
«Nada substituiu o francês com particular vantagem. Na escola, deixou de se aprender e o inglês, que se estuda em vez dele, não parece ir longe. É certo que nalgumas áreas científicas, no "economês" de serviço e nos computadores, se tornou incontornável a presença de uma matriz anglo-americana. Mas hoje em dia, apesar das séries de televisão, dos filmes e da Internet, ninguém ou quase ninguém lê obras literárias em inglês ou se exprime nessa língua com a facilidade com que o fazia em francês. E as toneladas de materiais da maior relevância, impressos em francês, que dormem nas nossas bibliotecas, estão mais ou menos condenadas a serem somente lidas pelas traças. É pena. Foi com esses materiais que aprendemos a pensar a literatura e as artes, a história, a própria Europa. Do fundo dessa decadência, três séculos de cultura em língua francesa nos contemplam.»
Foto: Montaigne Project
"(...) ninguém ou quase ninguém lê obras literárias em inglês ou se exprime nessa língua com a facilidade com que o fazia em francês." Gostava de saber onde é que o meu ilustríssimo homónimo foi desencantar esta teoria. É por estas e por outras que o excesso de conservadorismo condena muitas coisas que poderiam de facto ser conservadas a serem deixadas para trás como se se tratasse da peste. O inglês é a língua da tecnologia e da indústria, coisa que de facto sempre foi mal vista aqui pela "cultura" francóide-arabesca que nunca produziu um prego.
ResponderEliminarE além disso a língua e cultura inglesas foram capazes de produzir obras que nenhum escritor romano ou francês alguma vez conseguiu (a Grega foi mais abundante nesse aspecto): histórias e personagens universais, sem regionalismos patêgos e aborrecidos que não interessam a ninguém.
ResponderEliminarficará tudo «ruído do bicho«
ResponderEliminarExactamente!!!
ResponderEliminarO saber não ocupa lugar, mas será que foi assim que os puristas do Egipto pensaram quando os Romanos lhes "enfardavam" Latim para cima? ohh não, e agora quem é que vai ler os pergaminhos tão bonitos que nós fechamos ali nas pirâmides?"
ResponderEliminarDisparates. Seria muito fácil provar que há hoje muito mais gente a dominar o inglês do que na época da hegemonia gaulesa se falava francês em Portugal. A única diferença é que nessa época só tinha acesso aos media a pequena elite letrada da nação e hoje esse acesso democratizou-se. Quanto ao que VGM escreve sobre os leitores da grande literatura, a descrição é correcta, mas a interpretação volta a não fazer sentido. As fontes de dispersão são hoje muito mais diversificadas do que ontem. É impressionante a falta de rigor com que se escreve e cita neste país.
ResponderEliminarApenas para secundar aqui o caro Vasco!
ResponderEliminarAquele texto do Graça Moura é positivamente um asnear intrépido e deslumbrado. Porventura a única decadencia que ali se pode ler é a decadencia do juízo de Graça Moura que, parece, desisitiu de interpretar o real e queda-se na percepção nostálgica e pueril, revel aos factos, de um mundo que nunca existiu e nem nunca foi assim, como aquele ali diz, vivido!! Há ali muito Moura Graça, pouco Portugal e nenhuma França!! Nunca língua alguma esteve tão viva como hoje!
É verdade que "compreender" ou "dominar" o inglês não implica necessariamente ler obras "literárias" ( como diz V.G.M. ) nessa língua, o que na verdade acontecia na língua francesa.
ResponderEliminarEmbora possam apontar-lhe uma tonalidade de saudosismo de um período em que realmente nem todos acediam aos meios e ao espírito que foi o esteio da raíz francófona em Portugal, não há dúvida : a hegemonia bruta da cultura e da língua anglo - saxónica não tem um correspondente directo, em termos de formação humana, cultural, de valores e de ideias, da literatura à filosofia, como teve o francês até há uns anos atrás.
O que sem dúvida, para mim, constitui a perda grande é que a francofonia ( como o latim noutro nível de questões e do ensino ) esteja tão relegado para uma margem agora quase centesimal.
Tornaram-se estas gerações menos capazes, por se virarem apenas para o inglês ( e para o proverbial castelhano que todos acham que sabem ) além do português - que era sm dúvida mais bem "sabido e aprendido" quando o francês ( língua também de origem latina ) tinha o destaque e a atenção mais adequados.
Parece que os técnicos da industria e da tecnologia que universalmente se entendem, não vão concordar nem mudar para o francês.
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