
Francisco Assis é indiscutivelmente uma forma de vida inteligente no meio da nomenclatura oficiosa do PS, sensivelmente a mesma há décadas. Pensa por si, não é oportunista, tem um módico de biografia que lhe permite ser lido ou escutado com alguma atenção contrariamente a algumas e alguns cristãos-novos partidários velhíssimos em sabujice rasca e videirinha. Todavia é pueril quando fala na "vontade transformadora" do PS. Na realidade, quer para as eleições legislativas, quer para as presidenciais onde já pôs (com complacências várias que a seu tempo se tornarão clarinhas como água) a sua marioneta vaga em exercícios de aquecimento, o PS não pretende "transformar" nada mas, sim, manter o que for possível manter do regime sem o reformar. Um ou outro rosto novo, uma ou outra "ideia" mais agradável, um ou outro "ajustamento" distinto do "ajustamento" dos outros não fazem exactamente uma primavera. É que faz agora ainda muito pouco tempo que o PS não queria "transformar" nada e tão somente "ficar" por "ficar". Até Teixeira dos Santos se espantou com tamanha lata como recentemente reconheceu numa entrevista à TVI. Costa já informou, com a sua delicadeza habitual, que o documento que encomendou não é a "bíblia". E só corre para ter mais um voto, quer lá saber de "transformações". Quem se se esquecer disto, não entende nada do que se vai seguir.
Já não há dúvidas nenhumas. De todos os políticos nacionais, Costa é de longe aquele com mais capacidade para liderar um projeto que nos leve rapidamente ao 4º resgate e à vergonha. Chega a ser assustadora a maneira e a frequência com que se esquiva a tudo o que não lhe seja conveniente ou esteja a correr mal. Na verdade, quase sempre. Se isto é o melhor que o PS tem para dar, não tenho dúvidas nenhumas que até na oposição o partido pode ser um importante contributo para qualquer desastre de Portugal que os traga ao leme. Ainda por cima, liquidaram o Seguro, que era o único com a higiene totalmente em dia.
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