Em pouco mais de 24 horas, ficámos a saber mais algumas coisas sobre a merdice em que se está a tornar Portugal. Um relatório da IGF, relativo a 2012, dá nota de umas quantas "subvenções" estatais a entidades que vão desde a Cruz Vermelha, à Federação Portuguesa de Futebol passando pela construtora civil Mota Engil. Esta recebeu mais de oito milhões de euros para terminar o lançamento de betão para cima do trambolho de Belém (o apelidado "museu dos Coches" que talvez fosse mais apropriado começar pela letra "b" mantendo a terminação em "oches") em nome de "obras de interesse turístico" para o Portugalório (de acordo com a Mota Engil, a "subvenção" foi entregue à Frente Tejo que por sua vez a entregou à construtora, o que faz muita diferença para o contribuinte, apesar de a dita Frente ter sido extinta em 25.11.2011 e passado para as mãos imaculadas da CML). Resta saber onde entra nisto esse albergue espanhol que dá pelo nome de Turismo de Portugal. A Federação, para "ajudar" a pagar as dívidas com o velhinho Totonegócio, "subvencionou-se" em nove milhões, e sessenta e duas fundações (62) receberam cerca de 64 milhões de euros (pensava eu, na minha indesculpável ingenuidade, que o governo se tinha aplicado, entre 2011 e 2012, em rever profundamente esta coisa das fundações). Tudo somado, estas "subvenções" atingiram o valor de €2.240.607 o que representa uma magnífica "contribuição extraordinária de solidariedade", esta sim, para com os sortudos beneficiados. Para além disto, soube-se que o Estado "emprestou" cerca de 510 milhões de euros às empresas que gerem o lixo tóxico do BPN, a Parvalorem e a Parups (designações risíveis se não fossem trágicas pelo objecto delas), precisamente para (sic) "absorverem os créditos tóxicos do BPN". Mas a Parvalorem entretanto conseguiu a proeza de "convencer" um tribunal da "mais-valia" que representa para um país egrégio em matéria de património cultural a venda por tuta e meia de quadros de Miró oportunamente "nacionalizados" com o lixo que a dita Parvalorem gere. Isto como se a Parvalorem, a Parups e o Estado que as pariu e paga não fossem uma e a mesma coisa. Que quem alegadamente superintende na matéria considere ilegal a saída das obras, é irrelevante. O que importa é que o governo está "aliviado" e "respirou fundo" com a decisão do Tribunal que o gabinete do senhor primeiro-ministro considera "um acontecimento positivo". Não tenho nada contra a iliteracia e idiotia alheias. Mas já me preocupa quando é "de Estado" que aparentemente nada mais consegue enxergar do que um "financês" tosco, perverso e socialmente destrutivo. Repugnante.
Adenda: Apenas a leiloeira revelou bom senso. Nem deve ter precisado de "respirar fundo" como aquelas pobres almas em redor do pupilar dos pavões de São Bento.
Criar um museu Miró em Portugal não teria certamente, para estas luminárias que nos governam (?), qualquer valor turístico. Já erigir o mamarracho repulsivo para onde serão transferidos os belíssimos coches instalados no belíssimo Picadeiro Real e em perfeita harmonia com ele, será certamente uma façanha: a de fazer fugir a sete pés os espíritos dotados de bom gosto das imediações de tão horroroso edifício. Assim vai o Turismo, outrora entregue a gente culta e respeitável, como testemunhei de perto. No fundo, vai como tudo o resto, infelizmente. Já não sei se dá" vontade de morrer" ou de matar(e eu até sou pacifista)...
ResponderEliminarUm bom post na parte financeira dada às Fundações que é um pornográfico escândalo, bem como â Cruz Vermelha.
ResponderEliminarSobre a apreciação estética do futuro Museu dos Coches, apenas me lembro da carpideira que foi feita quando se construiu o CCB.
Aposto que muitos que então falaram gostariam que o Sr. Smith do 1984 existisse.
Eu não sei qual é o seu problema com o museu dos coches (vai-me perdoar não seguir a sua sugestão relativamente ao nome do dito. desconhecia esse seu lado brejeiro). Mesmo percebendo pouco de arquitectura, parece-me que este novo museu é sobretudo uma obra que se insere numa determinada tradição estética que o João pode ou não apreciar. Agora, um comentário do género do seu não pode ser levado a sério. Nomes como Paulo Mendes da Rocha e Ricardo Bak Gordon merecem-nos, mesmo no desacordo, outro tipo de profundidade na análise.
ResponderEliminarTratando-se de um arquitecto brasileiro começar o nome do museu por Br é uma óptima ideia.
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