Aliás, o segundo até é da "comissão política" do primeiro. Um, o candidato, acha que a anunciada greve geral «vai ser um momento de grande significado sindical, político e democrático.» O outro, o privilegiado apoiante e "estratega" dele, pelo contrário, apresta-se a «desencadear os procedimentos» para garantir serviços mínimos por parte de magistrados que já anunciaram ir participar no «momento de grande significado sindical, político e democrático» do candidato. Vejam se se entendem.

15.9.10

UM MINISTRO A PRECISAR DE APERFEIÇOAMENTO


«O processo Casa Pia arrastou-se durante muito tempo porque era de especial complexidade. Esta lata de cerveja demorou doze (12) anos a ser resolvida porque também era muito complexa.» A nota de Filipe Nunes Vicente responde à locução vazia do ministro da justiça, uma coisa em que ele, Alberto Martins, gongoricamente (não saberá linguagem comum?) confia e que, mergulhado em centenas de inúteis comissões, pretende "aperfeiçoar". Porventura em "complexidade" que foi só o que se fez nos últimos anos criando a mais metódica insegurança jurídica e legislativa de que há memória. Em Portugal e em português, "aperfeiçoar" denota normalmente o contrário do que o verbo significa. Tal como a palavra "justiça". Uma das razões pelas quais somos periféricos reside na justiça. Nas eleições presidenciais, para variar, podiam pensar nisto.

6.8.10

A PAZ DOS CEMITÉRIOS



É o que este pobre de Cristo deve querer dizer com "serenidade". Que lamentável criatura a prestar-se a ser porta-voz de uma falácia. Ao menos, se souber, leia as legendas do clip. Ninguém lhe vai agradecer o frete numa terra onde não abundam de Posas e sobram frouxos urinados em temor reverencial.

26.7.10

O MINISTRO QUE VIA PASSAR OS CACILHEIROS


O dr. Martins, ministro da justiça, é mais um na circunstância a ver passar os cacilheiros da janela do seu gabinete ao Tejo. É mais um, quero eu dizer com isto, a praticar o "eterno retorno" como guião de desempenho de funções governativas no actual executivo. Há quem consiga isso em menos de 24 horas - a importada Helena André ou o académico Mendonça - mas Martins vai lá por outra via: comissões e, algumas, "altamente especializadas" bem como os inevitáveis "grupos de trabalho". A "ideia" é colocar tudo como estava dantes sendo aqui o "dantes" o governo que o precedeu, o dele em versão absoluta ou o dele mesmo, o desencontrado minoritário. A taxa da justiça é um mero exemplo e, lá está, ele tem um "grupo de trabalho muito qualificado" a desfazer o feito. Martins não é mau tipo, porém entrou para o lugar errado à hora errada. A entrevista está cheia do termo "credibilidade". Este, assim como a "transparência", quando usados em doses cavalares não querem dizer nada. Alberto Martins - sejamos realistas -bem como o governo de que faz parte também já não tem nada para dizer.

18.11.08

SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO

Que tremenda falta de jeito. Bem avisei que a credibilidade, por si, é curto. Está na hora do JPP proporcionar umas conversas com a senhora sobre os "clássicos". Por este andar, não chega ao Natal. Isto, porém, não desculpa a intervenção idiota do ex-comandante de bandeira da Mocidade Portuguesa Alberto Martins, hoje infeliz líder parlamentar do PS, que "acusou" Ferreira Leite de "pulsões autoritárias". A senhora quis significar que não se "reforma" nada nem ninguém, em democracia, contra a vontade dos "reformados". Não é manifestamente, uma ironista. Apenas isso.

Adenda: A SIC-Notícias tem previsto um "debate" - seguramente entre os seus papagaios habituais - sobre as "declarações" de Ferreira Leite. Com isto, ninguém prestou atenção à parolice governamental que fez deslocar um 1º ministro, cinco ministros e cinco secretários de Estado a uma denominada "feira tecnológica nacional", a nova Golegã sem cavalos mas com "Magalhães" por todo o lado. Esta gente é que está no poder. Não é a outra senhora. Um pormenor insignificante para os ranchos folclóricos de diversas proveniências (Menezes já fez a competente prova de vida) sempre prontos a arrear uma tunda em tudo o que mexe contra Sócrates. Força.

Adenda-2: José Medeiros Ferreira, não lhe fica bem fazer de comentador residente da SIC-Notícias. Acha mesmo que alguém está interessado em "paralisar", nem que seja por seis meses, uma democracia paralítica? Em matéria de densidade democrática, digamos que o secretário-geral do seu partido não é propriamente um exemplo de manual. A dra. Ferreira Leite não é do métier (V. tem razão quando explica que não foi por acaso que Barroso não a indicou em 2004) mas, certamente, não traz a reacção escondida na malinha de mão.

9.10.08

O "IMBECIL COLECTIVO"

O PS votará disciplinadamente contra os projectos dos "Verdes" e do "BE" sobre casamentos entre same sexers. Só um deputado da JS, por causa do "emblema", está "autorizado" a votar "sim". A seguir, o sr. Martins entrega uma "declaração" em nome do rebanho favorável... aos casamentos entre same sexers. Tenho pena que alguns deputados da maioria, que respeito, se prestem a esta figura ridícula ditada tanto pelo mero oportunismo eleitoral como pela má consciência. Isto nada tem a ver com ser a favor ou contra o assunto, ou a considerá-lo ou não como prioritário (na minha opinião nem sequer é). Tem a ver com carácter, uma coisa que, pelos vistos, não abunda naquele "imbecil colectivo"*.

*Título de uma obra do brasileiro Olavo de Carvalho

27.7.08

O OXÍMORO SOCIALISTA

A Cravinho respondeu o inefável Alberto Martins, o louvaminheiro parlamentar do governo, alguém claramente desprovido de um módico de densidade ou de interesse políticos e que está acostumado a debitar o que o mandam debitar. Lançou um oxímoro em forma de "farpa" ao seu camarada quando lhe atirou com o «quem faz deste combate uma bandeira, não o deixa a meio.» Na sua intrínseca paloncice, Martins, sem querer, deu a entender duas coisas. Primeira: Cravinho podia ter escolhido entre prosseguir o "combate" entre os seus, "fingindo" que erguia a "bandeira", e o BERD. Segunda: Cravinho e os seus "acordaram" que era melhor para ambos a sua remoção enquanto os seus prosseguiam o "combate" com a "bandeira" adequada às circunstâncias. Têm todos medo de quê?

29.5.08

O COMANDANTE DE BANDEIRA


O sr. Alberto Martins, chefe de banda do PS, não perdeu os bons hábitos de "comandante de bandeira" da defunta Mocidade Portuguesa. Gongórico e nulo, Martins dirigiu-se a outro deputado, Louçã, acusando-o de utilizar “linguagem imagética animalesca” contra o "querido líder". Aparentemente Louçã e Sócrates travaram-se de razões e mimosiaram-se mutuamente de "mentirosos". A "democracia parlamentar" que eles frequentam é cheia daquela "linguagem". Não se percebe, por isso, o tom ofendido do velho "comandante de bandeira". Ou serão resquícios da remota ocupação oficiosa dos tempos livres de Martins antes de se tornar em "mito" associativo revolucionário por ter feito uma perguntinha pública ao Almirante Américo Tomás ? Por que não te calas, Martins?

8.7.07

LIÇÕES DE DEMOCRACIA


Numa intervenção no Parlamento, a semana passada, Zita Seabra chamou a atenção para o "clima persecutório, de intolerância, de intimidação, de perseguição na Administração Pública inadmissível em qualquer país democrático e assente num Estado de Direito" a propósito das "sucessivas medidas persecutórias por delito de opinião" a que o governo e os delegados do PS se têm entregado, com recurso a "delatores, que antes do 25 de Abril chamávamos, e hoje chamaremos novamente, de "informadores." E, depois, dá nota de um caso concreto que seria ridículo se não fosse trágico. "Que dizer de uma dirigente que acha normal ir à televisão defender que a forma eficaz de dar entrada da correspondência no serviço é os funcionários irem ao seu gabinete para que ela abra os sobrescritos e dê ou não entrada à correspondência? O método eficaz é ser ela a abrir e ler, uma a uma, a correspondência no seu gabinete. Todos os dias a senhora, sentada certamente – que a autoridade exerce-se sentado –, abre, frente ao funcionário de pé – que o respeitinho é muito bonito –, a correspondência que lhe venha eventualmente dirigida." E Zita conclui que importa continuar "a denunciar firmemente todas estas perseguições e tentativas de transformar a Administração Pública num campo minado por medos, por compadrios partidários, por comissários políticos e ministros capazes de aceitar que o seu gabinete seja caixa de correio de delações políticas, de pequenos denunciantes de crimes de lesa ministro." A isto, o líder da bancada absolutista, o dr. Alberto Martins, respondeu, irritado, que "o PS não recebe lições de democracia de ninguém". O dr. Martins tem uma "história" que lhe aconselharia, no mínimo, algum recato. Foi projectado para a política por causa do famoso "pedido da palavra" numa cerimónia na Universidade de Coimbra, em Abril de 1969, presidida pelo então Chefe de Estado. Era presidente da Associação Académica e o incidente foi objecto de um livro mencionado no IV Volume das "memórias" de José Hermano Saraiva - o ministro da Educação Nacional nesse momento - intitulado "Dossier Coimbra", de António da Cruz Rodrigues e José Maria Marques, da Livraria Sampedro Editora, 1969, muito raramente comentado a propósito disto e pouco abonatório da para sempre fixada pelo politicamente correcto. Por um lado, dizia-se que os tribunais absolviam os detidos "por carência de fundamento" para as acusações. Por outro, organizavam-se excursões académicas a Lisboa para pedir ao PR que os amnistiasse dos "processos pendentes". Como escreve Saraiva, a rapaziada queria "um pretexto para um 69 condigno do 68 francês". Todavia, o mais lapidar "retrato" do dito Martins fica encerrado neste parágrafo do livrinho de J. H. Saraiva. "O relato do livro Dossier Coimbra é um depoimento que não pode ser omitido no processo. O livro foi "abafado" (ignoro por quem) e triunfou a versão politicamente vencedora. Escrevo estas linhas com a desolada certeza de que não vou alterar as convicções estabelecidas. Que pode um pequeno sopro de verdade contra uma enraizada ficção política, que já tem heróis, dá dividendos (até faz ministros!) e é um dos pilares do regime instalado?" Pois é, dr. Martins. O senhor lá saberá por que não recebe lições de democracia de ninguém.