29.11.13

O naufrágio

De Gaulle, a propósito de Pétain, afirmou que a velhice é um naufrágio. E acrescentou que, para que nada lhes fosse poupado - a eles, franceses -, ao naufrágio de Pétain juntava-se o naufrágio da França. Com as devidas adaptações, a rápida passagem dos anos aqui, entre nós, é um naufrágio. Nosso e da nação.

3 comentários:

  1. João Vargas Moniz10:14 p.m.

    É a "amada Pátria" destruída de que falava Pacheco Pereira na sessão promovida pelo Dr. Mário Soares, que desencadeou mais ódio do que as suas ainda lúcidas e seguramente premonitórias palavras. Tempo para evocar poesia à esquerda, sofrida, raivosa, muito enraivecida e ainda mais magoada:

    "Eu sou português
    aqui
    em terra e fome talhado
    feito de barro e carvão
    rasgado pelo vento norte
    amante certo da morte
    no silêncio da agressão.

    Eu sou português
    aqui
    mas nascido deste lado
    do lado de cá da vida
    do lado do sofrimento
    da miséria repetida
    do pé descalço
    do vento.

    Nasci
    deste lado da cidade
    nesta margem
    no meio da tempestade
    durante o reino do medo.
    Sempre a apostar na viagem
    quando os frutos amargavam
    e o luar sabia a azedo.

    Eu sou português
    aqui
    no teatro mentiroso
    mas afinal verdadeiro
    na finta fácil
    no gozo
    no sorriso doloroso
    no gingar dum marinheiro.

    Nasci
    deste lado da ternura
    do coração esfarrapado
    eu sou filho da aventura
    da anedota
    do acaso
    campeão do improviso,
    trago as mão sujas do sangue
    que empapa a terra que piso.

    Eu sou português
    aqui
    na brilhantina em que embrulho,
    do alto da minha esquina
    a conversa e a borrasca
    eu sou filho do sarilho
    do gesto desmesurado
    nos cordéis do desenrasca.

    Nasci
    aqui
    no mês de Abril
    quando esqueci toda a saudade
    e comecei a inventar
    em cada gesto
    a liberdade.

    Nasci
    aqui
    ao pé do mar
    duma garganta magoada no cantar.
    Eu sou a festa
    inacabada
    quase ausente
    eu sou a briga
    a luta antiga
    renovada
    ainda urgente.

    Eu sou português
    aqui
    o português sem mestre
    mas com jeito.
    Eu sou português
    aqui
    e trago o mês de Abril
    a voar
    dentro do peito.

    Eu sou português
    aqui"

    É de José Fanha e podia ser meu, se soubesse-

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  2. Precisamente

    E continuaremos a naufragar.

    Cumprimentos

    João Gabriel

    http://joaomfgabriel.blogspot.pt/

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  3. Nós, os outros, não queremos continuar a pagar a vidinha calma e previsível dos fps e ex-fps....

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"Sujeito a aprovação prévia"